BrunoAccioly

16 Novembro 2004

“Agosto”

Com direção de Paulo José e produção de Carlos Manga, “Agosto” é lançado sem alarde em DVD, enriquecendo as prateleiras das lojas especializadas.

Aconteceu em Agosto de 1954, mas eu só comprei em Novembro de 2004.

Magnificamente dirigida e produzida, a série “Agosto”, que foi ao ar pela Rede Globo de Televisão na década de 80, está disponível em DVD. Foi uma espera longa para mim, um cara que não costuma apreciar tanto as séries televisivas nacionais.

A caixa, cuja humildade despretensiosa salta aos olhos, não depõe contra a edição bem feita das vastas horas filmadas, viabilizando o produto sem comprometer demais o resultado final.

O material extra é exíguo, trazendo o clássico making-off, que fala mais dos efeitos especiais que de qualquer outra coisa – saído direto do Vídeo Show - mas consegue ser comovente ao documentar um recente e descontraído papo entre Paulo José e Carlos Manga, no qual se elogiam mutuamente e falam de alguns detalhes belíssimos do trabalho que desenvolveram.

A série transformada em um filme que se espalha por dois DVDs é densa e cheia de significado histórico, não tomando partido de Carlos Lacerda nem de Getúlio Vargas, contando a história do suicídio deste último, que começa pelo atentado ao primeiro e que tem como resultado a morte do Major Vaz.

Deslocando o eixo da narrativa do evento histórico, Paulo José e Carlos Manga fazem um belíssimo trabalho em filmar a obra literária de Ruben Fonseca, que se concentra numa história paralela envolvente com o personagem antológico vivido por José Mayer: o Comissário Mattos.

A expressão de todos os defeitos e qualidades masculinas, Mattos é um policial íntegro e incompreendido. O ex-advogado erudito, apaixonado por Ópera e pelo próprio passado é todo virtude e retidão. Fadado ao sofrimento e a sua destrutiva natureza romântica, o personagem noir é um mártir anônimo, o símbolo de uma virtude rara em um país cuja relatividade moral é raramente trazida a baila.

Tal relatividade é encarnada de forma magistral por Carlos Vereza, que acompanha o personagem de José Mayer sem compreende-lo completamente mas admirando-o como ninguém mais.

Se a direção é irrepreensível, o que dizer do elenco, encabeçado por José Wilker, Vera Fischer, Hugo Carvana, Letícia Sabatella, Elias Gleiser, Lúcia Veríssimo, Rodolfo Botino, Marcos Winter, Sérgio Mamberti e Norton Nascimento, com deliciosas aparições de Ary Fontoura, Lima Duarte, Mario Lago e Paulo Gracindo.

É inusitado, mas o soturno personagem Gregório Fortunato, o “Anjo Negro”, chefe da segurança de Getúlio é vivido de forma surpreendentemente convincente por Tony Tornado.

A quem recomendo a compra? A quem é Brasileiro!

2 Comments currently posted.

bruno accioly says:

ola. postei no dia em que vc falou do meu site.. de uma olhada.
pax nunc nunc quom eternum est

lorena says:

olá…
muito bom seu comentário a respeito de a formiguinha e a neve…

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