24 Abril 2006
Será que a culpa é minha?…
Sempre que vou ao cinema - até agora SEMPRE - me incomodo profundamente com a falta de educação e senso de civilidade dos espectadores barulhentos, mal educados e individualistas que gostam de conversar do filme que já viram, de sua vida particular ou de suas vidas passadas (SIM, ISSO JÁ ME ACONTECEU) enquanto um filme está se desenrolando na tela… Mas nem é disso que vou falar…
As boates se transformaram em que, enquanto eu não estava olhando? Será que eu atraio gente maluca? Será que, de alguma forma, eu faço com que as exceções se transformem em regra?
Quando vou ao cinema, sempre me forço a dizer para mim mesmo: “A culpa é sua! Você devia bem estar em casa assistindo a um DVD! Aguente!”… será que o mesmo vale para boates?
Ao ir ao aniversário de uma profundamente estimada ex-colega de trabalho e amiga, me senti em um lugar estranho, tenso e (apesar das músicas muito bem escolhidas) profundamente hostil a quem só está lá pra se divertir.
Eis que estava eu, depois da aniversariante já ter ido embora e em seguida de pedir um scotch, quando me vem uma “cachorrona” - me desculpem, mas não conheço qualquer outro adjetivo que descreva uma menina de seus vinte e poucos com um jeans que mais parecia pintado no corpo e um top que servia mais pra despir seu abdomem trabalhado do que qualquer outra coisa - e começa a dançar na minha frente, me tomando pelo pescoço e segurando uma de minhas mãos.
“Vamosh dançar, gatchinho?”
Ao que respondo… “Sinto muito, mas não vai rolar…”
Indignada, a menina retruca com o pior que tem na manga: “Você é viado?!”
Sem saber bem o que responder - e até achando que seria mais fácil dizer que sim, para acabar com a conversa, digo: “Na verdade eu sou muito mais tímido que pareço.”
A resposta dela veio, com vontade: “É viado!”, e me transpassou não com o poder do adjetivo - até porque isso não me ofenderia - mas com o poder da intolerância, determinismo e (perdoem-me) babaquice da qual só mesmo uma açogueira de |v|3®d@ seria capaz de responder.
Foi uma humilhação… não uma humilhação da minha pessoa (que duraria minutos), mas humilhação de toda uma geração de cachorras patéticas que, como ela, não compreenderiam o fato de que sou, sim, um cara tímido, mas que - além disso - por estar interessado em alguém, me sinto comprometido, o que não me ajudaria a sentir bem, diante do convite nitidamente interessado.
Respondi a ela: “Olha… eu realmente não quero dançar.”
…Ao que ela afirmou acertadamente: “Mas te vi dançando e você parece dançar bem…”
Até queria explicar pra ela, de novo, que era tímido e que não queria dançar com ninguém por motivos pessoais… mas não fui rápido o suficiente e ela me condenou, derradeiramente: “É… é viado!”
E foi assim que, numa noite divertida e com gente que eu gosto, fiquei sabendo que, a despeito de meu comportamento sexual, interesse sexual ou inclinações… sou “Viado”!
Nesses tempos de “Brocken Back Mountain”, mamãe, de repente, fica até orgulhosa de mim…
Será isso o tal do “conflito de gerações”?!
Comments are locked.
Cristiano Dias says:
Carol says:
Pelo visto, seu final de semana foi produtivo!
Não, não estou me referindo ao texto acima, mas a quantidade de posts que você colocou no ar. Mais alguma novidade, além da revelação feita pela mestre em sexualidade masculina e expert em Pit Boys comedores de carniça???
Beijocas
Carol says:
Ok… cometi um erro… “mas à quantidade…” - esta é a forma correta!!!
=0)
Etel says:
Eu normalmente rio dessas situações e lamento pela figura ser tão limitada.
Mairus says:
Bom, Brunus, se a moça que te chamou pra dançar era essa das fotos que ilustram seu post… sei não, hein…
Tat says:
Tem mulher que nao se respeita mesmo!!! Mas nao sao todas, ao menos isso!!
gostei do blog, viado ou nao, escreve bem pra caramba!!!
zuando, sorry!
Monica says:
A diferença de idade “nem é tanta” mas de atitude é absurda!
O que me faz sentir cada vez mais isolada e distante dessa galera de vinte e poucos anos…
Pelo menos desse tipo de galera que vc descreveu.
EdGouveia says:
Acho que não entendi… A moça tinha chamado pra dançar ou pra trepar? Xi… Não sei dançar…
Érica says:
Você pelo menos foi cantado.
Eu costumo sair sem levar nenhum elogio.
O que geralmente acontece é algum baixinho enfiar a cara no meu decote, ou um mané tentando, com uma só mão pegar meu peito inteiro, o que é humanamente impossível. haha.
Além de não me divertir nem um pouco com aquela gente extremamente preocupada em ficar bêbada!
E ser viado nem é tão ruim assim. Os viados que rodam pelas ruas do Rio são, em sua maioria, lindos, ricos, inteligentes e simpáticos.
Aline says:
Isso só confirma que o lugar onde estávamos definitivamente não é mais o mesmo. Eu me senti “Carrie, a estranha” no meio de tanta gatinha com óbvio “top, sandália, saia”. E olha que eu não tava tão estranha assim.
Anyway, adorei o comentário do Mairus (hehehe).
Bruno Accioly says:
Eduardo escreveu:
“Acho que não entendi… A moça tinha chamado pra dançar ou pra trepar?”
E em resposta tenho a dizer o seguinte…
Se ela quisesse só dançar, eu ser viado não seria um problema - até ao contrário - seria extremamente conveniente.
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B. says:
A noite realmente anda muito estranha. Você esqueceu de descrever um acessorio que possivelmente fazia parte do estilo da moça (pelo menos faz da maioria do tipo dela): a marca de biquíni na lateral, acima dois dedos da calça que é láááááa embaixo…rs
Adorei seu blog. Te linkei.
Isabel says:
Ah amigo, esse é o mundo cruel. Aqui na minha vila, como eu não engravidei na adolescência, não dancei a dança da garrafa e não namoro fazendo o portão da garagem de motel, minha mãe é obrigada a responder perguntas absurdas sobre minha sexualidade. Voce tem um blog excelente. Vim aqui pulando de link em link e todos, muito bons. Voltarei mais vezes.




Mas isso, é lógico, todo mundo já sabia. Afinal de contas você não tem aquário em casa.