setembro 23, 2004

Celulares para que vos quero?

A Nokia está lançando uma nova coleção de celulares denominada Fashion Collection que prometem ser objetos do desejo de muito jovem e muito marmanjo.

Pessoalmente sou cético quanto aos modelos de celular multi-funções e sempre questionei a inclusão de câmeras digitais em aparelhos telefônicos.

Sei-sei... muita gente discorda de mim mas, só para entenderem em que medida eu não acho uma boa idéia, para mim não seria muito diferente adaptar no celular um cortador de unhas, um cotonete reutilizável ou um aparador de pêlos no nariz. A meu ver, ter que levar uma câmera ruim para casa ao comprar um celular bom é como pedir Graraná Diet e ganhar de graça uma rodela de laranja!

Há alguns telefones bastante interessantes no mercado hoje (por outros motivos) e, sinceramente, todas as câmeras embutidas, para mim, são uma josta. Basicamente, adaptar uma câmera ruim em um aparelho celular é, no meu entender, como adaptar um compasso de plástico em uma régua "T".

Podem dizer o quanto quiserem que o fotógrafo médio não é fotógrafo e o escambau, mas ainda assim não vejo nada ali senão mais um penduricalho de má qualidade e que empresta mais peso, mais consumo elétrico, mais defeitos em potencial e mais motivos para achar que esses aparelhos são projetados em nome de algo que nada tem a ver com os requisitos do usuário (a não ser que se queira criar uma cultura de fotos toscas, tipo uma Lomografia da vida).

O bluetooth que é uma tecnologia super interessante e que não está sendo bem explicada e bem vendida pela media que deveria ser a grande vedete. É fato que há pouco uso para quem não tem um laptop nem tenciona comprar fones handsfree sem fio que custam uma barbaridade, mas o investimento nisso, creio, pode valer a pena para quem tem um computador portátil.

A comunicação sem fio via bluetooth me ajuda muito no trabalho e em casa, e nenhum cabo é necessário para eu acessar a Internet, enquanto meu celular está no bolso e eu viajo dentro de um taxi.


O HS-13W, da Nokia, é um novo modelo de fone de ouvido. É bastante reduzido em tamanho (6,2 x 4,5 x 1,5 cm) e leve (57 g), e poderia ser pendurado numa corrente como um pingente ou ser levado ao embro. Ele é uma extensão do celular que, como mencionado, se utiliza de bluetooth para permitir ao usuário falar ao telefone e ter as mãos livres. A tela é colorida exibe imagens, sua agenda e mensagens curtas recebidas no celular. O usuário pode atender às chamadas pressionando um botão enquanto usa o fone.

Você pode se perguntar... "Mas ainda tenho que carregar o aparelho?", ao que eu responderia sim e que vale muito a pena. Não há nada como esquecer o telefone no bolso do terno e usar apenas um fone de ouvido ou sequer precisar sacar o telefone para, em qualquer lugar, acessar a internet pelo computador portátil.

É claro que há boas soluções no projeto de engenharia de muitos dos celulares que vem sendo produzido. O que me incomoda é em nome do que são escolhidos os tais penduricalhos e em quanto realmente eles atendem aos incautos que os adquirem por conta das alardeadas características presentes nas brochuras promocionais.

Outro dia comentei com meus amigos Eduardo Gouveia e Mairus Maichrovicz acerca do fato de eu, um ávido leitor de ficção científica, estar tão incomodado com a produção tecnológica do início do Século XXI.

Acontece que, na literatura, a tecnologia vinha em resposta as reais necessidades humanas, para atender aos seus anseios e em nome de um progresso intrínseco em todos os níveis. Quando assim não era, a obra de ficção normalmente estava alertando para os perigos de não orientar o desenvolvimento tecnologico com estes propósitos, mas com propósitos puramente comerciais, fruto da produtização e do consumismo desenfreado.

Há grandes produtos sendo lançados hoje, que se preocupam com a ergonomia, com a usabilidade e com a necessidades humanas. Alguns deles são até estranhos e tal, mas cumprem funções que acrescentam - mesmo que se questione mesmo o celular enquanto conceito (o que o Eduardo Gouveia muito bem acrescenta a este tipo de discussão).

A preocupação que tenho hoje, com estas questões, pode ser bastante equivocada, lógico, mas me parece possível que seja reflexo de uma convulsão tecnológica puramente movida pela necessidade de lucro. Sequer interessaria a empresa que fabrica os celulares, que seu produto seja celulares, nesta visão de mundo. Não haveria, nesta visão de mundo, outro objetivo que não o lucro e o crescimento empresarial. Será que não é isso que está de fato acontecendo?

Para rir um pouco:
Pokia . Retro Phone

Você quer saber mais?
dotCraft . Teclados de Celulares . Limites

Bruno Accioly

Postado por baccioly em 01:47 PM | Comentários (2441)

setembro 10, 2004

Saturno nos mostra mais um anel

Cientistas britânicos descobriram um novo anel em Saturno usando a sonda Cassini.

As descobertas foram feitas na região do anel F. O novo anel, que recebeu o nome de S/2004 1R, parece estar associado com a lua Atlas.

Ele está a 138 mil km do centro de Saturno, entre os anéis A e F. A largura do novo anel foi estimada em 300 km, mas ainda não se sabe se ele dá a volta em todo o planeta.

A sonda Cassini-Huygens chegou ao planeta Saturno em julho.

Objetos

Dois novos objetos também podem ter sido descobertos na órbita do planeta.

Segundo cientistas da Universidade de Londres, se pelo menos um dos objetos for confirmado, o número de luas conhecidas de Saturno passará a 34.

Um pequeno objeto foi descoberto se movendo perto da área externa do anel F, na parte interior da órbita da lua Pandora.

Ele foi observado pela primeira vez por Carl Murray, do Queen Mary College, da Universidade de Londres, em imagens tiradas no dia 21 de junho, dias antes da sonda Cassini chegar a Saturno.

"Eu vi esse objeto quase indetectável na parte externa do anel F", disse ele. A equipe de Murray foi a primeira a calcular uma órbita para o objeto.

Cientistas ainda não conseguem dizer se o objeto é uma lua ou um acumulado temporário de partículas.

Se for uma lua, o seu diâmetro é estimado em 4 ou 5 km, e ela está localizada a 1.000 km do anel F, o mais externo de Saturno.

A distância do centro do planeta seria de 141 mil km. Ela também estaria a 300 km da órbita da lua Pandora.

O objeto foi chamado provisoriamente de S/2004 S3.

Outro objeto


Os cientistas também não têm certeza se o objeto está sozinho.

Joseph Spitale, do Instituto de Ciência Espacial de Boulder, no Colorado, fez uma pesquisa em outras imagens e descobriu um dado estranho.

"Quando fui procurar imagens adicionais para refinar a órbita do novo objeto, descobri que cinco horas depois de ele ter sido visto pela primeira vez, ele parecia estar em órbita no interior do anel F", disse Spitale. "Se esse é o mesmo objeto, então ele tem uma órbita que cruza o anel F, o que o transforma em um objeto estranho."

Como a existência de um corpo que cruze um anel não é normal, o segundo objeto observado está sendo tratado como um objeto separado e recebeu o nome de S/2004 S 4.

DAVID WHITEHOUSE
da BBC Brasil

Você quer saber mais?
Página da Missão Cassini-Huygens (JPL)
Galeria de fotos novas de Saturno (JPL)
Galeria de fotos novas dos anéis de Saturno (JPL)
Página dos envolvidos na captação de imagens da Cassini

Bruno Accioly

Postado por baccioly em 02:57 PM | Comentários (11)

setembro 08, 2004

O fim da Genesis

Cai no solo de Utah a capsula Genesis, projetada para coletar partículas componentes do vento solar.

Não ficou claro o porquê de, depois da reentrada, o sistema de aterrissagem não ter respondido e os pára-quedas não terem aberto.

Por não terem aberto como programado, os pára-quedas não puderam ser interceptados pelos dois helicópteros escalados para capturar a cápsula no ar.

A análise do material coletado, que pode ter sido contaminado com a rachadura da fuzelagem da cápsula, ajudaria a Comunidade Científica a entender mais acerca da criação do Universo.

Somente nas próximas horas ficará claro se as amostras foram comprometidas e se o experimento de três anos se reverteu mais em prejuízos que em lucros para o programa espacial americano.

Acidentes não são raros em projetos da NASA - ou de qualquer outra agência espacial. Não existem fábricas de sondas ou foguetes. Cada projeto é único e uma sonda nunca é igual a outra, uma vez que as tecnologias envolvidas devem ser as mais sofisticadas e que é preciso fazer concessões o tempo todo. Projetos de missões espaciais costumeiramente unem equipamentos experimentais e equipamentos tecnologicamente mais tradicionais, tudo sob supervisão dos melhores engenheiros e cientistas.

Missões como essa, que adiantam em anos ou décadas a pesquisa cosmológica, quando mal sucedidas, podem não levar embora vidas, mas prejudicam profundamente a credibilidade da NASA. O resultado, invariavelmente é percebido na opinião pública e na falta de apoio governamental a projetos semelhantes.

Bruno Accioly

Você quer saber mais?
CNN.com . Capsula Genesis cai no deserto (em inglês)
NASA . As amostras da Genesis chegaram com a queda da capsula (em inglês)
NASA . Vídeo da queda (QuickTime . 6.4Mb)

Postado por baccioly em 06:45 PM | Comentários (576)

Velocidade de Dobra a frente?

Canadenses dão passo rumo à Internet na velocidade da luz

Conexão lenta mesmo com banda larga? Que tal uma Internet cem vezes mais rápida do que a atual? De acordo com um novo estudo feito no Canadá, a nanotecnologia é a solução para construir uma rede de altíssima velocidade inteiramente baseada na luz.

No estudo publicado na revista Nano Letters, Ted Sargent e Qiying Chen, da Universidade de Toronto, demonstraram ter conseguido usar um feixe de laser para direcionar outro com controle sem precedentes, feito desejado há tempos e especialmente importante para futuras redes de fibras ópticas.

Até agora, pesquisadores não haviam conseguido demonstrar previsões teóricas que postulavam o potencial da luz em controlar a própria luz. A falha de materiais conhecidos em conseguir tal objetivo se tornou conhecida como a "lacuna quântica de Kuzyk". O nome é referência ao físico Mark Kuzyk, da Universidade do Estado de Washington, que foi o primeiro a prever, em 2000, os limites da física fundamental em propriedades não lineares de materiais moleculares.

"Materiais moleculares utilizados para alterar sinais luminosos com a luz tinham se mostrado consideravelmente mais fracos do que indicavam os fundamentos da física. Com nosso trabalho, a capacidade de processar sinais que contenham informação por meio da luz se tornou algo prático", diz Edward H. Sargent, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e da Computação, em comunicado da universidade canadense.

Para tentar vencer a lacuna quântica, Wayne Wang e Connie Kuang, da Universidade de Carleton, haviam projetado um material que combina partículas esféricas em escala nanométrica, conhecidas como "buckyballs", com um polímero também derivado no laboratório. Sargent e colegas estudaram as partículas ópticas do novo material híbrido e descobriram que ele era capaz de processar dados transportados em comprimentos de onda usados em telecomunicações -a faixa infravermelha empregada em cabos de fibra óptica.

De acordo com os cálculos feitos pelos cientistas canadenses, futuros sistemas de comunicação por fibra óptica poderão carregar sinais por uma rede global com tempos de resposta na escala do picossegundo (um trilionésimo de segundo), o que resultaria em uma Internet pelo menos cem vezes mais rápida do que a atual. Para isso, explicam, os sistemas terão que evitar conversões desnecessárias de sinais entre formas ópticas e eletrônicas.

"Com a criação de um material híbrido que pode controlar o poder do feixe de luz, demonstramos uma nova classe de materiais que se adequa às necessidades de futuras redes fotônicas", afirma Sargent. "Os resultados obtidos mostram o potencial da nanotecnologia em projetar e criar materiais personalizados a partir de moléculas."

"A conquista por terem atingido o limite quântico, resultado das pesquisas feitas nas universidades de Toronto e Carleton, representa um grande avanço na ciência de materiais ópticos não lineares que terá um impacto direto em importantes tecnologias", disse Kuzyk.

Da Agência Fapesp

Postado por baccioly em 04:02 AM | Comentários (1)

setembro 06, 2004

Star Trek OnLine RPG?

Os trekkies, como são conhecidos os fãs da série "Star Trek" ("Jornada nas Estrelas" aqui no Brasil), podem ganhar um ponto de encontro virtual e interativo em breve.

O site Sci-Universe afirma ter descoberto imagens de "Star Trek Online", um possível RPG para PC baseado no popular seriado de ficção. As imagens foram apagadas do site oficial, mas podem ser vistas na nota do Sci-Universe.

De acordo com o site, a produção de "Star Trek Online" pode estar sob os cuidados da Perpetual Entertainment, uma produtora de jogos americana com base em San Francisco que atualmente trabalha em dois projetos onlines não anunciados.

UOL Jogos

Meus comentários

Para quem não é fã da série Jornada nas Estrelas original nem das que se sucederam a ela - como Next Generation, DeepSpace 9, Voyager e Enterprise - pode parecer uma notícia pouco importante.

O fato, contudo, é que Jornada nas Estrelas redefiniu a forma de empacotar séries de TV e segmentar o público da programação da telinha. Toda o entendimento do público como um conjunto de demografias vem da década de sessenta e setenta, quando a série teve de voltar, diante de um público ávido por ver mais e mais episódios.

RPGs (Role Playing Games), junto com desenhos, quadrinos, livros e filmes, acabaram ajudando a perpetuar o universo de Jornada nas Estrelas, e de uma forma muito especial. Nos RPGs, o jogador pode ser o personagem que desejar e passar por aventuras completamente novas, mantendo viva assim a lenda na qual Kirk, Spock e os demais personagens se transformaram.

Assim como o desenho animado veiculado por emissoras em todo mundo, o RPG tenta tornar possível aos espectadores experimentar a série uma vez mais.

Tive a oportunidade de jogar Star Wars Galaxies por uns bons seis meses e pude perceber o potencial deste tipo de jogo. Milhares de pessoas podem jogar ao mesmo tempo em uma galáxia virtual cheia de planetas, permitindo ao jogador dividir um drinque com alguém que, na verdade, está no Japão ou na Nova Zelândia sem sair de casa e momentaneamente vivendo em um mundo que tanto aprecia.

Jogos de RPG OnLine, como os RPGs convencionais, são, no meu entender, uma forma de expressão cultural e muito mais do que simples jogos. Vale a pena experimentar tanto quanto vale a pena ler um livro se você nunca o fez ou ver um filme se você nunca visitou um cinema.

Querendo me ver melhor em Tatooine, no universo de George Lucas, clique na imagem abaixo para ampliá-la.


Você quer saber mais?
Hidden Fronties . Episódios feitos por entusiastas
StarShip Exeter . Episódios confeccionados pelo ExeterStudio

Bruno Accioly

Postado por baccioly em 02:48 PM | Comentários (3)