outubro 14, 2004

Central de Entretenimento

A MSI está lançando no país o Mega PC 651, micro que também funciona como central de entretenimento. O PC parece mais com um mini-system do que com um computador convencional.


Para usar as funções multimídia, o usuário nem precisa ligar o PC. Mesmo desligado, ele funciona como rádio e CD player, que também pode ler discos gravados com músicas no formato MP3.


Pelo painel, o usuário sabe se o micro está reproduzindo MP3, CDs ou rádio. A interface oferece ainda equalizações pré-definidas (jazz, pop, rock, etc) e entradas para conectar câmeras digitais e dispositivos multimídia.



Por dentro, o computador tem leitor de DVD e sintonizador de TV, além de som surround 5.1. Para que tudo isso funcione, o equipamento tem processador Pentium 4 de 2,8 GHz, 256 MB de RAM e disco rígido de 80 GB.


A conexão com outro aparelhos pode ser feita por meio das interfaces USB 2.0 ou FireWire (IEEE 1394), entrada para microfone, fones de ouvido e entrada SPDIF. O Mega PC 651 já pode ser comprado na PlugUse (www.pluguse.com.br), por R$ 3.499. Uma versão mais potente e com gravador de DVD está sendo vendida por R$ 4.199.



da Folha Online

Postado por baccioly em 04:20 PM | Comentários (180)

outubro 05, 2004

Ecovilas

Utopia ontem, realidade hoje. No interior paulista, um grupo pratica outro jeito de viver, em busca de equilíbrio ecológico, crescimento pessoal e justiça social. 'Visão Futuro' é uma ecovila, modelo de assentamento considerado pela ONU uma promessa para a questão ambiental. Há 15 mil experiências do tipo no mundo, 1 milhão de pessoas envolvidas. Essa minoria criativa está pondo a mão na massa, plantando valores e espalhando esperança.

A manhã, ninguém sabe, dizia um sambinha do passado. Mas hoje se sabe, sim, que estamos à beira do colapso ambiental, social e econômico. Sem mudança urgente de rota, não vai ter amanhã nem aqui nem na China.

Quem quiser ver já um amanhã diferente desse profetizado pelo aquecimento global, a escassez de água e o aumento da fome precisa conhecer o Parque Ecológico Visão Futuro, comunidade rural a 160 km de São Paulo. Lá, as pessoas compartilham casas coletivas, trabalham em cooperação e consomem com parcimônia. Alimentam-se de verduras, frutas e grãos cultivados ali mesmo. Produzem seus pães, doces, roupas e até remédios e cosméticos, fabricados com ervas.

Com apenas 18 moradores, a comunidade gera empregos para 50 pessoas, educa os filhos dos trabalhadores e presta um serviço incontável ao globo, ao viabilizar um outro jeito de viver: em pequenos grupos auto-suficientes, simples e, comparados às cidades grandes, infinitamente mais elegantes com os seres humanos e tudo o que é vivo.

Por trás desse holograma de futuro está a visão de uma mulher, também ela elegante e simples. Norte-americana, Susan Andrews veio ao Brasil por ocasião da Eco-92. Ficou e, com apoio de ONGs internacionais, criou o parque ecológico, considerado hoje modelo frente às resoluções da conferência mundial feita pela Unesco.

A área, de 750 mil m2, tem bosque, horta, lagos, açudes, salas de yoga, meditação e estudos, creche e equipamentos de tecnologia limpa, que captam, tratam e distribuem a água. Recentemente, o parque comprou, com doações de entidades, mais 24 alqueires de floresta nativa, a 2 km da rodovia Castelo Branco, com o objetivo de preservar a vida selvagem, restaurar os ecossistemas da área e integrá-la a projetos de educação ambiental.

A ESPERANÇA DO PLANETA

Franzina, grandes olhos azuis, Susan Andrews ainda confunde umas palavras masculinas e femininas. A voz calma e o sotaque engraçado geram empatia imediata nos ouvintes. Monja e doutora, tem uma quantidade impressionante de títulos, mas na comunidade que dirige é chamada de 'Dídi' (significa 'irmã espiritual'). Antropóloga graduada em Harvard, é mestre em psicologia e sociologia pela Universidade de Ateneo (Filipinas) e especializada em psicologia transpessoal pela Universidade de Greenwich (EUA). Por que essa cidadã do mundo, que viveu 30 anos na Índia e no sudeste da Ásia, trocou o Oriente por uma roça em Porangaba?

'Porque o Brasil é a esperança do planeta', responde a Dídi, que fala 11 línguas, incluindo chinês, bengali e sânscrito, e tem mais de uma dezena de livros publicados mundo afora. 'Viajei por mais de 40 países, morei em muitos. Posso dizer que aqui está a base para a formação de uma nova consciência. Brasileiros têm o chacra do coração aberto. É o país do coração, e esse é um fator essencial para o desenvolvimento de uma nova civilização, já ascendente, baseada na cooperação e na espiritualidade.' Nos fins de semana, o parque recebe uma centena de pessoas, vira um arraial cosmopolita: estudantes, empresários, gente de diferentes partes do país, estrangeiros. Alguns são só visitantes, outros estão lá para participar de cursos ou para tratamentos antiestresse.

Nos fins de semana qualquer um pode sentir o aroma confortante de mais uma fornada de pães saindo da padaria própria ou provar os sabores sutis de uma comida preparada com ingredientes naturais. É quando a comunidade vira um centro de aprendizagem ambiental e espiritual, um laboratório socioeconômico a céu aberto, onde se pode observar um estado coletivo de relaxamento e imaginar como seria uma sociedade na qual homem e natureza vivessem em equilíbrio.

Pesquisa feita pela Viva Rio e o Ministério do Meio Ambiente mostrou que dois terços dos brasileiros não se consideram parte da natureza. 'Há um verdadeiro 'apartheid mental', uma segregação psicológica entre seres humanos e o resto da criação', diz o carioca Niels Gudme, morador responsável por organizar e divulgar o conhecimento criado ali, preparando as apostilas com o conteúdo dos cursos, fazendo traduções, esclarecendo visitantes. Ex-corretor da Bolsa, ele fala muito e muito rápido: 'Para que este projeto supra as expectativas das pessoas, o parque enfrenta desafios como a implementação da energia renovável, a conservação de água, a promoção da educação progressiva, da criatividade artística, da saúde preventiva, do trabalho com significado, da economia cooperativa, da gestão participativa, do crescimento espiritual e do amor. E da diversão -porque, se não for divertido, não é uma verdadeira ecovila', diz.

Ali o ideal comum é a evolução do espírito e o dinheiro não é um fim, mas um meio. A política é aproveitar todos os recursos, nunca tirando da natureza mais do que é possível repor.

Está provado que pequenas propriedades produzem dez vezes mais renda por hectare que as grandes, com menos dano ao ambiente. A agricultura orgânica consome metade da energia que a convencional e os alimentos têm em média, segundo as pesquisas, 30% mais cálcio, 20% mais ferro e 26% mais vitamina C.

Com a horta e outras pequenas unidades de produção agroindustrial, a comunidade de Porangaba gera renda no campo e contribui para romper o círculo do desenraizamento humano e da pobreza.

Trinta anos atrás, no Brasil, 80% das pessoas moravam em zonas rurais. Hoje, 85% se espremem nas cidades. 'Funcionamos como um contramagneto, para que as famílias da região não precisem deixar o campo e acabem indo parar em favelas', explica a líder Susan.

DO SONHO HIPPIE À ECOVILA

Fundada há 13 anos, 'Visão Futuro' é uma das primeiras ecovilas do país. O termo ecovila surgiu nos anos 90: é um conceito preciso, criado por um movimento que cres- ceu muito na última década e tem seu núcleo principal em Findhorn, na Escócia. Planejadores de ecovilas se espalham pelo mundo e atuam em rede. Com experiências locais, buscam uma resposta global para o drama humano.

Por definição, ecovila é um grupo de até 200 pessoas, unido por um propósito que em geral é ecológico, social e/ou espiritual. O que a distingue de suas ancestrais -as 'comunidades alternativas'- é a busca do crescimento sustentável, entendido como aquele crescimento que atende às necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações seguintes.

No começo das discussões sobre a crise ambiental, falava-se em 'desenvolvimento auto-sustentável'. Hoje, segundo o arquiteto Marcelo Todescan, membro da ENA (Ecovillage Network of Americas), é melhor usar o termo 'sustentável', sem o prefixo 'auto', porque não há até o momento nenhuma experiência totalmente auto-sustentável: 'O movimento de ecovilas não acredita que uma comunidade possa ser auto-suficiente sem estar conectada a outras. Tudo é interdependência. Um grupo dependerá sempre de outros sistemas e formas de vida'.

'Faça o que quiseres, pois é tudo da lei', cantava Raul Seixas. As sociedades alternativas daqueles tempos eram focadas na liberdade individual, atraíam gente interessadas em fugir da realidade. Ecovilas, ao contrário, são comprometidas com os problemas coletivos e o trabalho duro de mudar a realidade.

O dinheiro não é fim, é meio. A política é não tirar da natureza mais do que é possível repor



PRESENTE PARA O MUNDO

Não estou fugindo de nada', diz a moçambicana Anjali, de 22 anos. Ecóloga treinada em Findhorn, ela chegou a Porangaba para fazer um curso minis- trado por Susan Andrews. Decidiu morar na comunidade. 'O ponto mais forte aqui é a identidade espiritual, o entendimento de que a sustentabilidade não envolve apenas ações externas. O grupo se firma em torno de um objetivo maior, que é abrir o coração. Nada é perfeito, somos humanos, mas a intenção está estabelecida, estão todos predispostos a elevar a energia para além da energia da competição. Nesse processo, um é o espelho do outro. Não sabemos onde tudo vai dar. Mas está aberto um campo criativo aqui', diz a moça cujo nome espiritual significa 'quem se oferece de presente para Deus e o mundo'.

Como ela, a catarinense Rosane chegou lá para fazer um curso. Ficou. Há quatro anos doa ao parque sua experiência em contabilidade. 'O que eu buscava está aqui.' O que está lá é a cultura segundo a qual o desenvolvimento sustentável só pode se dar em nível local e se expandir em escala global, se cada pessoa transformar a si mesma.

Não basta, portanto, querer morar na comunidade: é preciso ser aceito e ter as competências consideradas úteis. Candidatos são entrevistados, avaliados. Fazem cursos progressivos de aperfeiçoamento pessoal.

'Não pode ser um escapismo, e sim uma missão. É preciso ter clareza, uma visão nítida de para onde se está indo quando se quer mostrar que outro mundo é possível, outra forma de relacionamento baseada em harmonia e aceitação, não no julgamento, na hierarquia e no poder. Essa visão não se desenvolve apenas lendo, vendo palestras ou falando, é preciso um grande trabalho interno. Ninguém ilumina a escuridão falando de lâmpada', diz Susan. Segundo a monja, esse trabalho interno, que inclui muita yoga e meditação, reduz os conflitos na comunidade.

Em função desses pré-requisitos e de desencontros de expectativas, o parque enfrenta alguma rotatividade de moradores desde o início -quando tudo o que havia era trabalho voluntário, um alojamento com sete cômodos, um cobertor e uma colher. Hoje, com economia estabelecida e setores produtivos gerando excedentes para a venda, o grupo consegue sustentabilidade em 80% de suas necessidades.

Entre as fontes de renda estão os cursos ministrados por Susan, como o de biopsicologia -espécie de síntese entre as novas descobertas científicas e o antigo conhecimento oriental de anatomia sutil, chacras e controle emocional. Nas aulas, ela faz a relação entre as secreções das glândulas do corpo e as emoções, e mostra como modificar respostas bioquímicas do corpo. A doutora e monja constrói uma ponte entre psiconeuroimunologia e tradição tântrica (saber mal-entendido no Ocidente, visto só na dimensão sexual, segundo ela). O parque todo segue a filosofia da máxima utilização de recursos naturais, pregada pelo mestre indiano Sarkar.

'Nada é perfeito, mas a intenção de elevar a energia além da competição já foi estabelecida'
Anjali



Anjali, a ecóloga que nasceu em Moçambique e escolheu viver na comunidade de Porangaba, em frente ao lago; o parque tem alojamentos coletivos, unidades produtivas e programas de educação para adultos e crianças

Tudo é de Todos

O Oriente está presente no Centro Ananda, clínica ayurvédica criada e mantida pela comunidade. Lá, a tradicional massagem indiana a quatro mãos é fei- ta por um casal de terapeutas.

Eduardo e Cristina trabalham e moram juntos. 'Nos sentimos muito queridos, tanto individualmente como em par, mas de vez em quando é difícil ser casal na comunidade. É preciso atentar para não nos preocuparmos apenas com a nossa vida individual em detrimento do interesse coletivo. Precisamos cuidar para não criar uma panelinha só nossa', explica Cristina.

Privilegiados, os dois moram numa casinha dentro do parque, mas só os mais antigos têm seus próprios domicílios. Como tudo é de todos, Cristina acha que é preciso saber se afirmar: 'Ou você aprende a se colocar ou perde a individualidade no coletivo Mas a questão espiritual garante a ética, nos ensina a empatizar com os outros, a compreender, mesmo na divergência de opiniões'. No começo, muitos dos moradores, segundo ela, tinham uma atitude de renúncia: 'Hoje, todos respeitam as diferenças de cada um. Eu, por exemplo, não sou renunciante a nada, tenho meu marido, agora vou ter um filho'.

O Brasil já tem cerca de 30 ecovilas. Se as mudanças são sempre deflagradas por minorias, vale vê-las como sementes de solução para um mundo que exclui do seu 'progresso' não apenas o futuro, mas 4 bilhões de membros da família humana.

Você quer saber mais?
Marie Claire . O artigo original
Findhorn.org . Onde nasce o conceito de Ecovilas
Findhorn.org . Treinamento em Ecovilas
ONG de Ecovilas
Ecovilas Aurora
Agir Azul
Ecovila Abra144
Ecovila Clareando

Postado por baccioly em 11:54 AM | Comentários (5229)