março 26, 2006

Mentes Adubadas...

...idéias quentinhas.

 

A primeira chamada de um telefone celular foi realizada em 3 de abril de 1973, em Nova York (EUA), por Martin Cooper, então gerente geral da Divisão de Sistemas da Motorola.

 

O telefone celular chegou ao mercado somente em 1983. Pesando 794,16 gramas, o DynaTAC 8000x, da Motorola, ganhou logo o apelido de "tijolo". O preço também era pesado: 3.995 dólares.

 

O primeiro portátil da Ericsson foi o Combi Hotline. Lançado em 1987, o terminal funcionava na tecnologia TDMA e na analógica AMPS (Advanced Mobile Phone System).

 

Em 30 de dezembro de 1990, a comunicação móvel começou a funcionar no Rio de Janeiro, com capacidade para 10 mil terminais. Em 1989, surgiu o MicroTAC, com flip. Considerado o mais leve da categoria, pesava 290 gramas e sua bateria durava 90 minutos em uso e 15 horas em stand by.

 

Inspirado no comunicador da série Jornada nas Estrelas, o StarTac da Motorola iniciou a moda dos celulares clamshell, em 1996.

 

LG Electronics 330 W CDMA – primeiro pré-pago do Brasil, lançado em 1998, com toque monofônico.

 

O Samsung SCH-A565 Colors foi o primeiro celular CDMA com display colorido a chegar no País, em setembro de 2002.

 

Mais do que comunicadores, os celulares já se transformaram em computadores de mão, câmeras digitais, tocadores de MP3, consoles e até televisores.

 

Porta-batom GSM da linha fashion.

 

Câmera de 2 megapixels, gravador de vídeo VHS e design articulado, nas lojas desde o segundo trimestre de 2005.

 

Clamshell com câmera de 1,3 megapixels, Bluetooth e MP3 player com 3D surround. Chega ao mercado em agosto.

 

Notícias, videoclipes, futebol e novelas na palma da mão.

 

O celular-Walkman conta com 512 Megabytes de espaço para 125 canções em MP3 expansíveis a 2 Gigabytes.

 

Motorola V3 - o mais fino do mundo - 1,3 centímetros de espessura e câmera VGA.

 

Teclado em forma de computador e acesso a e-mails pelo BlackBerry Built-In.

 

O aparelho SA800i foi lançado no Japão para ser utilizado com o serviço Imadoco (Onde está você agora?, em japonês) da operadora NTT DoCoMo, previsto para funcionar a partir de março deste ano. O aparelho traz um botão para a criança apertar em situações emergência, que liga para até três números pré-configurados. Somente pessoas autorizadas conseguem desabilitar o serviço de rastreamento. *Disponível somente no Japão.

 


Voltado a crianças de 8 a 12 anos, o aparelho traz botões com a figura do pai e da mãe, para facilitar a discagem. Permite registrar outros 20 números, mas só recebe chamadas de números liberados pelos pais. Disponível somente nos Estados Unidos.

 


Parecido com um inseto, o modelo tem duas “anteninhas”, uma voltada à conexão com a rede da Verizon (operadora que comercializa o aparelho) e outro ao serviço de localização. Traz cinco botões: quatro para números pré-configurados e um de emergência. Tem o tamanho ideal para se ajustar à mão de uma criança. Disponível somente nos Estados Unidos.

 

Este aparelho, que parece mais com um walkie-talkie, também permite aos pais definir os números dos quais a criança pode receber chamadas e para os quais pode ligar. Para telefonar, é preciso escolher um número da lista pré-configurada e devidamente autorizada pelos pais. Traz joguinhos educativos e permite gravar mensagens de voz. Disponível somente nos Estados Unidos.

 

Este simpático ursinho holandês funciona não só como celular, mas também como babá eletrônica, permitindo aos pais monitorar remotamente o que os filhos estão conversando. Quando a bateria do aparelho está acabando, os pais recém um SMS de aviso. Disponível somente na Holanda.

 

 

A fabricante de brinquedos Hasbro apostou em um conceito diferente. Enquanto os concorrentes lançam celulares que parecem brinquedos, ela oferece um brinquedo que funciona como celular. O walkie-talkie ChatNow, vendido em pares, permite à criança “telefonar” e trocar mensagens de texto com os amiguinhos a até 3 km de distância. O aparelho vem com 10 ringtones diferentes e permite tirar fotos para identificar quem liga. Disponível somente nos Estados Unidos.

 

Basicamente o mesmo aparelho já comercializado pela Motorola, porém com uma nova pintura para atingir públicos diferentes. Essa é uma das apostas da fabricante para fazer sucesso entre o público feminino e de maior poder aquisitivo: o V3 Pink custa 1.499 reais, cerca de 700 reais a mais do que a sua versão prateada. Os recursos - como conexão Bluetooth, toques polifônicos em MP3 e reprodução de vídeo, são os mesmos.

 

Arredondado e, como diz a Motorola, inspirado em elementos da natureza, o novo PEBL U6 abre o seu flip com um toque na parte superior do aparelho, é revestido com um material metalizado, possui tela capaz de exibir 262 mil cores e display externo no sentido vertical. Além disso, conta com uma câmera digital VGA que captura fotos e faz vídeos, traz comandos de voz inteligente, Bluetooth, viva-voz integrado e toques em formato MP3. O aparelho chega às lojas em março e custará cerca de 1.499 reais.

 


Inspirados no espírito e no estilo dos anos 20, os celulares Nokia 7280, Nokia 7270 e Nokia 7260 chegam ao Brasil mirando um público que busca pouco mais do que somente comunicação em um celular. O mais diferenciado dos aparelhos é o 7280, que pode ser totalmente controlado por voz, não possui teclado, apresenta detalhes em cabedal e espelho, permite toques em formato MP3 ou AAC e tem câmera digital VGA, tudo em um aparelho que parece um porta-batons. O 7280 custa 1.999 reais, o 7270 custa 1.499 reais e o 7260, 999 reais. (que legal! quase o preço do primeiro celular!)

 

Novo aparelho da Samsung funciona em redes CDMA, câmera digital VGA com zoom de até dez níveis, tela que comporta resolução de 160x128 pixels, agenda para até 500 números de telefone com opções de categorização, sincronização e backup de dados via USB, navegador WAP e campainhas polifônicas de 32 canais. O preço sugerido pela Samsung é de 749 reais no modelo pós-pago e 699 reais no pré.

 

Aparelho desenvolvido para redes GSM conta com teclado do tipo "slide", aceita conexões "streaming" para áudio e vídeo, possui função para detectar e ajustar a voz do usuário de acordo com o volume de ruídos do ambiente (tecnologia Voice Clarity), gravador de vídeo e voz para até 30 minutos de conteúdo, tocador de MP3 embutido, câmera digital com flash e zoom, agenda telefônica para dois mil números e memória total de 40 Megabytes. A Samsung ainda não divulgou preços sugeridos para o celular.

 

O X150L é o próximo aparelho GSM da fabricante coreana a integrar a faixa dos celulares de baixo custo. Com display colorido, o telefone possui agenda para mil números telefônicos, gravador de voz de 30 segundos ou 100 Kilobytes, navegação multi-direcional, entrada para fone de ouvido e mecanismo de digitação rápida. A Samsung também não soube informar o preço sugerido para o aparelho.

 

Aparelho articulado estará disponível nas cores cinza grafite e prata, além de possuir um conjunto de adesivos brilhantes coloridos para personalização junto de cada embalagem. Os principais recursos são tela colorida de 128x128 pixels e 65 mil cores, toques polifônicos de 32 canais e bateria capaz de levar o celular a 250 horas de espera ou 5,5 horas de conversação. A partir de janeiro, o Z300 sairá pelo preço sugerido de 399 reais.

 

O celular SGH-i310 possui um HD de 8GB e um player para músicas, que suporta os formatos MP3, AAC, AAC+, WMA, WAV e Ogg. Além disso, tem alto-falante duplo e entradas para amplificador e Bluetooth stereo.

thetango.jpg

alcatel ot-c850

E o que o futuro nos reserva?

Este é o novo celular da Nokia, você não mais precisa carregá-lo.

Ele carrega você, custa 50mil dólares e evita a dor nas costas por

carregar aparelhos pesados.

Basta colocar tudo em seu porta-malas.

Você não perde mais tempo tendo que andar da poltrona até a estante

de livros, pois você não vai mais ler!

E não se preocupe a respeito de como vai entrar em seu carro com o

aparelho, pois o novo Nokia se encaixa perfeitamente entre o

parabrisas e o banco de trás, substituindo o banco do motorista.

Compre agora o seu Nokia! Você vai gostar da diferença!

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (7)
Categoria: Tecnologia

novembro 07, 2005

Laptop de US$100 do MIT

IDG Now!

O objetivo do laptop barato é atender países em desenvolvimento e ser usado por estudantes. A expectativa é que o portátil de 100 dólares comece a ser produzido em volume no final de 2006.

"Em países emergentes, a grande questão não é a conectividade", afirmou Negroponte durante "Emerging Technologies Conference", no campus do MIT (Massachusetts Institute of Technology). "Muitas pessoas estão trabalhando em Wi-Fi, 3G, 4G, etc. Para educação, o alvo é laptops".

Os pesquisadores do MIT acredita que dando aos estudantes com um laptop vai ajudar a melhorar o seu nível de educação.

O laboratório espera mostrar o protótipo do notebook de 100 dóalres durante o World Summit on the Information Society (WSIS), que acontece entre 16 e 18 de novembro, na Tunísia.

O alvo inicial do MIT é o Brasil, China, Egito, África do Sul e Tailândia, de acordo com Negroponte, bem como o Estado de Massachusetts, que se comprometeu de equipar as escolas com o notebook no final de 2006.

Negroponte estima produção entre 5 milhões e 15 milhões para estes mercados no final de 2006. Em dezembro de 2007, segundo o executivo, a produção deve ficar entre 100 milhões e 150 milhões, três vezes mais do que a venda anual de laptops atualmente.

Durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíca, em janeiro deste ano, Negroponte lançou uma organização sem fins lucrativos chamada de One Laptop Per Child (Um Laptop por Criança), que está trabalhando com parceiros como a AMD, Google, News Corp. e Red Hat.

O modelo de notebook proposto leva processador de 500 MegaHertz (MHz), monitor de cristal líquido (LCD) de sete polegadas e resolução de 640 por 480 pixels, disco rígido de 5 Gigabytes, quatro portas USB e sistema operacional Linux.

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (0)
Categoria: Tecnologia

outubro 22, 2005

Exposição conta a história do 'walkman'

Quinta-feira, 20 outubro de 2005 - 08:00
Edson Soares, do IDG Now!

A idéia de levar “sua” música com você é mesmo tentadora e a indústria de eletrônicos já descobriu isso há muito tempo, ao contrário do que pensam os jovens contaminados pela febre do iPod, o branquinho e simpático tocador de MP3 da Apple.

Leia também:
A história da música portátil
O que o iPod tem?

Essa história começou em 1979 com o lançamento do primeiro Walkman, da Sony, e ganha agora novos ares com o advento dos formatos compactados de arquivos musicais, que permitem guardar milhares de músicas no próprio aparelho.

A modernidade e o glamour que o selo “walkman” já representou um dia, e que hoje são encarnados pelo iPod, é tema de exposição saudosista “Walkman - A Evolução da Música Digital”, patrocinada pela Sony, que acontece em São Paulo.

Apesar de ser coadjuvante no cenário atual, a Sony espera, com a exposição, relembrar seu pioneirismo e liderança nos primórdios dos tocadores pessoais. Na mostra, 25 modelos remontam a história da empresa no setor de música portátil.

(Veja uma prévia em álbum de fotos acima)

No espaço para cada produto são informados os acontecimentos marcantes do respectivo ano de lançamento, além da execução de alguma música brasileira de sucesso do período retratado.

A exposição fica aberta durante um mês, a partir de 20 de outubro, com visitações de terça a domingo, das 10h às 18h. A entrada é franca e o local é a Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37 – São Paulo SP).

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (2)
Categoria: Tecnologia

julho 26, 2005

SPAM Mata

O maior spammer da internet russa foi encontrado morto neste final de semana em seu apartamento, na cidade de Moscou, com graves ferimentos na cabeça.

Segundo a mídia russa, Vardan Kushnir era o dono da escola de inglês American Language Center (ALC) e há tempos vinha recebendo ataques virtuais por causa de sua campanha de propaganda virtual, considerada a maior de toda a história do país.

De modo a conquistar novos clientes para sua escola, Kushnir organizou uma campanha envolvendo 20 milhões de endereços de e-mail entre 2002 e 2003.

Os spams era tão irritantes que muitos dos internautas afetados tentavam revidar, seja por meio de processos judiciais, ataques de negação de serviço (DoS) ao domínio e aos telefones da ALC, ou mesmo a divulgação dos dados pessoais de Kushnir na web.

De acordo com autoridades russas, ainda não está comprovado de que a morte de Kushnir tenha a ver com a polêmica campanha de spam.

Veja a história dos spams da American Language Center na Wikipedia, aqui (em inglês).

Segunda-feira, 25 julho de 2005 - 17:22
IDG Now!

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (1666)
Categoria: Tecnologia

fevereiro 10, 2005

Tweel: Pneus sem ar

Nova tecnologia na construção de pneus não é idéia nova, mas o primeiro projeto bem sucedido e eficiente para o uso no dia-a-dia.

O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Michelin da América desenvolveu recentemente um novo tipo de pneu que não usa câmaras de ar, ao mesmo tempo que ultrapassa os níveis de performance dos pneus convencionais.

Equipando o iBOT – versão recente do Segway dedicados a deficientes físicos - a nova tecnologia garante maior independência e menor preocupação com partes defeituosas.

A simplicidade do mecanismo garante essa valiosa independência, que acaba se transformando em segurança. Um pneu que não estoura também não desestabiliza e, se sua constituição garante resistência e durabilidade, veículos grandes passam a correr menos risco de incorrer em acidentes devido ao estouro de pneus.

Pneus são utilizados não somente em veículos automotivos, mas em máquinas e toda uma gama de aplicações que vai se beneficiar das novas características do produto.

A imprensa vem sugerindo que a mais intrigante aplicação é o uso da tecnologia Tweel em veículos de passeio. De um ponto de vista mercadológico é bem possível, entretanto, no que se refere ao valor agregado a meios de transporte alternativo, como as bicicletas, a tecnologia me parece ainda mais instigante.

Os novos pneus usam raios de borracha no lugar do ar pressurizado, uma idéia antiga mas que jamais foi bem sucedida, graças a dificuldade em encontrar materiais com as características necessárias.

A tecnologia de pneus radiais – introduzida pela própria Michelin – continua evoluindo, e continuará por um bom tempo como carro chefe das empresas do setor, porém não se deve subestimar a força de uma tecnologia com tantas vantagens tecnológicas e de segurança.

Como tantos procedimentos hoje considerados arcaicos, na operação de automóveis, como girar manivelas e desentupir carburadores, a calibragem e a troca de pneus pode vir a ser uma mera lembrança na memória de quem viveu em nosso tempo.


Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (8214)
Categoria: Tecnologia

janeiro 04, 2005

Overdose tecnológica

No mundo hi-tech, em alta velocidade, cada vez mais as soluções se antecipam às necessidades. Será que isso faz sentido?

por Eugênio Mussak

Era a história de Cecilia, uma garçonete de Nova Jersey que se arrebentava de trabalhar, durante a depressão americana, para sustentar um marido vagabundo e violento, o Monk. A única diversão que ela tinha era ir ao cinema da cidade, onde costumava ver o mesmo filme várias vezes, pois queria demorar a chegar em casa todos os dias.

Um dia, assistindo pela quinta vez A Rosa Púrpura do Cairo (que também é o nome do filme que estou contando), acontece o improvável: Tom Baxter, o herói da história, olha para a platéia e pergunta objetivamente a Cecilia por que ela está ali de novo. A partir desse momento, a trama muda e passa a acontecer uma interação entre os personagens do filme e os da vida real (ou a vida real tal como aparece no filme, sob nosso ponto de vista). Bem, como se diz, a ficção mistura-se à realidade e cria-se uma imensa confusão. O filme é de Woody Allen e antecipa, em peló menos uma década, uma discussão que surge em outro filme, bem mais recente: Matrix.

Ambos os filmes tratam de um tema com o qual a humanidade sempre esteve envolvida: a percepção da realidade. Em A Rosa Púrpura..., o autor põe o dedo na ferida da confusão criada pela linha muito tênue que separa o que é ficção do que é realidade. A pergunta não é se, mas quanto da nossa mente se esconde na ficção para fugir da realidade quando ela é dura demais.

Quanto criamos de ficção em nossos sonhos, nas relações, nas religiões, nos ídolos da mídia? E quem teria coragem de condenar os que passam da linha que separa o real do imaginário, considerando que esse passo, às vezes, é necessário para a conservação da integridade mental? Mas o que fazem os terapeutas se não modificar a percepção da realidade, ensinando o paciente a lidar com ela? (Perguntas do século XXI, mas de todos os anteriores também.)

Em Matrix a história é a mesma, só que a mistura se faz entre o mundo real e o mundo virtual. Matrix é o nome de uma realidade virtual que controla a humanidade, para que ninguém se oponha ao poder das máquinas. Só há um pequeno grupo de pessoas em todo o mundo que consegue se conservar a salvo do poder da tecnologia dominante. E elas acreditam que um jovem hacker chamado Neo é uma espécie de herói que desconhece sua própria força, o único capaz de restabelecer o poder dos humanos na Terra, submetendo as máquinas à sua vontade e serviço novamente.

Há pessoas trocando caminhadas de verdade por caminhadas artificiais, na esteira. Faz sentido?

Os dois filmes tratam da mesma questão, que envolve, acima de tudo, o tal do inconsciente coletivo. A espécie humana, com as características atuais, não tem mais do que 35 000 anos de evolução. Vilas e cidades, por exemplo, começaram a surgir há apenas 12000 anos. De lá pra cá, uma coisa não mudou e outra mudou muito. O que não mudou foi a capacidade do homem de criar modelos comportamentais, habituar-se a eles, resistir à mudança, depois terminar por aceitar que tem mesmo que mudar de comportamento paacompanhar os outros da espécie, acomodando-se em um novo modelo durante .algum tempo. E o que mudou, e muito, foi a velocidade das transformações. O que levava milênios para se transformar agora muda em anos, ou ainda mais rápido.

Em geral, temos sido bombardeados pelo lançamento constante de novidades tecnológicas. A maioria delas, se pararmos para pensar, é inteiramente dispensável. Evidentemente, há pessoas muito bem pagas que, valendo-se daquela característica da nossa espécie - a de mudar o comportamento para acompanhar os outros -, cuidam para que incorporemos esta ou aquela "maravilha" em nosso arsenal de utilidades desnecessárias. Por meio de campanhas publicitárias e ações de merchandising, entre várias outras técnicas, acabam nos convencendo a comprar seja lá o que for, ou mesmo a adquirir hábitos com os quais nem sonharíamos.

Logo, haverá chips em praticamente tudo - do relógio ao sapato que usamos - permitindo que o fabricante (ou quem quer que seja) saiba onde, como e quando o consumidor dispensa o produto

Conheço um monte de gente que usa o elevador para subir apenas um andar e depois investe um bom tempo e algum dinheiro na máquina de step aquela que imita o saudável movimento de subir escadas. E tantas outras que usam o telefone para falar com alguém que está apenas a uma deliciosa caminhada de distância. O telefone celular, então, é um sinal de nosso tempo: quase todos nós cedemos àidéia de que precisamos estar acessíveis em qualquer lugar, a qualquer momento. Claro, podemos desligar esses dispositivos quando quisermos, num apertar de botão ou, mais simples, com um comando de voz. Mas, a exemplo da TV, que também possui um liga-desliga, o que temos é uma invasão de celulares, o nosso e o dos outros, tomando conta da realidade - no elevador, no restaurante, ná cinema, no teatro, no avião, na praia...

praia... Não quero parecer ranzinza. Os telefones celulares podem ser úteis, sem dúvida, mas essa e outras centenas de tecnologias modernas estão colaborando para elevar o nosso nível de distração. Distração em relação a quê? Em relação a nós mesmos e a nossas necessidades essenciais, sobre as quais não vou discorrer aqui - esta revista é um manancial delas, basta folheá-la.

A criatura devora o criador

Na década de 1940, o escritor francês René Barjavel escreveu um livro fantástico chamado A Volta à Natureza. Descrevia uma sociedade evoluída e dependente da energia elétrica. Em um dado momento, a grande fonte de energia entra em colapso e interrompe o funcionamento. O que se vêdaí em diante é uma animalização completa das pessoas, que precisam reaprender a viver sem a tecnologia mais importante até então. É uma obra espetacular, não sobre energia, mas sobre pessoas. Torna-se clara a dependência do homem em relação à máquina. Poucos sobrevivem e esses têm a responsabilidade de começar a reconstrução do mundo. Mas como, sem o apoio de ferramentas modernas?

Muito já se escreveu sobre a influência que recebemos do computador e sobre o grau de dependência que criamos de suas facilidades. Já se disse de tudo, desde que veio para resolver problemas que ele mesmo produziu, até que, como na mitologia, a criatura superou o criador e terminou por devorá-Io. O fato é que o computador está presente em nossas vidas, mesmo quando nem sequer possuímos um. Em breve, haverá chips em praticamente tudo - do relógio ao sapato que usamos - permitindo que o fabricante (ou quem quer que seja) saiba onde, como e quando o consumidor usa e dispensa o produto. Nossas geladeiras inteligentes avisarão ao supermercado sobre o que está faltando em casa, nossa cafeteira entrará em ação se estivermos virando a esquina depois de mais um dia de trabalho. Se tudo isso é bom ou ruim, não dá para dizer: dependerá do propósito de cada um.

O futurólogo americano John Naisbitt diz que chegamos a um tempo em que as soluções se antecipam às necessidades. Ele escreveu um livro sobre as relações do homem com a tecnologia chamado High Tech High Touch (lançado no Brasil com esse nome mesmo, pela Editora Cultrix) e que virou best-seller mundial. Naisbitt diz que a tecnologia é parte da própria evolução humana, e que negá-Ia seria negar a nossa capacidade de evoluir. Seria o mesmo que contrariar Darwin e a própria natureza.

Alerta, no entanto, que essa parte da nossa evolução não pode estar apartada das demais, que formam os quatro pilares da construção do pensamento humano: a filosofia, a ciência, a arte e a espiritualidade.

Mas, como é mais fácil encontrarmos soluções maniqueístas em relação ao decantado "poder das máquinas", costumamos resumir as alternativas a duas: a) O homem deveria rebelar-se contra as máquinas antes que seja tarde, diminuindo a influência dos computadores, retomando o controle sobre o próprio destino e voltar a ter uma vida mais natural, mais primitiva e mais feliz. b) Uma vez que o domínio dos computadores é inevitável, vamos relaxar e aceitar a situação, até aproveitando as benesses da modernidade, mesmo que isso signifique pagarmos o preço da massificação cultural e da despersonalização.

Vivemos entre fenômenos criados ou exageradamente propagados pelos meios de comunicação, como a violência, a superstarização e a necessidade de estarmos sempre conectados

O maniqueísmo não funciona. Até Dante Alighieri percebeu isso ao colocar, em sua Divina Comédia, uma alternativa entre o céu e o inferno. É claro que há a terceira via, a do convívio harmonioso, confortável, em que o homem continua sendo homem e a máquina continua sendo máquina. Isaac Asimov, quando criou as leis da robótica, estava, de fato, criando um código de ética para mediar a relação homem/máquina. Adaptadas àrealidade atual, ficariam assim:

1a lei - O computador deve preservar a integridade e a supremacia do homem.

2a lei - O computador deve servir ao homem desde que isso não afete a primeira Lei:

3a lei - O computador deve preservar-se e evoluir, desde que isso não afete as duas primeiras leis.

Ora, quando, há milênios, inventamos a vasilha, o homem continuou sendo homem, a vasilha continuou sendo vasilha, e o homem ganhou praticidade e conforto para tomar água sem ter que enfiar a cara no rio.

Devemos procurar um elixir, talvez na natureza, quem sabe no misticismo? Ou aumentar nossa resistência ao mal da intoxicação tecnológica?

Quando, há séculos, domesticamos o cavalo, cada um continuou sendo o que era, mas criamos uma dobradinha muito mais eficiente no transporte, no lazer e na guerra. Quando, há décadas inventamos o automóvel, continuamos sendo homens, só que, agora, além de duas pernas, tínhamos também quatro rodas.

Com o computador, a história é a mesma, só que toca em uma parte mais sensível do nosso ser: o cérebro. Por outro lado, devemos lembrar que o computador é uma conseqüência da era da informação e não o contrário. No mundo pós-guerra a informação passou a ser um bem muito precioso, por isso os sistemas e a-tecnologia da informação criados pelos Aliados e pelo Eixo durante o conflito. É gritante a diferença cultural e comportamental antes e depois da virada dos anos 50, pela influência desse acontecimento.

No Brasil, por exemplo, exatamente em 1950, são fundadas duas empresas símbolo da era da informação que começava: a Editora Abril e a TV Tupi. Se, até então, a informação era veiculada por jornais e pelo rádio, era pouca e não influenciava tanto assim aquelas gerações, após o surgimento das revistas, da televisão, e o aumento da impressão de livros, todos passamos a ser assediados e até assaltados pela informação. Quantas revistas existem hoje em uma banca de bom tamanho? Quantos títulos de livros nas livrarias? Quantos canais de TV aberta ou a cabo? Informação em quantidade maior do que o volume que podemos absorver, processar, acumular, comprar e até carregar.

Distraídos, distantes de nós mesmos, perdemos em grande medida a capacidade de discernimento: temos muita informação disponível, mas dificuldade para encontrar conhecimento. Tendemos a acreditar em fenômenos criados ou exageradamente propagados pela mídia e sua alta tecnologia - a violência, a superstarização de personagens, a necessidade de estarmos sempre conectados, velozes.

Temos o direito de construir o útil sem esquecer o verdadeiro e de construir o belo sem abandonar o bom

Agente crucial dessa nova realidade, podemos entender o computador como nada mais que uma maquininha que tem nos ajudado a enfrentar as características da era da informação. Até aí, tudo bem. Mas, como coloca John Naisbitt, estamos cultuando a tecnologia, em vez de discutirmos a respeito do seu propósito; estamos perdendo a noção entre os produtos verdadeiros e os falsificados; estamos mais vulneráveis à indústria das soluções fáceis, que promete e promete tornar nossas vidas mais simples e sossegadas.

Estamos, afinal, intoxicados pela tecnologia? Devemos procurar um elixir desintoxicante, talvez na natureza, quem sabe no misticismo? Ou devemos, como profilaxia, aumentar nossa resistência à intoxicação, criando anticorpos cognitivos que impeçam a doença, mas conservem o benefício? Não ter e precisar, é problema. Ter e não usar é burrice. Não ter para não usar, também. Qual a saída?

Lembro-me de um professor de farmacologia que disse, ao iniciar sua primeira aula: "A diferença entre o veneno e o remédio está na dose". Sábio conselho do velho mestre. A questão é essa: a dose. Qualquer coisa em excesso é nociva. Muito exercício, muito sexo, trabalho, lazer, muito tudo.

O livro de John Naisbitt, High Tech High Touch, nos explica como retirar da alta tecnologia todas as suas vantagens e negar convenientemente seus defeitos. Recomenda o uso da máquina sem abandonar, nunca, nossa condição humana, que privilegia as emoções, as relações, a sensibilidade, a capacidade de rir e chorar.

Naisbitt nos lembra que, primordialmente, precisamos construir nossa vida a partir do nosso pensamento e das nossas emoções, sempre de modo dosado e complementar. E acaba por produzir uma mensagem intrigante: temos o direito de produzir o útil sem esquecer o verdadeiro, e de construir o belo sem abandonar o bom. Então, continuaremos a ser o que sempre fomos, pessoas, com desejos, medos, forças, fraquezas, ansiedades e inseguranças. E que a máquina será apenas um amplificador de todas essas características, que são, afinal, as que nos fazem homens e mulheres.

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (1067)
Categoria: Tecnologia

dezembro 01, 2004

Celular reciclável

Pesquisadores desenvolvem celulares biodegradáveis que semeiam flores ao se decompor

O Warwik Manufacturing Group se uniu ao PVAXX Research & Development Ltd para desenvolver uma nova forma de lidar com a reciclagem de celulares descartados - basta enterrá-los e vê-los florescer.

Os telefones celulares, hoje, são itens em constante obsolescência e descartados, por vezes, em poucos meses. As evoluções constantes do patamar tecnológico e das prioridades e interesses dos fabricantes e logistas fazem o consumidor atualizar a todo momento para um aparelho com mais funcionalidades, deixando para trás uma enorme quantidade de lixo eletrônico.

Há contudo bastante pressão sobre os fabricantes para conseguir meios de reciclar tecnologia descartada, o que endossa a pesquisa desenvolvida na Universidade de Warwick.

A equipe, liderada pelo Dr. Kerry Kirwan, trabalhou com a PVAXX e a Motorola para criar a console do aparelho de forma que, quando descartada, se decomponha de forma a se desintegrar e semear uma flor.

Para alcançar o resultado, a equipe desenvolveu um polímero biodegradável que não comprometesse o acabamento nem a decomposição - quando exposto a situações específicas

Adicionalmente, para que o celular semeie após a decomposição da console, os engenheiros criaram uma janela transparente na qual é colocada uma semente. A germinação, logicamente, só ocorre após a reciclagem

Um especialista em horticultura da Universidade de Warwick foi escalado para identificar o tipo mais adequado de semente para os requisitos do projeto, chegando a semente de girassol anão.

A iniciativa é interessante, com certeza, uma vez que produtos com alta taxa de obsolescência são preocupantes a médio e longo prazo, graças a alta produção de lixo que acabam gerando. Materiais alternativos, como o polímero desenvolvido, pode ser uma ótima solução não só para celulares, mas para quaisquer outros produtos que se utilizem de plástico em suas consoles.

Resta saber se tecnologias alternativas e economicamente viáveis como esta vão aparecer para os circuitos, placas e baterias usadas em aparelhos eletrônicos como celulares, PDAs e relógios...

...sementes à parte.


Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (2988)
Categoria: Tecnologia

outubro 14, 2004

Central de Entretenimento

A MSI está lançando no país o Mega PC 651, micro que também funciona como central de entretenimento. O PC parece mais com um mini-system do que com um computador convencional.


Para usar as funções multimídia, o usuário nem precisa ligar o PC. Mesmo desligado, ele funciona como rádio e CD player, que também pode ler discos gravados com músicas no formato MP3.


Pelo painel, o usuário sabe se o micro está reproduzindo MP3, CDs ou rádio. A interface oferece ainda equalizações pré-definidas (jazz, pop, rock, etc) e entradas para conectar câmeras digitais e dispositivos multimídia.



Por dentro, o computador tem leitor de DVD e sintonizador de TV, além de som surround 5.1. Para que tudo isso funcione, o equipamento tem processador Pentium 4 de 2,8 GHz, 256 MB de RAM e disco rígido de 80 GB.


A conexão com outro aparelhos pode ser feita por meio das interfaces USB 2.0 ou FireWire (IEEE 1394), entrada para microfone, fones de ouvido e entrada SPDIF. O Mega PC 651 já pode ser comprado na PlugUse (www.pluguse.com.br), por R$ 3.499. Uma versão mais potente e com gravador de DVD está sendo vendida por R$ 4.199.



da Folha Online

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (180)
Categoria: Tecnologia

setembro 23, 2004

Celulares para que vos quero?

A Nokia está lançando uma nova coleção de celulares denominada Fashion Collection que prometem ser objetos do desejo de muito jovem e muito marmanjo.

Pessoalmente sou cético quanto aos modelos de celular multi-funções e sempre questionei a inclusão de câmeras digitais em aparelhos telefônicos.

Sei-sei... muita gente discorda de mim mas, só para entenderem em que medida eu não acho uma boa idéia, para mim não seria muito diferente adaptar no celular um cortador de unhas, um cotonete reutilizável ou um aparador de pêlos no nariz. A meu ver, ter que levar uma câmera ruim para casa ao comprar um celular bom é como pedir Graraná Diet e ganhar de graça uma rodela de laranja!

Há alguns telefones bastante interessantes no mercado hoje (por outros motivos) e, sinceramente, todas as câmeras embutidas, para mim, são uma josta. Basicamente, adaptar uma câmera ruim em um aparelho celular é, no meu entender, como adaptar um compasso de plástico em uma régua "T".

Podem dizer o quanto quiserem que o fotógrafo médio não é fotógrafo e o escambau, mas ainda assim não vejo nada ali senão mais um penduricalho de má qualidade e que empresta mais peso, mais consumo elétrico, mais defeitos em potencial e mais motivos para achar que esses aparelhos são projetados em nome de algo que nada tem a ver com os requisitos do usuário (a não ser que se queira criar uma cultura de fotos toscas, tipo uma Lomografia da vida).

O bluetooth que é uma tecnologia super interessante e que não está sendo bem explicada e bem vendida pela media que deveria ser a grande vedete. É fato que há pouco uso para quem não tem um laptop nem tenciona comprar fones handsfree sem fio que custam uma barbaridade, mas o investimento nisso, creio, pode valer a pena para quem tem um computador portátil.

A comunicação sem fio via bluetooth me ajuda muito no trabalho e em casa, e nenhum cabo é necessário para eu acessar a Internet, enquanto meu celular está no bolso e eu viajo dentro de um taxi.


O HS-13W, da Nokia, é um novo modelo de fone de ouvido. É bastante reduzido em tamanho (6,2 x 4,5 x 1,5 cm) e leve (57 g), e poderia ser pendurado numa corrente como um pingente ou ser levado ao embro. Ele é uma extensão do celular que, como mencionado, se utiliza de bluetooth para permitir ao usuário falar ao telefone e ter as mãos livres. A tela é colorida exibe imagens, sua agenda e mensagens curtas recebidas no celular. O usuário pode atender às chamadas pressionando um botão enquanto usa o fone.

Você pode se perguntar... "Mas ainda tenho que carregar o aparelho?", ao que eu responderia sim e que vale muito a pena. Não há nada como esquecer o telefone no bolso do terno e usar apenas um fone de ouvido ou sequer precisar sacar o telefone para, em qualquer lugar, acessar a internet pelo computador portátil.

É claro que há boas soluções no projeto de engenharia de muitos dos celulares que vem sendo produzido. O que me incomoda é em nome do que são escolhidos os tais penduricalhos e em quanto realmente eles atendem aos incautos que os adquirem por conta das alardeadas características presentes nas brochuras promocionais.

Outro dia comentei com meus amigos Eduardo Gouveia e Mairus Maichrovicz acerca do fato de eu, um ávido leitor de ficção científica, estar tão incomodado com a produção tecnológica do início do Século XXI.

Acontece que, na literatura, a tecnologia vinha em resposta as reais necessidades humanas, para atender aos seus anseios e em nome de um progresso intrínseco em todos os níveis. Quando assim não era, a obra de ficção normalmente estava alertando para os perigos de não orientar o desenvolvimento tecnologico com estes propósitos, mas com propósitos puramente comerciais, fruto da produtização e do consumismo desenfreado.

Há grandes produtos sendo lançados hoje, que se preocupam com a ergonomia, com a usabilidade e com a necessidades humanas. Alguns deles são até estranhos e tal, mas cumprem funções que acrescentam - mesmo que se questione mesmo o celular enquanto conceito (o que o Eduardo Gouveia muito bem acrescenta a este tipo de discussão).

A preocupação que tenho hoje, com estas questões, pode ser bastante equivocada, lógico, mas me parece possível que seja reflexo de uma convulsão tecnológica puramente movida pela necessidade de lucro. Sequer interessaria a empresa que fabrica os celulares, que seu produto seja celulares, nesta visão de mundo. Não haveria, nesta visão de mundo, outro objetivo que não o lucro e o crescimento empresarial. Será que não é isso que está de fato acontecendo?

Para rir um pouco:
Pokia . Retro Phone

Você quer saber mais?
dotCraft . Teclados de Celulares . Limites

Bruno Accioly

Bruno Accioly

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Categoria: Tecnologia