abril 18, 2005

"Tolerância Zero"

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Sonho, desde muito sempre,
com alguma espécie de eternização.
Alguma forma de existência póstuma
mas que seja de uma honradez única.

Pois bem sei que o pó ao qual voltarei
quando deixar por fim de existir, de ser;
continuará, por sua vez, sendo; ainda que pó.
E cada minha parte estará assim eternizada.

Tão separada, disjunta, incôngrua
cada eu-partícula alcançará assim
uma infinitude espacial harmônica.
Mas é a honradez que me escraviza.

E é por conta desta feitora que vivo
buscando, errando, estabelecendo
arrumando, votando, esperando
por uma ordem, só uma ordem.

E assim que a encontro, perco-a,
como um ato reflexo. E desespero.
E quase desanimo. Mas alguém sorri.
Uma folha cai da árvore descrevendo
perfeita espiral projetada intencional.
E corro para alcançá-la ainda no ar.
E já me esqueci da perda.

Eduardo Gouveia
03 de Abril de 2002

Bruno Accioly


Categoria: Poesia

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