"Urbe"
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Isto foi escrito no intervalo de uma reunião de trabalho na belíssima - a seu modo - mas por vezes opressiva cidade de São Paulo.
Muito do que escrevo, em termos de poesia, pode ser encarado como uma forma pessimismo. Discordo profundamente desta noção, embora compreenda plenamente o porquê de já ter ouvido isso tantas vezes.
Seja como for, posso garantir que nas entrelinhas do texto há muito mais que o que é meramente óbvio.
Urbe

Aqui o mundo é cinza e desanima
num caldo de luz fria que me esquenta.
Ternos de um preto escuro sem luz alguma,
falas que tanto dizem mas nada rima.
Assim qual a bela estrofe que só se pensa
o que não se diz só há nessa minha cisma.
E o cinza dessa cidade em disfasia
desfaz o que resta desta poesia tensa.
Viola meus pensamentos a angustia estranha
do cinza maldito e farto que contamina.
Só sobra da vida bela de outros dias,
sosobra a vida em torno da vida ganha.
Um logro de ganho inócuo da plata verde
se pensa ter na carteira pela labuta;
engodo que todos vivem e não reclamam,
mentira desta cidade que as cores perde.
Mas sobram as cores que da cidade distam
no fundo de minha mente que é fugidia,
forçando-me a poesia por dedos mortos
do cinza que me sufoca no dia-a-dia.
12:46
Bruno Accioly