"Amargo Nitrir"
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A inspiração dista quase sempre do que imagina o leitor. Por vezes memórias, por vezes o que se vê e se escreve... no fim, o que importa para o leitor é sua leitura do que ali está.
Lúbrica, a poesia ganha na força das imagens que desvela para o leitor enquanto o embala no ondular das rimas.
Singela mas bem humorada, aprecio a poesia que escrevo em minutos... parece mais real
Amargo Nitrir
Estava no campo a fitar a égua nua,
do pálido dorso até a crina escura...
e vê-la à luz de tão grand´e alva lua
doía-me o corpo em desejo impuro.
Ouvir seu respiro, assim forte e raro,
debaixo da lua que a beleza acura,
só faz-me sofrer, pois me falta o amparo,
do corpo da aneia que causa-me apuro.
Perdão não teria não fosse o porte
altivo e ausente da vil criatura,
“já que sou um potro me alteras o norte...
...já que tu existes eu não tenho cura.”
Bruno Accioly