fevereiro 10, 2005

"A Sombra e o Aeroplano"

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A delícia do amor platônico que só o amante perseverante compreende, a despeito de toda a descrença dos que dele riem ou têm pena.

A idéia, na verdade, veio do filme "O Horizonte Perdido", onde um breve comentário é proferido por um dos personagens, logo no início do filme.

Robert Conway, o personagem vivido por Ronal Colman, em certo ponto, descreve como a sombra do avião em que estão sobe montanhas e se afasta para vales abaixo, sempre, no entanto, voltando a tocar os trens de pouso quando este aterrissa.

Tema constante e rico, me delicio ao explorar cada ângulo dessa dor que, com o tempo, vira experiência.

Conjugando o tema ao absurdo comovente da forma que as crianças vêem as coisas e as relações entre elas, resolvi pegar o bloquinho e rabiscar essa poesia singela.

A Sombra e o Aeroplano

Das asas tuas faço céu de estrelas
que tu bloqueias tão indiferente;
me aconchego às formas de teu corpo,
me delineia a Lua displicente.

Se o dia sobe, o Sol me acha ausente,
as nuvens passam, me faço de morto;
tu nem me viste e eu aqui tão perto,
aqui prostrado à pista do aeroporto.

Ninguém te olha e contigo flerto,
Nariz em riste faz que me ignoras.
Faz tanto tempo que estás na pista,
e te admiro por tantas auroras.

E quando vêm e tiram as escoras
e teus motores a ligar arriscam,
te sigo ainda, já em desespero
e em tuas asas belos lumes piscam.

Estás contente, noto enquanto dista,
sem mesmo ver o que está defronte.
Tomo coragem, corro em teu encalço,
não me importando o que há no horizonte.

Por terra eu sigo e escalo monte,
enquanto partes em teu sonho alado.
Por matas, rios, mares, me aventuro,
Só por estar de ti enamorado.

Por sóis e luas, e já fatigado,
sem desistir eu vou em meu enduro.
Posso estar louco, mesmo equivocado,
mas não me rendo a esse meu apuro.

As léguas passam e no céu escuro
quase me perco desse meu estado.
Me pego em prantos e me perguntando
Se seu amor foi mal interpretado.

O Sol nascente mais que consternado,
atrás de nós me diz que vens seguindo.
Eu sinto muito por ter duvidado,
nós nos amamos e isso tudo é lindo!

Mesmo que finjas – com o Sol a pino –
o teu sorriso verte em tua ronda.
Desces em mim como se eu fosse a pista...
...tu és mia vida e eu a tua sombra.

08 de Fevereiro de 2005 - 23:44

Bruno Accioly


Categoria: Poesia

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Publicado por: penis enlargement em outubro 31, 2005 11:53 AM



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Publicado por: lolo em novembro 16, 2005 11:13 AM




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