março 01, 2005

"Incandescente"

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Sentimentos dormentes e a iminente ressurgência vêm à tona nessa alegoria inquieta e lúbrica.

Para mim há uma beleza toda peculiar no rubro das brasas numa lareira, que se permitem queimar na pouco auspiciosa ausência de combustível ou chama.

Há tanto sentimento e poesia na espera perseverante e paciente do que antes queimara com tanto vigor, que não pude deixar de ver na natureza morta o fulgor da aspiração viva.


Incandescente

Tão bom o crepitar das brasas que não cedem;
o vil devir da chama que de vir se furta.
O frio que não ama a lareira em brasa;
mas traz em sua brisa uma anuência curta.

Ao pé da extinta chama que acalenta o corpo;
resguardo-me do frio em tudo que acoberta.
A mente se lumia, os olhos no teu corpo;
aos pés da poesia, que contigo flerta.

Da laje empedernida da lareira antiga,
na qual repousa a brasa que a manter-se teima,
a vida eu vou levando mesmo que com frio,
à luz da quase-pedra que ‘inda me queima.

28 de Fevereiro de 2005

Bruno Accioly


Categoria: Poesia

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