agosto 18, 2005

"Teu Presente"

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A nossa relação com as coisas do mundo desde a infância, passando pela adolescência e em marcha até a vida adulta, vai de singela e indiferente até profunda e cheia de significado. Passamos a associá-las a momentos e pessoas importantes, colecionando a oferta de vales, montanhas e tudo mais que existe, às pessoas mais importantes de nossas vidas.

Com a perda que se segue a cada um destes momentos perdemos um pedaço do mundo que compreendemos...

Cada uma das gentes que nos leva um tanto do que vimos e com o que nos acostumamos é mais uma estrela no céu ou mesmo um astro mais proeminente.

Essa peça foi escrita em um desses momentos de perda - quase sempre também um momento de reflexão e de viagem em direção a novos horizontes.


Teu Presente


Desde novo vejo a Lua ao firmamento,
eu sabia que ela a noite anunciava.
De beleza preenchia o meu momento.
Inocente eu quase sempre a procurava.

Em criança divisava sua alvura,
via nela a conquista que eu queria.
Astronauta era eu àquela altura.
Renitente sonhador eu me fazia.

Adolesce, o garoto abaixo dela,
ocupado já nem dava mais por nada.
Esquecera o sonho bobo à janela,
como se nem mais a visse da calçada.

Quando jovem linda era novamente,
já sem o primeiro amor que descobrira.
Procurava indagar-lhe renitente
se de azar o abandono lhe espargira.

Na idade que me encontro, no entanto,
deparei com o amor que me faltava,
minha vida fez-se luz em antecanto,
sem saber a Lua só me inebriava.

Tuas costas, ventre e fronte à minha frente;
teu olhar, as mãos e gestos elegantes...
Viajava em teu cabelo auriluzente,
mesmo nós aqui da Lua tão distantes!

Hoje estou a ver o disco por acaso,
à janela duma casa de amigos...
Eu me ponho a enriquecer o meu parnaso
percorrendo aqueles teus versos antigos.

Me recordo, certa vez tu não vieste,
nesta ilha em que viria a meu encontro,
era cheia, a Lua em seu sobreceleste,
não te vejo, mas eu não me desaponto.

À varanda me encontrava à tua espera –
onde tanto da paixão se desmedia –
o astronauta a esperava com cautela,
duvidando já te ver naquele dia.

Desencontros nós tivemos muitas vezes.
Foi tão bom que a solidão se esquecia.
Nosso amor é um amor em mil reveses,
mas a nossa branca luz nos contagia.

Me chamaste, infeliz, me avisando,
da tua ausência que já era esperada,
tu podias tê-lo feito por mil vezes,
o amor a minha dor abreviava.

Separados hoje estamos – que aloite! –
minha amiga se fizeste de repente,
não se esqueça que, contudo, àquela noite,
era a Lua em sua alvura o teu presente.

18 de Agosto de 2005 – 04:20

Bruno Accioly


Categoria: Poesia

Que lindo, Bruno. Gostei!

Publicado por: Mamãe em setembro 19, 2005 04:04 AM



Vc se mostra ainda mais lindo qndo faz dos momentos que vive... poesia!
Perdas são sempre perdas! Não dá p/ perder e ganhar ao mesmo tempo. Os ganhos serão sempre futuros, e que bom que o tempo passa...
Um forte abraço!

Luana.

Publicado por: Luana em setembro 22, 2005 08:43 PM



All is great guys, but I belive vortelucius is much better.

Publicado por: Kamurangous em novembro 22, 2005 09:49 PM




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