julho 05, 2006

"Indiferença Permanente"

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Há momentos em que a dor dos outros se transforma na nossa dor... daí atacamos Deus e o mundo como podemos.

Leia por sua conta e risco...

Seria a vida mais fácil, não fosse preciso entender,
não fosse preciso explicar a morte d’um compositor
que a sós vivia a compôr, baquetas a lhe escutar,
família tão longe e ele, tentando escapar dessa dor?

Pra que precisava Você, ó Deus, d’um sujeito tão só,
que olhava pra Terra’Brasilis pensando em sua família?
Irmã distante... tenha dó!
E uma sobrinha que mais era que sua filha!

Ainda que existisses seria difícil em ti ‘creditar,
vendo a maldade se apossar da realidade impune
que ceifa da vida um menino roqueiro a cantarolar...
...quando de ti deixou de ser imune...

Amaldiçôo a ti, ó Deus, se existires, seja lá o teu poder.
Posto que fazes duas meninas chorarem desta vez,
e motivação bíblica nenhuma justifica a dor
daquelas que a importância escarneces outra vez.

São moças, Altíssimo, se não sabes o que fez!
Tentávamos tanto resolver e tempo não nos deste.
Tínhamos chance, até, se não tivesse sido descortez...
...ceifado a vida d’um sujeito inconteste!

A minha menina dele precisava à ser feliz,
e não deixaste que o fosse novamente.
Pudera eu ralhar-lhe, o punho ao nariz,
mas o que nos resta infelizmente....
é pouco menos que nada a não ser
dizer: “Não... Nós não somos crentes!”,
é esfregar-lhe à fronte o corpo inerte!
E assim renegar o Sol Poente!

Dorme bem, síndico indecente!
Divindade da dor inconseqüente!
O faz na violência condizente!
Nos condena com arbítrio reticente!

Morre, Deus indiferente!

05 de Julho de 2006 – 03:05

Bruno Accioly


Categoria: Poesia

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