O caso do meio-fio assassino
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Havia muito que nosso herói abandonara a vida de paladino da justiça, optando por uma vida pacata e aconchegantemente rotineira.
O destino contudo, na madrugada de 7 de Setembro, provou uma vez mais que... a realidade pode ir muito além da imaginação!
Sozinho em casa havia três dias e entediado até não poder mais, nosso herói resolveu sair com uma amiga para ver gente, ouvir música e fingir não ser um dos titãs que andam sobre a Terra qual cidadão comum.
A noite transcorria como se supunha transcorrer, levando-se em conta que havia mais de um ano que deixara de lado a noite carioca. Pouquíssimos conhecidos, muita gente nova e nenhum ânimo para levantar e dançar como o pessoal que enfeitava a pista.
Sua amiga, que acabara chegando tarde junto com duas outras pessoas, dera-lhe um bom chá de cadeira, mas era sempre bom ver os amigos queridos.
O adiantado da hora porém o fez desistir de permanecer ainda mais e acabou decidindo deixar a festa.
Quando percebeu a movimentação estranha, seus reflexos foram mais rápidos que sua prudência. Imediatamente, usando de toda sua perícia e celeridade para interpôr-se entre a agressão de uma moça e a estupefação de outra, o Homem Bigorna passou a bravamente absorver os poderosos socos da atacante, enquanto dirigia a vítima para fora da boate.
Evitando a participação do pouco preparado segurança - muito feliz em perceber que o caso estava sendo conduzido por alguém plenamente competente - o Homem Bigorna, debaixo de uma chuva de sopapos, ainda foi capaz de pedir: "Afastem-se! Afastem-se!".
A moça, chorando, já do lado de fora da casa, estava obviamente alcoolizada e dava importância exagerada ao fato de ter perdido seus óculos.
Cheio de compaixão pela situação da moça, que não parava de lembrar o preço das lentes e da armação, olhou para as duas amigas da menina e em seguida para ela: "Não se preocupe. Encontrarei seus óculos nem que tenha de revirar todo o salão!".
Usando seus poderes provenientes da mordida de uma bigorna radioativa (cujos motivos da existência são inverossímeis demais para explicar), o Homem Bigorna em poucos segundos conseguiu encontrar os óculos da menina, em seguida levando-os, triunfante, até a calçada onde ela e suas amigas estariam.
Algo acontecera - notou ele, fazendo uso de seu sentido-de-bigorna™ - e logo ouviu de um passante: "Homem Bigorna! Eu reconheceria essa careca em qualquer lugar!", e completou, "Mas não se preocupe. Jamais revelaria a ninguém sua identidade secreta."
O cidadão então apontou a direção na qual seguiu a dona do óculos com suas desesperadas amigas em seu encalço. Elas corriam atrás da amiga, que gritava a plenos pulmões que iria se jogar no mar. O Homem Bigorna tinha de fazer alguma coisa!
Mais uma vez lançando mão de seu preparo excepcional e de sua força superior, o Homem Bigorna, tentando chamar a atenção da menina que corria dele e das amigas, gritava pelas ruas, com sua voz poderosa, enquanto seguia em direção ao calçadão de Copacabana: “Seus óculos! Seus óculos!”
Preocupado com a donzela, que cada vez mais se aproximava da água, o Homem Bigorna não teve alternativa senão invocar o poder que há tanto lhe fora concedido. Avançou então pela Avenida, passando pela primeira pista e calculando com precisão a próxima travessia, que coincidiria com a passagem de um veículo em alta velocidade.
Já era tarde demais quando percebeu que o motorista resolvera que aquilo não ficaria assim. Talvez por se tratar de seus inúmeros inimigos, talvez por se tratar de um babaqüara, o motorista resolveu jogar o carro sobre nosso herói.
Só havia uma coisa a fazer... jogar-se de qualquer jeito em direção ao outro lado da rua com toda sua velocidade e força, tentando amortecer sua queda através das técnicas emprestadas a ele pelo incidente radioativo que marcou-lhe a juventude.
Algo aconteceu contudo, quando seu ombro encontrou violentamente a dureza do meio-fio da ciclovia - que algum imbecil havia resolvido construir ali. Levantou-se, impávido e colosso, indo entregar os óculos da vítima que, profundamente grata, passou do pranto de tristeza ao pranto de felicidade.
No fim do dia – ou no início, neste caso – o Homem Bigorna acaba sempre sendo o último recurso dos fracos e oprimidos, dos histéricos e insensatos, dos bêbados e das criancinhas.
Depois deste dia difícil, tudo que tinha de fazer era entrar em contato com seu fiel companheiro, Menino Alvo, que viria resgatá-lo na Policlínica de Botafogo com o possante Alvo-Móvel™.
Nos quatro dias que se seguiram após sua incursão na noite, poderia-se esperar que o Homem Bigorna desistisse da vida de defensor dos oprimidos, mas não se deve subestimar a teimosia heróica, a enleada bravura e a impetuosidade desvairada do campeão irresoluto...

Todas as histórias do Homem Bigorna são verídicas. Não tentem, contudo, repetir suas proezas. É necessário muito treino e demência.
Bruno Accioly
Não perca no próximo episódio!
Homem-Bigorna impede sozinho (e com um braço só) o golpe militar!
Publicado por: Cristiano Dias em setembro 10, 2004 10:00 AMAh, sim! Sabemos isso de fonte segura!
Chegando em seu esconderijo secreto para se recuperar, Homem Bigorna e Menino Alvo presenciam uma considerável movimentação de um comboio militar a paisana.
Achando tudo aquilo muito estranho, embora sob os protestos do seu fiel companheiro o Menino Alvo, nosso herói arquitetou uma engenhosa estratégia na qual usariam o Alvo-Móvel para alcançar o último ônibus e...
Felizmente, Menino Alvo não permitiu que o Homem Bigorna se metesse em mais esta aventura, alegando que o companheiro precisava descansar.
Muito bom que tudo tenha terminado assim... afinal, ao longo do dia, descobriram que não se tratava de um golpe militar, mas dos soldados da parada de 7 de Setembro.
Publicado por: Bruno Accioly em setembro 10, 2004 02:10 PMO mais engraçado é que o Lancelot arranjou um corte na pata traseira depois de uma briga com um gato do lado de fora da casa..
A veterinária veio aqui e bem colocou um curativo com gaze e esparadrapos.
Tal pai tal filho... o codinome dele vai acabar sendo Gato Guerreiro ou Gato de Botas.
Publicado por: Bruno Accioly em setembro 10, 2004 08:44 PMO que me faz lembrar de um cross over entre Homem Bigorna e seu amigo Nuvem Negra.
Os dois faziam uma ronda pelas ruas da Freguesia quando avistaram uma bela donzela sendo seguida por um rufião.
Os heróicos heróis resolveram que deveriam proteger a moça. Bigorna atacou o estranho oponente quando ele tocou na jovem vítima apenas para descobrir que ela era NAMORADA do pobre homem.
Bigorna e o ex-rufião, agora namorado irritado, entraram em uma discussão inflamada e teriam chegado às vias de fato não fosse a interferência do sempre sensato e calmo Nuvem Negra, que tinha parado na esquina pra comer um cachorro quente.
No entanto, depois de separar Bigorna e o irritadinho, Nuvem foi insultado pelo inflamado namorado da suposta vítima. Naquele momento, nomes grosseiros foram ditos e o semblante bondoso e equilibrado (com uma mancha de mostarda, é verdade) de Nuvem foi ficando vermelho até que ele perdeu a cabeça e, num ato lamentável, partiu para cima do agente provocador.
Mas o Homem Bigorna era danado. Num ato heróico, evitou que seu amigo maculasse sua biografia e o tirou dali, enquanto pedia ao casal que se afastasse o mais rápido possível.
Mais uma operação fracassada de... Nuvem Negra e Homem Bigorna.... Direto do Túnel do Tempo.
Publicado por: Lex em setembro 10, 2004 10:51 PMAh! Homem-Bigorna! Realmente seus dotes radiotivos continuam levando-o para "lado negro da força". Digo e repito, a força alienígena que provocou o acidente em sua juventude, veio aqui com um só intúito, o de manter viva a capacidade de se desenvolver um bom texto. Você não é um super-herói, mas, continua sendo um excelente escritor, ao menos até ser totalmente dominado pelo lado negro, aí então...
Publicado por: José Vasconcellos em setembro 13, 2004 04:32 PMHahahahaha!...
Fico imaginando o poderoso "Homem-Bigorna" correndo atrás de um grupo de "moçoilas" e gritando: "Seus óculos! Seus óculos!", enquanto agita no ar o objeto em frangalhos!...
A volta ao mundo de paladino da justiça do Homem-Bigorna, me faz recordar, quando o mesmo, ainda Garoto-Bigorna, e seu antigo companheiro, o ShaolinBoy se aventuravam na Jardineira-do-Terror, desafiando a incansável gangue dos Pivetes-da-Feira-Livre.
Toda Sexta-Feira, ambos os heróis se preparavam com afinco para o embate e, confesso, quando o mesmo não ocorria, havia até um ar de desapontamento.
A maior de todas as aventuras, foi quando o Garoto-Bigorna, já prevendo o embate, colocou sua poderosa Espada Dobrável em seu bolso e partiu com o ShaolinBoy para a Jardineira-do-Terror. Como o de costume, a Gangue entrou no expresso, portando poderosos bastões criados a partir de cabos de vassouras quebrados e aguardaram o momento oportuno para iniciar a luta, desafiando durante o trajeto nossos heróis, que aguardavam pacientemente o momento do confronto.
Chegando na Estrada Rio Jequiá, o Garoto-Bigorna prevendo a movimentação hostil dos vilões se levanta e tenta sacar sua Espada, presa em seu uniforme de combate.
Ao perceber tal gesto a gangue ferozmente ataca o mesmo, fazendo-no cair sobre o ShaolinBoy que através de seu companheiro solidariamente recebe as pancadas deferidas pelos vilões.
Utilizando-se de sua força sobrenatural, ShaolinBoy ajuda o Garoto-Bigorna a levantar-se e percebe a entrada de 2 guardiões da lei, trajando o costumeiro uniforme Azul-Tô-Sujo e seus poderosos 38 enferrujados.
A esta altura, o Garoto-Bigorna já era confundido com o famoso Hulk, com seu uniforme todo rasgado e pendurado pela gola a seu pescoço. Com seu incrível poder de persuasão
convence os guardiões da lei que todos estavam bem e para a segurança dos mesmos e para ocultar de curiosos sua famosa Espada Dobrável , todos desceram no 17o QG dos guardiões e pegaram veículos distintos para evitar o envolvimento de inocentes.
Em Breve, mais aventuras do Garoto-Bigorna e ShaolinBoy na sessão Flashback...
Publicado por: Angelo Braga em outubro 14, 2004 04:52 PMGaroto-Bigorna e ShaolinBoy em: A Psicose...
Como de costume em seus momentos de lazer, o Garoto-Bigorna e ShaolinBoy frequentavam a extinta Psicose (danceteria na Tijuca).
Em um desses dias, nossos heróis, em busca de aventuras e, é claro, uma Gata-Bigorna e uma ShaolinGirl, vão a Psicose e, utilizando seu famoso Girl-Radar, ShaolinBoy rápidamente encontra uma pretendente. Intimidado pela beleza da mesma, ShaolinBoy lança o desafio a Garoto-Bigorna, que parece a princípio não dar muita importância.
Decepcionado com sua falta de coragem, ShaolinBoy parte para o bar, onde encontra subtâncias que ativam sua coragem (Uns 5 Choppes) e, ativa novamente seu Girl-Radar tentando localizar seu objetivo.
Em meio a busca, ShaolinBoy percebe que na pista de dança se encontravam a já Ex-ShaolinGirl e o Garoto-Bigorna, que dançavam já cercados por uma platéia de espectadores que admiravam os passos de dança (e Kung-fu) do Garoto-Bigorna, que, empolgado acerta um chute em um segurança.
Fora de controle, o Garoto-Bigorna é agarrado por trás (no bom sentido) por outro segurança e com sua agilidade fenomenal se solta, se deparando com mais um, do porte da Coisa. Novamente o Garoto-Bigorna se utiliza de sua incrível agilidade e se prende novamente nos braços de seu agressor e gentilmente se retira do ambiente com medo de ferir inocentes...
ShaolinBoy, que após os estimulantes já tinha perdido todos seus poderes e sentidos, tenta achar seu companheiro de aventuras e, é informado que o mesmo "decidiu" sair da casa para não ferir inocentes.
Reencontrado seu companheiro, retornaram e felizmente, ninguém gravemente ferido (fora a ressaca é claro)
Eu talvez entenda tais poderes por ter sido em minha infancia avancada agarrado pelo pescoco pelo "Homem-Bigorna" inumeras vezes, quais acredito que foram vitais para meu desenvolvimento como ser vivo, dado o fato que poderia nao estar aqui para escrever esse testemunho. :)
valeu gigante!
Adoro as aventuras do Homem-Bigorna. Queria muito que você escrevesse mais sobre ele. Por outro lado, como mãe, as coisas que você apronta me arrepiam.
Publicado por: Da.Lourdinha em setembro 19, 2005 03:56 AM