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abril 21, 2005

A invenção do Amor

«"Nada é para Sempre" | Principal | Extra: Quadrinhos quadro a quadro»



Quem consegue não acreditar em propaganda, em herança cultural e influências inadvertidas talvez seja mais feliz; talvez, quem não acredite em nada disso precise gastar menos tempo curtindo a própria inépcia em perceber-se vulnerável ao seu entorno e ao contexto do qual, suponho, não conseguimos fugir.

A forma que amamos e que não amamos, a forma que damos ao nosso ódio e à nossa raiva, a estética do pranto e do sorriso, a coragem e têmpera, tudo isso é expressão humana. Fazemos hoje tudo o que fazemos da forma que fazemos e, de repente, não percebemos que as coisas não eram feitas da mesma forma no passado, por aqueles que vieram antes de nós.

Casamento aos quatorze anos, prática comum, agora é pedofilia; o desejo de ter privacidade e direito a não ser filmado ou gravado, outrora implícito, agora é sinal de omissão de culpa; o fim justificar os meios, noutros tempos monstruosidade, agora é pragmatismo.

A lista não terminaria e alguns autores fizeram o possível para mapear as motivações, nuances e pormenores do comportamento humano.

Por mais que muitos de nós não pesquemos a retratação da miséria humana na obra de um certo William Shakespeare, quase que a totalidade vê, na obra deste bretão nascido em 1564, a expressão máxima do amor romântico e voraz.

As peças de Shakespeare, e os filmes que apareceram desde o surgimento do cinema, são um legado contra-intuitivamente maior que a visão superficial pode nos permitir perceber. Com sua obra, este poeta, escritor e ator do século XVI foi capaz de criar neologismos, fornecer-nos citações usadas até hoje, ofertar-nos uma forma de ver o mundo, de sentir os sentimentos e, sobretudo, de amar.

Não são só as palavras que sobreviveram a morte de Shakespeare ou ao desinteresse crônico das massas por suas peças e filmes “chatos”, mas toda uma forma de ver o mundo, descrever o mundo e concebê-lo. Ainda que aparentemente pouco popular, há poucas pessoas, por menos eruditas que sejam, que jamais tenham ouvido falar de Romeu e Julieta.

As mais conhecidas peças de Shakespeare têm traduções em todos os idiomas ocidentais – e mesmo no Japão. Ingmar Bergman, Akira Kurosawa foram alguns dos que levaram às telas suas peças. Há poucos escritores modernos que se podem dizer não ter influenciados por Shakespeare, já que leram-no ou nele se inspiraram. Obras musicais foram profundamente influenciadas por peças de Shakespeare inclusive promovendo o rompimento com o neoclassicismo.

Considerado um dos maiores dramaturgos da história, Shakespeare pode ser “lido” como sendo profundo e cheio de significado em seus pentâmetros iambicosPentâmetro Iambico: Basicamente trata-se de um esquema rítmico. Cada linha consiste em cinco pés métricos, cada um dos quais contêm duas sílabas, uma breve (átona) e uma longa (acentuada). Simplificando, um pentâmetro iambico é uma coluna de cinco estrofes, cada uma formada por um iambo, que é uma medida - um pé de verso - constituído de uma sílaba breve e outra longa., mas nada impede que seja lido sem grandes aspirações cognitivas e tanto sofrimento, o que torna sua obra versátil – satisfazendo tanto ao acadêmico quanto ao curioso, tanto a quem quer pensar como a quem quer só se divertir.

Neste sábado, dia 23 de Abril, a NET exibe, no Telecine Emotion, várias produções baseadas na obra de Shakespeare que, embora até bastante modernas, são conceituadas e bastante criativas em temos de execução.

Sábado, dia 23 de Abril
10:30 . Henrique V . Direção de Kenneth Branagh
13:00 . Muito barulho por nada . Direção de Kenneth Branagh
15:00 . Romeu + Julieta . Direção de Baz Luhrmann
17:10 . Sonho de uma noite de verão . Direção de Adrian Noble
19:00 . Hamlet – Vingança e Tragédia . Direção Michael Almereyda
21:00 . Jutland – Reinado de Ódio . Direção Gabriel Axel
22:35 . Rosencrantz e Guildenstern estão mortos . Direção Tom Stoppard
00:40 . Ricardo III - Um Ensaio . Direção Al Pacino

Não me perguntem os motivos do Telecine... pelo jeito alguém não estava olhando e acabou que, acidentalmente, eles acabaram deixando passar uma grade de programação interessante.

Mas tem uma coisa! Não deixem de ver “Rosencrantz e Guildenstern estão mortos”. Nem é de Shakespeare – e um dia falo mais do filme por aqui – mas é um filme muito especial, escrito e dirigido por Tom Stoppard (que co-escreveu “Brazil” com o diretor Terry Gilliam).

Vejam o filme tendo em mente que este mostra os eventos de "Hamlet" sob a ótica de dois personagens menores da peça que, sem qualquer controle sobre seu destito, acabam inspirando profundas reflexões no espectador - e provocando boas risadas também.

Ter visto alguma adaptação de "Hamlet" ajuda, claro.


...E o resto é silêncio...

Bruno Accioly


Categoria: Cinema

A obra do bardo me acompanha desde que eu tinha 15 anos. Eu gosto tanto da peça Romeu e Julieta que fui a Verona só para ver a cidade em que a peça acontece.
Os textos mostram extremos dos sentimentos humanos. Como o amor de Romeu e Julieta ou a inveja de Iago em Otelo.

Publicado por: Etel em maio 5, 2005 11:45 PM



R&G estão mortos!...

Para quem não viu, Tim Roth, Gary Oldman e Dreyfus estão absolutamente fantásticos. Oldman está além em muitas cenas, cenas em que a física é contestada por pura observação dos fatos (e o porque).
Não viu?! Pegue na locadora!

Publicado por: Jose Vasconcellos em maio 7, 2005 10:05 AM



Que pena que só vi esse post agora, mais de duas semanas depois! Bem-feito pra mim, né? Quem mandou não ler seu blog sempre? eheh

Publicado por: Fernanda Rena em maio 11, 2005 10:59 PM



http://c6e37ddbc1b51faf8d8c320590078513-t.jspcts.info c6e37ddbc1b51faf8d8c320590078513 [url]http://c6e37ddbc1b51faf8d8c320590078513-b1.jspcts.info[/url] [url=http://c6e37ddbc1b51faf8d8c320590078513-b2.jspcts.info]c6e37ddbc1b51faf8d8c320590078513[/url] [u]http://c6e37ddbc1b51faf8d8c320590078513-b3.jspcts.info[/u] 272b72261c62a4c808b72a756908bed6

Publicado por: Cesar em junho 4, 2007 08:12 AM



Olá! gostaria de saber onde posso encontrar o texto de shakspeare q começa com a frase: "Dai palavra a dor ..." ele fala sobre discursar a respeito do sentimento e não guardar para si mesmo.
Obrigada
Camila

Publicado por: Camila em agosto 2, 2007 12:36 PM




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