setembro 29, 2004

"Quer ir por onde?"

Quando tinha 28 anos furtaram o meu carro. Eu não tinha vaga, na garagem de onde morava, no bairro do Flamengo e, oportunamente, até recebi a micharia do seguro.

Não comprei outro carro. Resolvi que nunca mais ia comprar um automóvel. Colocando na ponta do lápis, gastava menos com táxis durante um mês que com os custos do carro.

A escolha não é para qualquer um, concordo. Nem todo mundo abre mão do Barra Shopping todo fim de semana ou de viajar. Naquela época lembro-me que ia para lugares distantes, como a Barra, uma a duas vezes por mês no máximo.

Morando na Zona Sul do Rio de Janeiro era muito fácil não precisar de mais nada de outros bairros. A Marquês de Abrantes tem Metrô, supermercado 24horas, papelaria, academia, bar, restaurante, delicatessem, padaria, confeitaria, açougue, loja de ferragens, lavanderia, locadora de vídeo e ponto de táxi na frente de onde eu morava.

Estava a dez minutos do trabalho e o traslado acabava que não impactava em nada o meu dia, me emprestando uma noite inteira livre e dando uma sensação deliciosa de dia produtivo.

Se morasse em São Paulo provavelmente não poderia ser assim, claro. Lá tudo é longe, cada bairro é monstruoso, o transporte público na prática inexiste e não dá para sair todos os dias usando o produto em cima do qual o Estado te diz, todos os dias, que foi projetada toda a arquitetura urbana.

É engraçado... o dono de automóvel paga o carro, o que até dá pra entender bem; o combustível, que afinal é o suprimento do produto; a manutenção, que aqui no Brasil não só é necessária graças ao uso e a qualidade, mas também a qualidade das ruas e estradas; o IPVA, que supostamente garantiria a qualidade das ruas e estradas; o estacionamento, o que me causa estranheza uma vez que o IPVA e a própria idéia de que as cidades foram projetadas para conter carros deveria cuidar disso; o seguro, para evitar que o carro seja roubado, coisa que outros tantos impostos deveriam cobrir, já que segurança é algo que deve ser provido pelo Estado.

Somando tudo isso com tudo mais que eu me esqueci de mencionar – como o valor real em horas gastas nos engarrafamentos das ruas projetadas com o dinheiro do IPVA – fico pensando se o status de ter um carro, a possibilidade de viajar ou a condição de poder encarar a Estátua da Liberdade do New York City Center, valem todo esse dinheiro.

Com um pouco de boa vontade, creio, dá para chegar em uma conta na qual, abrindo mão do carro, valha muito mais a pena andar de ônibus, metrô e/ou táxi.

Nem comento o impacto no meio ambiente, até porque não há massa crítica de gente preocupada com isso para fazer diferença.

Hoje moro na Ilha do Governador, ando para cima e para baixo com um laptop da empresa – com a qual tenho um contrato de comodato do aparelho – e, pasmem, ainda não tenho carro.

Tá certo... andar de Van não é o mais recomendável, com um equipamento tão caro a tira-colo, mas dá pra deixar o portátil na empresa de duas a três vezes por semana, voltando de mãos abanando e sem incomodar a patroa em casa com o fato de chegar e abrir logo a máquina.

O resto da semana, pensando bem, nem fica tão caro assim ir e voltar de táxi, luxo que os onze anos de profissão felizmente acabaram me permitindo.

Agora há pouco me perguntou o motorista: “Quer ir por onde, senhor?”, ao que eu respondi – “Confio em você, meu caro... Sei que vai fazer o melhor caminho possível. Vai na fé que a gente só vai chegar depois que estiver lá!”.

Isso nada paga, o tempo de pensar na vida, ler um livro, acessar a Internet de dentro do táxi ou simplesmente aproveitar a jornada.

Postado por baccioly em 11:52 AM | Comentários (4)

setembro 28, 2004

Voando baixo...

Há mais entre a vinheta de entrada da produtora e os créditos do filme que sonha nossa vã filosofia?


Ontem aconteceu algo muito interessante! Em seguida a última publicação no blog, em que comentei “Voando Alto”, Gwyneth Paltrow (segundo o TeleCine) teria dito que o filme foi o pior filme de todos os tempos.


Segundo o Rotten Tomatoes, o filme não passa de lixo amador, se tratando de uma obra sem graça, boba e que não merece mais de 3.6, numa escala de zero a dez.


Estranhamente, a notícia de que Paltrow teria dito isso acerca do filme surge um dia depois da notícia de que ela teria afirmado que seria uma mulher-gato muito mais competente que Halle Berry, no difamado “Cat-Woman”.


Como perceberam no último post meu comentário acerca do filme foi bastante positivo e, a princípio, poderia-se imaginar que fosse uma grande falta de sorte que a atriz principal (além de tudo que a crítica já havia falado) resolvesse falar tão mal do resultado final da obra.


Por que considero algo muito interessante que isso tenha acontecido?
Deixe-me tentar explicar...


Minha filmoteca doméstica tem cerca de seiscentos DVDs dos mais diversos gêneros, o que não serve apenas para enfeitar a estante e que, de certa forma, me define para mim mesmo e para meus amigos que disso tomam conhecimento. Uma das coisas mais interessantes em receber gente em casa é prestar atenção em suas reações para com os filmes ali presentes.


Eles passam os olhos pelos títulos achando este magnífico, aquele péssimo, aquele maravilhoso e, de repente, esbarram com um que não lhes descem pela goela, “Você gostou deste filme?!?!?!”. Quase sempre respondo... “Eu comprei este filme. Há alguns méritos nessa obra...”, ao que ganho invariavelmente uma torção de nariz.


Gostar ou não-Gostar é algo muito poderoso em nossa sociedade. Com três mil anos de história da Arte e de Filosofia conseguimos reduzir um filme a mero entretenimento. Sorvemos os filmes qual Sangue-de-Boi e, apesar de haver toda uma série de nuances, talvez por falta de sensibilidade, talvez por má-vontade, talvez pela régua que usamos, condenamos uns e enaltece outros, distribuindo sinopses, estrelas e bonequinhos para lá e para cá.


Essas sinopses, estrelas e bonequinhos, quando desfavoráveis, afastam espectadores - que talvez viessem a gostar do filme – das prateleiras da Blockbuster e das portas dos cinemas. Assim é a vida na sociedade de consumo e assim continuará sendo. Cada um de nós que amamos o cinema tem uma relação muito particular com este tipo de “arte” (Há sérios questionamentos acerca de se Cinema é ou não arte).


Basta irmos à locadora mais próxima e observarmos como outras pessoas alugam filmes, as coisas que dizem e vamos notar que critérios de escolha e toda sua experiência com este tipo de media é totalmente diferente da nossa.


Podemos simplesmente dizer que quem pensa diferente de nós nada entende de filmes ou é ignorante ou mesmo que se trata de gente simplória que não gosta realmente de cinema. O fato, entretanto, persiste: Somos diferentes uns dos outros.


Essa diferença, no meu entender, é de profunda importância para a diversidade e sobrevivência humana. Globalizar uma régua criteriosa de fruição da produção artística ou pop, mesmo que fosse possível, não necessariamente impediria esta diversidade, mas também não necessariamente garantiria o meio ótimo de fruição da expressão humana através da arte.


Fato é que Gostar ou não-Gostar pode se transformar em um mero vício metodológico... decidimos, baseados em todos os fatores presentes em uma obra, que estatisticamente ela é ruim ou boa depois de um breve cálculo: captamos o óbvio; com sorte percebemos algo do que não é óbvio; interpretamos a mensagem; e usamos nosso método canhestro, ou não, para catalogá-lo como algo bom ou ruim. O filme que tem sorte é aquele que recebe um tratamento não-binário, sendo classificado por bonequinhos ou estrelinhas.


É prática a abordagem... em arte, contudo, há muitos aspectos pelos quais as obras podem ser avaliadas. Woody Allen teve de ver “2001: Uma Odisséia no Espaço” por seis vezes, odiando cada uma, antes de afirmar de si para si que “Stanley é muito melhor que eu!”; Jackson Pollock teve suas pinturas comparadas com pratos de macarrão com muito molho pela revista Life; Van Gogh jamais vendeu um quadro durante toda sua vida; o polêmico Egon Schiele foi preso devido ao conteúdo “pornográfico” de suas pinturas e morreu em decorrência do fato... os bonequinhos e estrelinhas matam a arte de diversas maneiras há muito tempo, basta que deixemos que aconteça.


Há conteúdo, em livros, pinturas e filmes, que só estaremos preparados para fruir dentro de décadas, ou até séculos. Mesmo que a intenção do autor não tenha sido o que indica a percepção do espectador, o que suscita tal percepção é a existência e o acesso a obra artística. Todo um novo conjunto de significados para uma obra antiga pode advir de uma nova conjuntura sócio-político-cultural e, independente de Gostarmos ou não-Gostarmos de algo, seu mérito intrínseco não deveria ser colocado em questão a partir de um corte reducionista da realidade.


Não descendo demais na questão, podemos imaginar uma menina que tenha visto o “pior filme de todos os tempos”; podemos imaginar que este, como tantos outros filmes, apesar de atrelados a um gênero estereotípico como “Comédia”, “Drama” ou “Romance”, guarda uma gama de mensagens arquetípicas profundamente construtivas; podemos ainda imaginar que, inspirada por estes filmes, em sua vida adulta, a menina resolva crescer como pessoa sem pisar nos outros e sacrificar-se tanto quanto necessário sem deixar de lado a capacidade de ser feliz.


Cada um entende o quanto pode e o quanto quer daquilo que experimenta...


...amém...



Postado por baccioly em 10:27 AM | Comentários (0)

setembro 26, 2004

"Voando Alto"

"View from the Top" - ou "Voando Alto", como acabou sendo chamando no Brasil - é uma viagem bem humorada pela busca da satisfação pessoal e profissional, não perdendo de vista os sacrifícios e dilemas que todos enfrentamos no caminho para o sucesso.

Com roteiro de Eric Wald e direção de Bruno Barreto (de "Bossa Nova"), "Voando Alto" usa a comédia como meio de abordar o crescimento pessoal e a ética profissional.

Imagino que você possa estar revirando os olhos diante do que pode parecer indulgência de um espectador capaz de ver mérito em qualquer coisa. Apesar de a tendência de fato estar em mim, o que me faz apreciar este chick-flick é a sensibilidade e inteligência com a qual Bruno Barreto e o roteirista conseguem discorrer acerca do um assunto escolhido.

Achar que um filme deixa de ser bom quando há um melhor que ele, não é comigo e, portanto, a quantidade de filmes que me parecem interessantes por uma enorme gama de motivos diferentes é colossal.

Ver em um filme, que tem de ter menos de noventa minutos, o diretor tentar transformar a personagem de Gwineth Paltrow em uma Audrey Hepburn sem ter muito com o que trabalhar foi uma delícia.

Não se trata de um filme inesquecível nem de uma obra prima, entretanto o mérito de "Voando Alto" está em como a história é contada. No meu entender, o filme é responsável sem deixar de ser divertido, descrevendo arquétipos mais pedagogicamente necessários que necessariamente realistas.

Paltrow está belíssima, simpática - uma Debra Winger dos dias de hoje (quer checar?) - mas juro que não foi isso que me atraiu.

Gostar do filme? Bom... o filme existe, está lá nas prateleiras para alugar e - se é que isso importa - quem dirigiu foi um brasileiro. Acho que o trabalho foi muito bem acabado e bem intencionado. Por vezes, gostar é a última coisa na qual penso ao comentar um filme. Quando me perguntam se gostei de um filme, dá sempre vontade de responder com outra pergunta: "Sob que aspecto?"

Uma vez que não acredito tanto em sinopses quanto em sinapses, acho que vale a pena, de vez em quando, questionar a si mesmo e aos seus motivos para não gostar de algo... ousar um pouquinho e ir catar na prateleira algo para que dificilmente daríamos atenção.

Você quer viajar um pouco?
É provável que alguns sequer tenham compreendido a comparação que fiz entre Debra Winger e Gwyneth Paltrow. Sim-sim, eu as acho muito similares em aparência - o que logicamente é discutível.

Seja como for, após pesquisar um pouco sobre as atrizes, encontrei um curioso documentário, dirigido por Rosana Arquette no qual Gwyneth e Debra participaram como elas mesmas.

Trata-se de uma séria reflexão sobre a profissão de atriz, que a diretora ilustra com o fato de Debra Winger, que teve três indicações ao Oscar, ter deixado o Cinema aos 30 anos de idade.

"Searching for Debra Winger" . IMDB
"Searching for Debra Winger" . Crítica (Inglês)
5arcasmos |v|últiplos . Similaridade
5arcasmos |v|últiplos . Debra vs. Gwyneth
Postado por baccioly em 02:03 AM | Comentários (13)

setembro 23, 2004

EXTRA: Visite o Cosmolog!

Celulares que são máquinas fotográficas, que se comunicam com computadores portáteis, com som estereo, dotados de teclado QWERTY, equipados com slide-show, com botões de diversos formatos, movidos a energia cinética; para quem são feitas essas maravilhas da tecnologia moderna?

Clique no link abaixo para ler o artigo...

Celulares para que vos quero?

Postado por baccioly em 03:06 PM | Comentários (3)

setembro 22, 2004

Choro e Rio

Com influências que vão do schottisch e da valsa até o minueto e da polca, o "Chorinho" - como os puristas não chamam mais - tem pés não só na Europa, com raízes até na África.

De jeitinho choroso de interpretar uma melodia no final do Século XIX, os "chorões" acabaram por criar um novo discurso musical, que chegou a sua forma mais definitiva na primeira década do Século XX.

Pianista, maestrina e considerada a primeira "chorona", Chiquinha Gonzaga foi uma das que mais contribuiu para a formação da linguagem do gênero (clique aqui para outras fontes). A posterior e importantíssima contribuição de Ernesto de Nazareth não é a única digna de nota, mas se destaca diante de quão prolífico era tal compositor e de quão revolucionária se mostrou sua gana em extrapolar as fronteiras entre a música popular e a música erudita.

Como incontestável capital do Choro, o Rio de Janeiro, até hoje (e sem que muita gente saiba) guarda um contingente de músicos e eventos musicais que preservam essa linguagem e perpetuam os rituais chorosos pelas praças, bares e casas de cultura.

Pessoalmente, minhas experiências com o Chorinho se limitam ao que é possível para o espectador... mas, no Choro, a experiência do espectador vai além da mera exposição a beleza da melodia. Quem gosta de Chorinho - e quem deseja conhecer - acaba tendo de passar pelo ritual de descobrir onde encontrar os chorões cariocas, engendrar meios para adequar a própria rotina aos horários de suas apresentações e, finalmente, ser arrebatado dessa vida urbanóide para uma viagem deliciosamente anacrônica.

Não querendo estragar esse ritual para quem gosta de Choro, mas de posse do conhecimento de quão difícil pode ser encontrar os chorões por aí, montei esse pequeno guia que tem a ambição de ajudá-los a ter um fim-de-semana diferente e um happy-hour mais leve e agradável.

Até às 18 horas
Sábado

Samba e Feijão (Lapa); Meu Kantinho (Penha); Toca do Rato (Todos os Santos); Choro da Feira (Laranjeiras); Pagode da Família Portelense (Madureira); Casarão do Cunha (Ponte Branca - Parati); Pagode do Pachú (Pilares); O Sole Mio (Itaipú - Niterói)

Domingo
Meu Kantinho (Penha); Arataca (Leblon); Pagode da Tia Doca (Madureira); Taberna Dom Beto (Centro - Conservatória); Cacique de Ramos (Ramos); Comuna do Semente (Lapa)

Das 18 até às 21 horas
Segunda
Teatro Rival (Centro); Quiosque Arab (Lagoa); Manuel & Juaquim - Visc. Abaeté (Vila Isabel)

Terça
Puxando Conversa (Catete); Teatro Odisséia (Lapa); Salsa e Cebolinha (Lapa); Rio Scenarium (Lapa); Cachaçaria Mangue Seco (Lapa); Quiosque Arab (Lagoa); Sacrilégio (Lapa)

Quarta
Bar do Zé (Centro); Rio Scenarium (Lapa); Clube Guanabara (Botafogo); Manoel & Juaquim - Felipe Camarão (Vila Isabel); Bico da Coruja (Pororoca - Macaé); Novo Cortiço (Laranjeiras); Mãe d´Água (São Domingos - Niterói)

Quinta
Bar do Zé (Centro); Rio Scenarium (Lapa); Lona Cultural (Campo Grande); Palácio (Catete); Butiquim do Martinho (Vila Isabel); Centro Cultural Memórias do Rio (Lapa); Casa da Mãe Joana (Lapa); Círculo Militar da Praia Vermelha (Urca); Ernesto (Lapa); Novo Cortiço (Laranjeiras); Eskina do Peixe (Vista Alegre)

Sexta
Rio Scenarium (Lapa); Circuito-Mauá (Saúde); Casa da Mãe Joana (Lapa); Centro Cultural Memórias do Rio (Lapa); Cordão da Bola Preta (Cinelândia); Centro Cultural Carioca (Centro); Dama da Noite (Lapa); Bar Sujinho (Praia Vermelha); Samba do Mercado (Centro); Butiquim do Martinho (Vila Isabel); Carioca da Gema (Lapa); Sacrilégio (Lapa)

Sábado

Taberna Atlântica (Leme); Rio Scenarium (Lapa); Círculo Militar da Praia Vermelha (Urca); Pagode da Tia Ciça (Irajá); Sacrilégio (Lapa)

Domingo

Cobal (Humaitá); Estephanio's (Tijuca); Lona Cultural Gilberto Gil (Realengo); Bonde Bar (Santa Teresa); Bar dos Chico´s (Maracanã); Pagode do Nézio e Negão da Abolição (Abolição); Chorinho aos Pés do Santa Marta (Botafogo); Butiquim do Martinho (Vila Isabel); Bip-Bip (Copacabana)

Depois das 21 horas
Segunda

Carioca da Gema (Lapa); Movimento Artístico da Praia Vermelha (Urca); Barril 8000 (Barra da Tijuca)

Terça
Carioca da Gema
(Lapa); Parada 43 (Flamengo); Bip-Bip (Copacabana); Bar Convés (Gragoatá - Niterói); Severyna (Laranjeiras)

Quarta
Carioca da Gema (Lapa); Restaurante Temperado (Copacabana); Casarão Cultural dos Arcos (Lapa); Sacrilégio (Lapa); Centro Cultural Memórias do Rio (Lapa); Simplesmente (Santa Teresa); Dama da Noite (Lapa); Espaço Urca (Botafogo); Gafieira Estudantina (Centro); Lona Cultural (Campo Grande); Espaço D´ (Botafogo); Casa da Mãe Joana (Lapa)

Quinta
Butiquim Carioca (Botafogo); Carioca da Gema (Lapa); Centro Cultural Carioca (Centro); DCE da UFRJ (Urca); Dama da Noite (Lapa); Sacrilégio (Lapa); Severyna (Laranjeiras); Comuna do Semente (Lapa); Toq Final (Leblon); Kayambar (Fonseca); Casarão Cultural dos Arcos (Lapa); Espaço D´ (Botafogo); Democráticos (Lapa)

Sexta
Movimento Artístico da Praia Vermelha (Urca); Estudantina Café Cultural (Centro); Bar do Marcô (Santa Teresa); Clube Boqueirão (Centro); Parada 43 (Flamengo); Mãe d´Água (São Domingos - Niterói); Garota do Leblon (Leblon); Pau-Brasil Botequim (Icaraí - Niterói); Coisas da Antiga (Itaipu - Niterói); Bar Miau (São Francisco - Niterói); Cachaçaria Mangue Seco (Lapa); Democráticos (Lapa); Ernesto (Lapa); Casarão Cultural dos Arcos (Lapa)

Sábado
Bar do Marcô (Santa Teresa); Carioca da Gema (Lapa); Casa da Mãe Joana (Lapa); Candongueiro (Pendotiba - Niterói); Centro Cultural Carioca (Centro); Bonde Bar (Santa Teresa); Pau-Brasil Botequim (Icaraí - Niterói); Bar Miau (São Francisco - Niterói); Cachaçaria Mangue Seco (Lapa); Dama da Noite (Lapa)

Domingo
Quiosque Arab (Lagoa)

Você quer saber mais?
Agenda do Samba & Choro

Postado por baccioly em 12:13 PM | Comentários (4)

setembro 20, 2004

Sinopses e Sinapses

Pessoalmente não suporto sinopses de filmes. No meu entender a sinopse ou crítica de um filme falam mais acerca de quem a escreveu do que do filme em si.

Adoro a sensação de ver um filme do qual não sei nada a não ser o título e do qual tenha visto o mínimo possível de material de marketing. Nem sempre é possível, ainda mais numa era em que um filme só consegue permanecer no cinema por mais de uma semana caso dezenas de milhões de dólares tiverem sido gastos em propaganda.

Minha alternativa era simplesmente tentar ignorar todos os comentários de amigos, propagandas na TV, cartazes nas ruas e tudo mais, indo ao cinema o mais no escuro possível para que minha neurose não me incomodasse demais.

Meus problemas foram em parte resolvidos quando o Cristiano Dias me apresentou ao MovieLens, um projeto acadêmico desenvolvido na Universidade de Minnesota.

Bruno Accioly

(Continuação...)

Trata-se de um webSite que permite, a um visitante, efetuar gratuitamente um cadastro em seu sistema. Uma vez cadastrado, o visitante tem a sua disposição uma enorme base de dados de filmes, aos quais é possível dar notas (estrelas).

O inconveniente de os nomes dos filmes estarem em inglês é menor, diante do fato que, cruzando as notas dadas por todos os outros cadastrados e as fornecidas pelo novo visitante aos filmes que ele classifica, o sistema tenta prever em quanto o visitante gostaria deste ou daquele filme que ele ainda não viu.

Parece voodoo, logicamente, mas é pura matemática. Quanto mais notas você dá para os filmes que já viu, mais próximo do seu gosto o sistema chega e melhor é a previsão de quantas estrelas seriam dadas por você para determinado filme que você ainda não viu - ao menos em teoria.

O sistema é um exemplo de Filtragem Colaborativa (do inglês, Collaborative Filtering), uma técnica de Resgate de Informações (do inglês, Information Retrieval) que permite mensurar e valorar elementos em um conjunto manipulado por um contingente de interferências.

Pode parecer complicado, sem experimentar, mas o efeito final não intimida e é realmente cativante. Não é necessário classificar mais de vinte ou trinta filmes, mas caso se tenha a paciência de cadastrar mais de mil e quinhentos filmes - como algumas pessoas que conheço - o sistema parece até errar muito pouco.

Além da ajuda que o MovieLens te dá na hora de ir ao cinema sem ler sinopses, o sistema permite ainda colocar filmes numa WishList, fornece dados básicos do filme, um link direto para a obra no IMDb (Internet Movie Database) e a sugestão de novos títulos.

Para além de tudo o que eu disse, entretanto, fica a funcionalidade que permite consultar qual seria a nota que um amigo seu (igualmente cadastrado) daria para um filme que ele sequer tenha visto.

Já dá pra imaginar alguém te ligando para acusar: "Que absurdo você achar 'O Processo' um filme de três estrelas e meia!".

Não adiantaria nem reclamar. Tá no sistema, afinal... :¬)

É a Inidéia, de "1984"; é o pré-crime, de "Minority Report"...


Postado por baccioly em 03:19 PM | Comentários (1)

setembro 13, 2004

"Meu Jantar com André"

Perturbador, pertinente e instigante, "My Dinner with André" está sendo exibido no TeleCine Emotion em Setembro e Outubro, para quem gosta de Cinema, de Filosofia e de "pensar sobre a vida e as coisas".

Foi um golpe de sorte e não mais que isso. Confesso não ser o espectador típico e não me considero nada pop no que se refere ao que gosto, faço ou vejo. Por isso mesmo estou indicando aqui um filme inusitado, fora do comum e que, em minha opinião, é uma pérola no meio de muito lixo.

Trata-se de "Meu Jantar com André", escrito para o teatro por André Gregory e Wallace Shaw, filmado por Louis Malle, em um balé de diálogos acerca do que se considera Estabelecido e do que de fato está.

Louis Malle dirigiu também "Vanya on 42nd Street" (em 1984), de Chekhov (no Cinema), com créditos de roteiro para André Gregory, sendo também responsável por magníficas obras como "Ascenseur pour l'échafaud" ("O Ascensor para o Cadafalso") e "Les Amans", ambos de 1958.

Wallace Shaw é um ator versátil e até bastante requisitado, daqueles dos quais ninguém lembra mas que dão o ponto em filmes como "O Noivo da Princesa" (1987), "Simon" (1980), "All that Jazz" e "Manhattan", de 1979.

Encontrar o filme em DVD no Brasil vai ser um golpe de sorte. Esperemos que apareça.

Para quem é mais curioso que prudente e gosta muito de ver filmes, vale a viagem. Felizmente a NET vai exibí-lo no Domingo, dia 26 de Setembro às 8 horas da manhã, e na Quinta-Feira, 14 de Outubro às 2 horas da madrugada.

Ahn... não são os melhores horários do mundo, eu sei, mas que diabos! Ouse sair da rotina!

A NET colocou no ar, há algum tempo, um sistema que lembra o assinante por e-mail que determinado filme está para ser exibido.

Se eu fosse esquecido eu usava :¬)

Postado por baccioly em 03:03 PM | Comentários (4)

setembro 11, 2004

O saldo do feriado

Atendendo a inúmeros pedidos, entrei em contato com meu amigo, o Homem Bigorna, para saber como foi seu feriado após a madrugada de seis para sete de setembro.

Como cortesia, já que somos muito amigos, ele me permitiu publicar esta foto por aqui.

Postado por baccioly em 03:10 PM | Comentários (0)

setembro 10, 2004

O caso do meio-fio assassino

Havia muito que nosso herói abandonara a vida de paladino da justiça, optando por uma vida pacata e aconchegantemente rotineira.

O destino contudo, na madrugada de 7 de Setembro, provou uma vez mais que... a realidade pode ir muito além da imaginação!

Homem Bigorna . O caso do meio-fio assassino

Sozinho em casa havia três dias e entediado até não poder mais, nosso herói resolveu sair com uma amiga para ver gente, ouvir música e fingir não ser um dos titãs que andam sobre a Terra qual cidadão comum.

A noite transcorria como se supunha transcorrer, levando-se em conta que havia mais de um ano que deixara de lado a noite carioca. Pouquíssimos conhecidos, muita gente nova e nenhum ânimo para levantar e dançar como o pessoal que enfeitava a pista.

Sua amiga, que acabara chegando tarde junto com duas outras pessoas, dera-lhe um bom chá de cadeira, mas era sempre bom ver os amigos queridos.

O adiantado da hora porém o fez desistir de permanecer ainda mais e acabou decidindo deixar a festa.

Quando percebeu a movimentação estranha, seus reflexos foram mais rápidos que sua prudência. Imediatamente, usando de toda sua perícia e celeridade para interpôr-se entre a agressão de uma moça e a estupefação de outra, o Homem Bigorna passou a bravamente absorver os poderosos socos da atacante, enquanto dirigia a vítima para fora da boate.

Evitando a participação do pouco preparado segurança - muito feliz em perceber que o caso estava sendo conduzido por alguém plenamente competente - o Homem Bigorna, debaixo de uma chuva de sopapos, ainda foi capaz de pedir: "Afastem-se! Afastem-se!".

A moça, chorando, já do lado de fora da casa, estava obviamente alcoolizada e dava importância exagerada ao fato de ter perdido seus óculos.

Cheio de compaixão pela situação da moça, que não parava de lembrar o preço das lentes e da armação, olhou para as duas amigas da menina e em seguida para ela: "Não se preocupe. Encontrarei seus óculos nem que tenha de revirar todo o salão!".

Usando seus poderes provenientes da mordida de uma bigorna radioativa (cujos motivos da existência são inverossímeis demais para explicar), o Homem Bigorna em poucos segundos conseguiu encontrar os óculos da menina, em seguida levando-os, triunfante, até a calçada onde ela e suas amigas estariam.

Algo acontecera - notou ele, fazendo uso de seu sentido-de-bigorna™ - e logo ouviu de um passante: "Homem Bigorna! Eu reconheceria essa careca em qualquer lugar!", e completou, "Mas não se preocupe. Jamais revelaria a ninguém sua identidade secreta."

O cidadão então apontou a direção na qual seguiu a dona do óculos com suas desesperadas amigas em seu encalço. Elas corriam atrás da amiga, que gritava a plenos pulmões que iria se jogar no mar. O Homem Bigorna tinha de fazer alguma coisa!

Mais uma vez lançando mão de seu preparo excepcional e de sua força superior, o Homem Bigorna, tentando chamar a atenção da menina que corria dele e das amigas, gritava pelas ruas, com sua voz poderosa, enquanto seguia em direção ao calçadão de Copacabana: “Seus óculos! Seus óculos!”

Preocupado com a donzela, que cada vez mais se aproximava da água, o Homem Bigorna não teve alternativa senão invocar o poder que há tanto lhe fora concedido. Avançou então pela Avenida, passando pela primeira pista e calculando com precisão a próxima travessia, que coincidiria com a passagem de um veículo em alta velocidade.

Já era tarde demais quando percebeu que o motorista resolvera que aquilo não ficaria assim. Talvez por se tratar de seus inúmeros inimigos, talvez por se tratar de um babaqüara, o motorista resolveu jogar o carro sobre nosso herói.

Só havia uma coisa a fazer... jogar-se de qualquer jeito em direção ao outro lado da rua com toda sua velocidade e força, tentando amortecer sua queda através das técnicas emprestadas a ele pelo incidente radioativo que marcou-lhe a juventude.

Algo aconteceu contudo, quando seu ombro encontrou violentamente a dureza do meio-fio da ciclovia - que algum imbecil havia resolvido construir ali. Levantou-se, impávido e colosso, indo entregar os óculos da vítima que, profundamente grata, passou do pranto de tristeza ao pranto de felicidade.

No fim do dia – ou no início, neste caso – o Homem Bigorna acaba sempre sendo o último recurso dos fracos e oprimidos, dos histéricos e insensatos, dos bêbados e das criancinhas.

Depois deste dia difícil, tudo que tinha de fazer era entrar em contato com seu fiel companheiro, Menino Alvo, que viria resgatá-lo na Policlínica de Botafogo com o possante Alvo-Móvel™.

Nos quatro dias que se seguiram após sua incursão na noite, poderia-se esperar que o Homem Bigorna desistisse da vida de defensor dos oprimidos, mas não se deve subestimar a teimosia heróica, a enleada bravura e a impetuosidade desvairada do campeão irresoluto...

Homem Bigorna

Todas as histórias do Homem Bigorna são verídicas. Não tentem, contudo, repetir suas proezas. É necessário muito treino e demência.

Postado por baccioly em 02:11 AM | Comentários (10)

setembro 08, 2004

"Bicornis Humanitas Est"

Desde tempos imemoriais as bigornas se fazem presentes em nossas vidas, ajudando-nos a trabalhar o metal, confeccionar espadas e moldar ferraduras. A história das bigornas se confunde com a história humana e qualquer criança sabe que sem as bigornas a raça humana teria se mantido em um estado evolutivo inferior.

Lado a lado, Homens e Bigornas singraram os quatro cantos do mundo, alterando-o para que ambas as espécies conquistassem seu espaço. Aproveitando-se da mútua dependência de seus talentos, as duas raças deram o exemplo de perseverança e tolerância ao longo de milênios de evolução.

Contudo nem só de bons momentos se fez a história das únicas duas espécies inteligentes do planeta. Episódios bastante lamentáveis como o Grande Massacre de Bicornia, nos idos da década de quarenta, foram eclipssados pela grande guerra, sendo ainda assim sendo imortalizados nas páginas dos livros de história e em imponentes monumentos como a estátua do último herói da resistência, Incus Anvil.

A rivalidade entre as duas espécies,na época, se fez presente na literatura, na pintura, na música e em toda forma de produção cultural.

O preconceito e intolerância entre as espécies atingiu o dia a dia e mesmo os desenhos animados infantis não escaparam de perpetuar a xenofobia.

A arte da época incentivava a constante luta entre as espécies e já parecia a todos que sempre havia sido daquela forma. Pouco se podia fazer quando escritores importantes e intelectuais falavam contra toda uma espécie, enquanto cientistas produziam preconceituosos materiais de pesquisa que justificassem as terríveis experiências científicas envolvendo bigornas recém nascidas.

Com o fim dos conflitos entre as duas espécies, uma guerra fria se estabeleceu e acabou por velar o verdadeiro problema. No preconceito contido ambas as espécies foram condenadas a não reconciliação e a não usufruírem dos benefícios antes lhes outorgado pela tolerância e pela cooperação.

É neste ponto que surge o nosso herói, que diante de circunstâncias inverossímeis demais para serem explicadas, foi mordido por uma bigorna radioativa e, daí em diante, pela união de duas raças há tanto separadas, se tornou o...

Homem Bigorna


Aguarde as aventuras do Homem Bigorna e de seu fiel companheiro Menino Alvo aqui no 5arcasmos |v|últiplos.


Postado por baccioly em 12:57 AM | Comentários (0)

setembro 06, 2004

O Esquadrão da Reforma

É muito bom ter oportunidade de estar com os amigos. Sabe aqueles amigos com os quais você realmente se identifica e os quais tanto admira? Esses mesmos.

Tenho me sentido só e, no entanto, tenho tido a oportunidade de estar mais com eles.

Vamos envelhecendo meio que separados, encontrando uns com os outros o máximo que podemos e construindo concepções do mundo que, por mais diferentes que sejam, acabam mantendo certa semelhança. Mesmo as discordâncias são cabíveis e, muitas vezes, nem se discorda tanto assim.

Essa visão comum de mundo nos define e nos ajuda a não nos sentirmos sozinhos. Isso me parece profundamente importante entre amigos... mas também me parece profundamente perigoso em larga escala.

Aproveito a solidão do momento para falar de como as coisas me parecem estar. O incauto, excessivamente confiante, bem pode passar do conforto da aprovação para a arrogância da certeza quando tem um grupo suficientemente grande por trás de si.

O determinismo não meramente me preocupa. Parece-me que, cada vez mais, os postulados tomam o lugar do questionamento e da reflexão, fazendo com que todo e qualquer empreendimento humano esteja mais emparelhado com o resultado mais imediato e óbvio do que com uma solução efetiva e duradoura.

Identifico a Globalização do Pensamento em tudo, da noção do certo e errado até a noção de quem está certo e quem está errado. E é aí que me sinto como alguém que caiu no mundo de pára-quedas.

Fico feliz que meus amigos, cada um a sua maneira, também se sintam vivendo em uma realidade distópica, que identifiquem a nossa volta elementos de romances e filmes como "1984", "Fahrenheit 451", "Brazil", "Dogville".

Cada um de nós tenta viver neste mundo disfuncional da melhor maneira que pode e tenta nele fazer diferença a medida que nossa disposição, interesses e preocupações nos permitem, sem mesmo saber se é possível arranhar a superfície dessa realidade empedernida que nos surpreende a todo momento.

A confiança com que as pessoas hoje afirmam que a humanidade evoluiu o suficiente para evitar erros do passado me assusta. É tão fácil perder a mão e trilhar um caminho fundamentalista e totalitário... e quando não se acredita nisso, abre-se a guarda justamente para construtos deste tipo.

Ao voltar da casa do Cris Dias tive a oportunidade de ver um filme que, ao que parece, pouca gente viu, e que foi muito marcante para mim quando mais novo. Trata-se de "Drop Squad - O Esquadrão da Reforma", um filme que pode parecer retratar um mero exagero da intolerância racial, mas que para mim significa muito mais.

Minha mania de perseguir uma noção metafísica do Real, de engendrar um sem número de analogias, de identificar infinitas similaridades no Todo, podem parecer, para quem não me conhece - e até para quem me conhece - um deslumbramento pouco pragmático e infrutífero. Uma vez que concordo comigo mesmo :¬) não penso que assim seja, mesmo admitindo que possa estar errado.

Você sempre pode esquecer o que leu aqui, dar de ombros e simplesmente afirmar de si para si que discorda ou que esse post foi uma "viajada" só. Só dessa vez, contudo, tente não fazer isso; tente refletir a respeito durante o seu dia, nem que seja apenas para se questionar.

Quanto mais leitores forem capazes de se questionar, mais provável se torna que eu esteja errado, afinal...

Postado por baccioly em 03:47 AM | Comentários (0)

setembro 02, 2004

Livros sob demanda

Outro dia procurei "Impressões e Provas", de John Dunning e nada. Esgotou na editora.

Uma vez que prefiro ir até a livraria comprar no lugar de comprar na internet, minha vida fica muito mais difícil que a do ser humano médio.

Seja como for, achei muito chato que esse tipo de coisa possa ocorrer e, por causa disso, talvez nunca mais fosse possível encontrar este livro.

Pois é... mas uma galera boa resolveu dar um jeito nesse problema e criar, aqui no Rio, uma livraria chamada Armazém Digital, uma livraria diferente onde o leitor pode - caso o livro não mais exista para vender em lugar nenhum - baixar o material e sair de lá com uma edição em capa dura da tão procurada obra.

A loja é em Botafogo e já tem mil itens em seu acervo, pretendendo chegar em breve a cinquenta vezes isso.

Segundo Jack London, carioca de 55 anos e idealizador do projeto, potencialmente o acervo pode chegar a cinco milhões de títulos.

A Embratel, patrocinadora do empreendimento, entrou com três milhões de reais para viabilizar a idéia.

London sugere a relação entre sua idéia e o tema de um conto de Jorge Luis Borges, de 1939, que descrevia "Um lugar onde todos os saberes são possíveis".

O Armazém digital se localiza no Rio Plaza Shopping (antigo Off-Price), General Severiano, 97, Botafogo.

Postado por baccioly em 12:04 PM | Comentários (0)

Pra dar mais IBOPE :¬)

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Postado por baccioly em 11:44 AM | Comentários (3)

setembro 01, 2004

"Alea jacta est"

Sabe o que é mais engraçado?

Quando escrevi este título ele não foi nem em decorrência do assunto nem para atender a nada que já houvesse acontecido.

Na verdade eu sequer sabia seu significado antes de começar a escrever - por incrível que pareça.

A frase "A sorte está lançada" era minha conhecida de longa data, mas a atribuia erroneamente a Sherlock Holmes, o detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle.

Trata-se, na verdade, de uma frase proferida por Júlio César, supostamente quando Pompeu ordenou o regresso de suas legiões e proibiu sua candidatura ao segundo cargo de cônsul. Ao recusar-se a obedecer as ordens e a ser eliminado da vida política, atravessou o rio Rubicão, no norte da Itália, teria dito “Alea jacta est” – ou “A sorte está lançada” (o “The game is afoot”, de Doyle).

A lida, contudo, não deixa muito espaço para posts ao longo do dia e continuei aqui trabalhando.

Quando o sujeito chegou na empresa, com uma pilha de livros nas mãos, jamais imaginei que fosse me chamar. É um daqueles caras que perambula pela área executiva da empresa, conversando com os diretores e presidentes, cheio de mérito e experiência em sua carreira em Tecnologia da Informação.

Há uns seis anos o sujeito me emprestara um livro de Donald Norman, "The Invisible Computer", que me inspirou a desenvolver toda uma metodologia de projeto de interface com o usuário e, de muitas formas, mudou a forma de eu ver o as coisas.

"Bruno, vê se estes livros te ajudam aí. Esse aqui é bem legal, mesmo que você discorde do autor e tal. Sempre ajuda. Esse cara trabalhou comigo na Apple e foi ele o responsável pelo desenvolvimento da interface do MacOS."

Agradeci muitíssimo, claro. Perguntei se ele teria uma reunião aqui na empresa e ele disse que, na verdade, viera só para me entregar os livros.

Esse tipo de coisa me deixa muito feliz. Quando a gente menos espera alguém que consideramos admirável deixa claro que gosta do nosso trabalho.

Antes de ir embora ele disse: "Agora é contigo", ao que quase completei "Alea jacta est".

A realidade me surpreende...

Postado por baccioly em 04:05 PM | Comentários (1)