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Este novo Espaço Cultural Virtual é extremamente valioso para aqueles que almejam entrar em contato com a cultura nacional e não conseguem encontrar facilmente informações acerca de fotografia, música, literatura e teatro.
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O sistema de cadastro pode parecer um tanto enigmático para os menos atentos, mas basta preencher o formulário e certificar-se de que a opção "Acesso aos conteúdos exclusivos" esteja selecionada.
O material reunido pelo Instituto Moreira Sales consiste em uma das mais importantes coleções do país, conservadas com o uso de técnicas especializadas e por profissionais extremamente competentes.
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Dentre o acervo musical deste Espaço Cultural Virtual estão mais de dez mil obras produzidas entre 1902 e 1964, sendo Pixinguinha, Orlando Silva, Carmem Miranda e Noel Rosa alguns dos nomes de compositores e intérpretes disponíveis.
Iniciativas do tipo são raras em nosso país e o mérito do projeto é inequívoco, mesmo não sendo a Internet um meio tão democrático quanto todos nós gostaríamos que fosse.
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Cadastrar-se não só oferece a oportunidade de fruir esse conteúdo exclusivo e raro disponibilizado pelo instituto, mas passa ao IMS a mensagem de que estão no caminho certo e de que o empenho em desenvolver este tipo de projeto não é em vão.
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Não sei se você teve a oportunidade de ler algum dos dezessete volumes das Obras Completas de Monteiro Lobato mas, se não teve, deveria gastar um tempinho procurando para seus filhos e - por que não? - para você mesmo ler.
A coleção é dividida em duas séries, uma adulta, com treze volumes e esta, da qual estou falando, com dezessete inesquecíveis portais para o Mundo das Maravilhas de Lobato - uma espécie de projeto de assimilação cultural que usava de personagens originais para fazer a criança ter contato com uma miríade de outras obras ficcionais e momentos históricos reais.
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Para mim, Monteiro Lobato foi o responsável pelo meu primeiro contato com a literatura, contato esse promovido pela Dona Lourdinha, minha mãe e amiga que usou de livros e muito amor para me fazer entender a tolerância, a justiça e a virtude.
Sem críticas vazias ao modus vivendi de hoje, concordo profundamente com a máxima de Lobato: "Um país se faz com Homens e livros". No meu entender, não se trata de Homens e revistas, Homens e brochuras ou Homens e blogs.
Embora a tecnologia aí esteja, a praticidade, custo e a base instalada de eBooks estão muito aquém do que seria necessário para substituir os livros convencionais para cento e setenta milhões de brasileiros - dos quais uma grande parte sequer sabe ler.
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O interesse pela leitura, batalha inglória travada por uma minoria de pais, não é substituível por qualquer outro interesse. A música é um meio, o cinema é outro, a TV um terceiro - ainda que sucateado - e cada um deles cumpre um papel no crescimento da criança como pessoa. Não ler por opção é como não tomar vitamina B por opção. Por mais que não se morra disso, os sintomas são identificáveis e as sequelas dificilmente podem ser combatidas a contento.
Antes de saber ler eu ouvia Dona Lourdinha me contar as histórias. Era, para mim, um super-poder dos adultos, sorver com os olhos os rabiscos das páginas dos livros; maior ainda o poder de contar histórias, se envolver com elas e, ainda assim, cuidar das lágrimas e dos risos nervosos que um eu-criança não conseguia conter.
A conquista da leitura enquanto habilidade, da escrita enquanto forma de expressão e das pessoas que te lêem enquanto espectadores, pode ser tão mágica quanto viver no mundo de Lobato...
...e como ele mesmo disse:
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"Tentei arrancar de mim o carnegão da literatura. Impossível. Só consegui uma coisa: adiar para depois dos 30 o meu aparecimento. Literatura é cachaça. Vicia. A gente começa com um cálice e acaba pau d'água na cadeia".
São Paulo, 16/6/1904
Minha super-heroína não me faltou, nem aos futuros netos, achando os dezessete volumes e presenteando essas já grandes mãos de criança com o saudoso tesouro literário.
Se escrever é uma cachaça de fato, bem queria eu que tivéssemos mais beberrões a cada esquina, com o dedilhar em teclados a substituir as goladas e soluços.
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De engenheiro que não deu certo, passando por dançarino de striptease até conseguir ser ator de TV, Takeshi Kitano nos trouxe, em 2002, uma pérola da qual pouca gente fala e muita gente ia gostar de ver...
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"Dolls" é belíssimo, está passando no TeleCine e discorre acerca da natureza do amor, das desventuras a que ele pode levar e do que se perde ao abrir mão dele por medo de sofrimento.
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Como você deve saber, não acredito em sinopses, portanto, veja o filme.
Está passando na NET-Rio este mês no Domingo, dia 17/10 à 00h45... como sempre em um horário acessível! :¬)
Os preguiçosos, que querem saber logo o que eu vi de tão especial no filme, podem ler o texto disponibilizado no link mais abaixo
Uma pintura em rosa e cores pardas, Dolls aborda o amor pelos seus defeitos.
Mostrando como o humano é disfuncional e frágil, ele leva o incauto espectador a sentir as próprias asas arrancadas na figura de uma borboleta morta, na esfera perfeita maculada de um brinquedo de criança e no flutuar balouçante de uma folha de outono que flui a deriva num rio caudaloso.
As alegorias insistentes contrapõe o corpo desfigurado aos sacrifícios, cicatrizes e perdas advindas de amar apaixonadamente.
Os amantes, nas mãos de forças muito mais poderosas que eles, não são mais que títeres de si mesmos e de tudo que não compreendem.
A tragédia que se desenrola a partir do desejo carnal, da ternura angelical e da perpetuação do amor na memória, ata-os e os conduz por sendas inóspitas e destrutivas - e ao mesmo tempo por aventuras que define-os como vivos, embora loucos.
O diretor nos tortura pelo caminho estereotípico do amor romântico ocidental até a trilha arquetípica do amor humano, que propõe universal.
A catástrofe na qual parece transformar o amor, entretanto, para aquele que sabe olhar o rosa da paisagem pardacenta, vale cada bocado de dor e desespero.
Amor romântico, absurdo, quântico, solitário, platônico ou jâmbico... é ele o responsável pela única cor que vale o filme todo... o rosa que se vê no perfume das flores, nas amarras que nos prendem a quem se ama e na dor do sangue-sacrifício derramado sob si.
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Sem querer comprar nenhuma briga, convido-o a ler a bela poesia abaixo e continuar a ler este modesto post antes de meditar junto comigo acerca do que Tagore escreveu.
Onde a mente é intrépida
Onde a mente se conserva intrépida e a cabeça se mantém erguida; Onde o conhecimento é liberto; Onde o mundo não se esfacelou em fragmentos ...cindido por provincianos muros; Onde as palavras emanam das profundezas da verdade;
Onde o progresso incansável estende seus braços à perfeição; Onde o fluxo cristalino da razão não perdeu seu curso ...nos áridos desertos de rotinas inertes;
Onde a mente é conduzida adiante por Ti ...à ascensão progressiva da reflexão e da atitude, ...àquela liberdade idílica, meu Pai, permita que meu país acorde!
Rabindranath Tagore
Esta poesia foi escrita pelo ganhador do prêmio Nobel de literatura de 1913, Rabindranath Tagore (1861-1941), indiano que influenciou profundamente Ghandi e os fundadores da moderna Índia.
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Ontem a noite, no Inside Actors Studio - programa levado ao ar no Brasil pelo canal MultiShow - tive a oportunidade de ver Martin Sheen declamando em estas linhas em inglês.
Um aspirante a ator, que dissera ser formado por West Point e discordar frontalmente do ativismo de Sheen, afirmou ter ficado maravilhado com a integridade do ator e com o fato de ter se identificado tanto com ele.
Martin Sheen afirmou algo como: "Tive a oportunidade de participar de muitos filmes que demonstram minha posição de oposição a algumas políticas de nosso grande país", e continuou, "No meu entender, ser patriota é como ser pai. Não adianta passar a mão na cabeça de seu filho toda vez que ele faz algo de errado; é necessário, para que ele não se torne um mau-caráter, que seu comportamento seja questionado e que fique bem claro para ele que errou."
Tendo mencionado a poesia de Rabindranath Tagore, declamou-a ante os pedidos de sua platéia.
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Martin Sheen não é um cínico, não se contenta com as coisas como são nem finge conhecê-las muito bem, aceitando a realidade como ela se apresenta. Ele tenta alterar o seu meio como pode, seja através de seu ativismo ou na formação de opinião de atores mais jovens.
A noção do que é dever e o que é direito vem se perdendo há algum tempo no Brasil. Alguns esperam que o Estado tudo faça, outros que os cidadãos se mexam para que toda e qualquer coisa aconteça. Há entretanto o que é direito do cidadão e o que é dever do Estado. Quando se enturvam as fronteiras entre uma coisa e outra todo tipo de injustiça pode acontecer e todo tipo de ativismo improcedente pode ter lugar. Ser patriota é uma virtude magnífica, mas é preciso ser Patriota com Consciência!
A Consciência - essa desconhecida - se atinge pela aquisição de conhecimento, pela reflexão e por uma gama de meios que são de responsabilidade tanto do cidadão quanto do Estado.
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Se o Estado não dá condições para que o cidadão adquira o conhecimento ou tenha condições para a reflexão - se ele não viabiliza estas virtudes através da educação e da promoção de atividades culturais, por exemplo - há sim plenas condições e procedência para que indivíduos, grupos ou instituições promovam movimentos sociais de protesto.
Como disse recentemente um grande amigo meu, Alexandre Maron: "Reduzir um problema a uma questão é o primeiro passo para não resolvê-lo". De fato, perde-se a noção do problema como um todo, quando se elege uma questão, ou sintoma, como seu causador único ou mais importante. A atitude de combate ao sintoma muitas vezes se torna meramente leviana e fútil.
Façamos o que podemos, enfim, mas o façamos com responsabilidade, sensatez e reflexão!