fevereiro 28, 2005

Destros reacionários da esquerda liberal

"No panorama dos valores políticos quem sou eu?", é o que muitos se perguntam; e mesmo aqueles que têm a resposta podem se impressionar com os resultados da "Bússola Política".

PoliticalCompass.org mantém um webSite cuja meta é tentar, através de um simples questionário, posicionar o indivíduo que o responde em um mapa cartesiano político.

Recucionista em essência, mas familiar e eloquente, o mapa tem dois eixos, indo da Esquerda para a Direita e do Liberalismo ao Autoritarismo.

Algumas perguntas, por certo, serão difíceis de responder, pois sente-se falta de poder dar uma resposta mais longa, entretanto só o resultado do julgamento acaba por tornar tentador responder até o final.

Nos dois gráficos abaixo temos uma idéia do tipo de resultado extraído do questionário - e não me perguntem se Ghandi fez esse teste!

Depois de torcer muito o nariz para a real possibilidade de se analisar seriamente os resultados obtidos com os questionários, acabei terminando de alimentar os dados, alcançando resultados curiosos.

Para os que ainda estão se perguntando se Autoritarismo é ou não um comportamento "direitista", é bom lembrar que há e houve ditaduras tanto de Direita quanto de Esquerda, na história humana.

É importante lembrar ainda que, apesar de a Esquerda ser hoje sinônimo de Comunismo, muitos dos ideais comunistas têm origem na Anarquia ou no Coletivismo.

Para os que se perguntam onde estou no gráfico...


Esquerda/Direita: -7.00
Liberal/Autoritário: -8.51

Postado por baccioly em 12:03 AM | Comentários (13)

fevereiro 22, 2005

Sintomas...

Piada ou não, não há nada mais eloqüente do que a realidade.

A importância atribuída à valores morais, espirituais, artísticos e humanos, pelo Homem de hoje, está profunda e talvez irremediavelmente comprometido.

E, se é discutível que tal comprometimento seja irremediável, é dificilmente contestável que tal comprometimento seja profundo.

Conheço pouca gente que se preocupe com tais problemas no dia-a-dia. Na maior parte dos casos as pessoas acham até muito chato pensar a respeito dessas coisas, não dominam o jargão nem o ferramental para discutí-las e, muitas vezes, acham até que a visão de que há um problema não seja nada mais que pessimismo.

Qualquer um, contudo, está fadado a sofrer as conseqüências da existência de tais problemas, ainda que não relacione cada uma destas questões às suas causas menos óbvias.

Saindo um pouco do campo da abstração, no dia-a-dia alguns pais não sabem lidar com crianças nunca antes tão rebeldes; a todo momento ouvimos na TV que algum país foi bombardeado por motivos que de fato jamais foram comprovados; volta e meia escutamos que pessoas em outro país comem carne do melhor amigo do Homem; repetidamente percebemos os meios de comunicação perpetuando um modelo de beleza tão determinista quanto irreal; e, não raro, a comercialização de práticas cirúrgicas como se fossem meros serviços.

Além de se tratar de questões do dia-a-dia, tais situações não só jamais foram resolvidas como vêm se agravando. Uma idéia comum – nos meios acadêmicos relacionados com o questionamento moral – é que tais questões podem ter raízes em um problema comum, ou em um conjunto de problemas comuns.

Não, não se está dizendo por aí que se trata de uma conspiração governamental ou uma dissimulada estratégia de um governo invisível – ou por outra até se está dizendo isso em alguns círculos, mas não tanto nos meios acadêmicos.

Uma das idéias mais comuns – já há muito tempo – em Filosofia, Antropologia e Sociologia, é a de que há uma inclinação natural para o movimento social observado em nossa civilização, diante do conjunto de escolhas morais e suas inter-relações desde, digamos, o século XVI.

Pode parecer muito estranho que exista um motivo comum para a “má-criação” das crianças de hoje e as características freqüentes em todas as modelos nas capas de revistas femininas. Mas, como sustento aqui, é justamente isso que o pessoal das tais Ciências Humanas vêm comentando.

Já mencionei que minha preocupação é muito menos se as coisas poderiam ser piores e muito mais se as coisas poderiam ser melhores. Seja como for, ao que parece, a maior parte das pessoas que conheço estão bastante mais satisfeitas que eu com seu entorno.

Temos, entretanto, de lembrar que, à época da ditadura, aqueles que discordavam do sistema e que eram exilados ou até mortos – sim, aquela gente que protagonizava o “Anos Rebeldes” – eram a minoria, eram considerados maus meninos por seus pais e pelos vizinhos, e sobretudo eram chamados, pelo governo, de terroristas.

Isso coloca em perspectiva gente maluca como eu, que parece estar gritando para todo mundo ouvir que “o fim está próximo”, que “não está bom do jeito que está” ou que “alguma coisa está fora da ordem”.

Vem sendo dito por esse pessoal - que se formou em cadeiras chatas e aparentemente desnecessárias como a Filosofia, Sociologia, Antropologia e História - que um dos motivos das nossas mais alarmantes e meramente desconfortáveis questões sociais, é justamente aquilo que vem nos proporcionando mais conforto: a Tecnologia.

Antes de concordar ou discordar da proposição, é bom entendermos como é que essa gente esquisita discute questões morais e como identificam as causas de conseqüências como as descritas mais acima neste texto. Eles se questionam o tempo todo, usando sim métodos e premissas mais ou menos fixas, mas nunca conseguindo livrar-se do fato de que, em Ciências Humanas, o número de variáveis é muito maior que o presente nas mais complexas equações matemáticas.

Segundo eles, o conforto proporcionado pela tecnologia, embora valoroso e logicamente muito conveniente, tem conseqüências sérias e que tendem a perpetuar a si mesmas.

Não se trata de parar de ler esse texto e ir quebrar o aparelho de DVD mais próximo ou ser um ativista “anti-ar-condicionados”, mas sim de se recostar e continuar lendo e questionando tudo o que está escrito, tendo em mente que temos a conveniente tendência de concordarmos com nossas próprias opiniões.

Em dado momento, o que hoje chamamos de Tecnologia não era senão o estudo da técnica ou um reduzido conjunto de técnicas. O impacto desta panacéia – deste “remédio para todos os males” – era então bem menor que aquele empreendido nos últimos séculos, em que este conjunto de técnicas se tornou tão colossal.

Hoje muitos dos frutos da Tecnologia só podem existir graças a terem envolvido um conjunto de técnicas vertiginoso, um grupo de pessoas enorme e uma movimentação econômica descomunal. Não seríamos capazes de construir sozinhos, ou com a ajuda de todo o pessoal do condomínio, um alto percentual dos aparelhos e até dos móveis que temos em casa.

Sem as incontáveis linhas de montagem que nos proporcionam todo nosso conforto, talvez sequer conseguiríamos sobreviver. Afinal, não sabemos mais construir o que nos oferece o parâmetro de conforto ao qual nos acostumamos; na verdade nem mesmo nos lembramo o que outrora se sabia acerca de como conseguir sobreviver sem esse conforto todo.

O conforto é uma coisa perigosa... por mais abrasivo que seja o mundo a nossa volta, por mais que o ar condicionado, o ventilador, o aquecedor ou o automóvel nos protejam da realidade, proteger-se da realidade é - sob muitos aspectos - se afastar dela.

De diversas formas, afastar-se da realidade através da Tecnologia - a qual se tem acesso graças a quantidade de dinheiro que se tem - é se distanciar da realidade de que não são 170 milhões de brasileiros que tem acesso a mesma Tecnologia... muito menos as 6 bilhões de pessoas do planeta.

"Mas vamos lá" - diriam alguns colegas meus - “De novo, sem demagogia!”.

E ainda assim, o conforto é uma coisa perigosa... André Gregory conta que sua mãe conhecia uma das mulheres mais ricas do mundo, uma tal Lady Hatfield, que não gostava de nada além de frango. Por puro conforto ela passou, portanto, a comer apenas frango. Pois bem, segundo André Gregory ela morreu de inanição graças ao fato de, embora seu corpo estar faminto por nutrientes, ela estar ocupada demais sendo feliz ao comer apenas frango.

Verdade ou não, é uma bela alegoria da questão levantada por esses acadêmicos.

A Tecnologia vêm nos oferecendo cada vez mais, cada vez com mais eficiência e, no processo, influenciando nossos valores e o valor que damos para as coisas. Não precisamos ouvir música ao vivo, basta tocar um mp3; não precisamos de frutas para fazer um suco, basta comprar de caixinha; não precisamos ler livros, basta ler o resumo na internet; não precisamos questionar a existência ou não de um Deus, basta escolher se vai acreditar ou não.

Os valores que fomos adquirindo, graças a nos acostumarmos com o conforto que pode ser proporcionado pela Tecnologia e suas conseqüências, nos fez perverter nossos valores para uma condição de viver para o prazer, viver para conseguir mais conforto, viver para adquirir mais Tecnologia.

Valores outrora promovidos pela Igreja Católica e diversas outras religiões do mundo foram sendo convenientemente chamados de radicais e colocados em segundo plano. A moral secular - aquela passada de pais não religiosos para seus filhos - sofreu da mesma forma, tendo de se adaptar aos novos tempos.

A Ciência não só havia dado a luz à grande parte do que hoje entendemos por Tecnologia, mas se emparelhava com os novos valores orientados à eficiência e a noção cartesiana de que a soma das Partes é Igual ao Todo. A escolha mais natural estava feita para a civilização, cada vez mais globalizada através da Tecnologia da Comunicação de Massa: o "Cânone Científico".

Diferente do exercício da Filosofia – responsável por seu nascimento e pelo nascimento de diversas outras escolas filosóficas – a Ciência era capaz de observar o Universo através de uma janela mais estreita, construída a partir de “materiais” mas palpáveis e de mais fácil compreensão... dando ao Homem a idéia de que ele só precisava acreditar na existência do que era detectável e quantificável, sem sequer ter de ponderar para além do que havia sido decidido que não existia ou que provavelmente não existia.

Uma visão dura acerca da Ciência? Uma visão falaciosa da Tecnologia? Talvez... mas ainda assim um conjunto de questionamentos que vêm cozinhando há muito tempo nos meios acadêmicos.

Não se trata de achar que a Ciência e a Tecnologia são nocivas e devem ser esquecidas, mas de perceber que ferramentas devem ser usadas de acordo com os requisitos do trabalho a ser empreendido. E é trabalho tanto da Comunidade Científica quanto de outras instituições, descobrir os limites da Ciência.

É preciso pensar sobretudo, acerca das questões morais, éticas e dos impactos sociais impostos pelos caminhos oferecidos e empreendidos pela Tecnologia.

O que está sendo apontado, afinal, é que o Homem descobriu ter um problema hormonal e que esta é a causa de sua obesidade. O que ele faz? Uma operação de estômago, resolvendo assim sua obesidade e permanecendo com o problema hormonal, cujas repercussões são menos óbvias, mas persistem.

Será este o mundo que queremos para nós?

Ao longo de todo o texto, Jessica Rabbit, atraente e sensual, acompanhou a sua leitura, entretanto sua presença fez pouco mais que desviar sua atenção e até confundí-lo um pouco. Quem viu um sentido, parabéns. Até o momento eu não havia pensado nisso.

Ela bem poderia, contudo, ser uma alegoria do conforto que a Tecnologia nos oferece, a despeito de ser pouco mais que um reflexo da imaginação humana e guardar menos relação do que se pode imaginar, com o que está a sua volta. Em suma... um mero sintoma.

Dito isso, quem chegou até aqui talvez tenha percebido que o escrevi de forma mais coloquial que de costume, concentrando-me em prender mais a atenção do leitor médio e convidando-o muito mais a entender cada um dos parágrafos, sem a necessidade de refletir muito acerca deles, ainda que se trate de um assunto difícil e controverso.

No meu entender, um texto é um texto tanto quanto um quadro é um quadro, e há obras que atendem a uma quantidade maior de pessoas e outras que afugentam àqueles que procuram o que é mais óbvio e mais fácil.

Meu texto tem propostas intrínsecas a serem identificadas ou ignoradas, a meu ver, o rebuscar das palavras enriquece a cultura do leitor, pede maior reflexão no durar da leitura e faz uso de palavras que condensam conceitos sofisticados que merecem a pesquisa individual.

Venho até sendo criticado por algumas pessoas pela forma que dou ao meu discurso e , embora até tenha muito a dizer acerca do assunto, creio que os parágrafos acima dizem tudo:

Parece-me que querer o caminho mais fácil e mais confortável pode ser parte do problema...

...e não parte da solução.


Postado por baccioly em 12:54 PM | Comentários (4)

fevereiro 18, 2005

Ilustrando em Revista

Exposição em São Paulo reúne ilustrações de 178 artistas que rechearam publicações da Editora Abril desde 1971 com desenhos, colagens, pinturas e esculturas.

Uma iniciativa do Clube de Arte da Editora Abril, a exposição Ilustrando em Revista tem como curador Alceu Nunes – diretor de arte da Superinteressante – e é um prato cheio para Projetistas Gráficos interessados em visitar a história recente do país através de gravuras de personalidades como Ziraldo, Aldemir Martins e Zaragoza.

Segundo os organizadores, profissionais da área poderão levar seus portfólios, que serão avaliados e comentados pelos diretores de arte da editora, bem como conversar com eles e com os ilustradores presentes nos happy hours que estão espalhados pela programação do evento.

Estão previstas ainda Palestras, onde serão discutidos a importância do Design Gráfico e da Ilustração, além de Workshops onde, aqueles que se inscreverem e forem selecionados, poderão aprender acerca de desenho, HQ, trabalho com 3D, entre outros assuntos.

Para inscreverem-se, os candidatos devem enviar um e-mail para o "Ilustrando em Revista", contendo nome, telefone, e-mail de contato, RG, CPF, formação acadêmica e sua opção de Workshops. Deve estar anexado um currículo do candidato, bem como uma amostra de seu trabalho, em formato JPEG – a 72dpi e 1024x768pixels – para que sejam elegíveis para a pré-seleção.

Trata-se de uma ótima oportunidade para quem trabalha na área ou ainda está estudando e, com certeza, não deixará a desejar para aqueles que apenas gostam de olhar belas gravuras, mordazes ilustrações e magníficas obras que ilustraram a história brasileira através das páginas das revistas da Editora Abril.

A exposição terá lugar no Museu de Arte Brasileira da FAAPFundação Armando Álvares Penteado e o endereço é:

Rua Alagoas, 903, Higienópolis
tel. 3662-7000, r. 1133 e 1532.

Avaliação de Portfólio

26 de Fevereiro de 2005 - 12:00-14:00
Avaliação de Portfólio com Diretores de Arte da Editora Abril

05 de Março de 2005 - 12:00-14:00
Avaliação de Portfólio com Diretores de Arte da Editora Abril

09 de Março de 2005 - 12:00-14:00
Avaliação de Portfólio com Diretores de Arte da Editora Abril

12 de Março de 2005 - 12:00-14:00
Avaliação de Portfólio com Diretores de Arte da Editora Abril


Palestras - Auditório 1 - FAAP

01 de Março de 2005 - 19:00-20:30
A Ilustração e a Revista    Carlos Grassetti - Diretor de Arte da Secretaria Editorial

02 de Março de 2005 - 19:00-20:30
Designers que Ilustram
   Alê Kalko - Diretora de Arte
   Bruno D'Ângelo - Diretor de Arte de Quatro Rodas

03 de Março de 2005 - 19:00-20:30
Imagens em Ação
   Luiz Iria - Infografista Aventuras na História

10 de Março de 2005 - 19:00-20:30
Ilustração e Design
   Alceu Nunes - Diretor de Arte da Superinteressante
   Cacau Tyla - Diretora de Arte de Recreio e Presidente do Clube de Arte
   Rodrigo Maroja - Editor de arte da Info OnLine


Happy Hour - Salão Cultural FAAP

22 de Fevereiro de 2005 - 19:00-20:30
Rogério Borges e Milton Rodrigues

23 de Fevereiro de 2005 - 19:00-20:30
Bruno D'Ângelo, Kako, Fabio Moon e Gabriel Bá

24 de Fevereiro de 2005 - 19:00-20:30
Rogério Nunes e Carlos Giovani

25 de Fevereiro de 2005 - 19:00-20:30
Estúdio Mol e Fernanda Guedes

04 de Março de 2005 - 19:00-20:30
Renato Alarcão, Montalvo e Cárcamo

08 de Março de 2005 - 19:00-20:30
Rico Lins


Workshops

23 de Fevereiro de 2005 - 14:00-18:00
3D Digital - Jubran (15 alunos)

24 de Fevereiro de 2005 - 14:00-18:00
Texto e Ilustração para Composição Editorial - Rogério Nunes (12 alunos)

25 de Fevereiro de 2005 - 14:00-18:00
Traços Femininos: Forma e Movimento - Estúdio Mol (15 alunos)

26 de Fevereiro de 2005 - 14:00-18:00
Técnica de Pastel Avançada - Marcelo Gomes (9 alunos)

02 de Março de 2005 - 14:00-17:00
Ilustração em Photoshop - Montalvo (15 alunos)

04 de Março de 2005 - 14:00-18:00
Diário Gráfico - Renato Alarcão (9 alunos)

05 de Março de 2005 - 14:00-18:00
HQ - Sam Hart, Bruno e Kako, Fábio e Gabriel (27 alunos)

12 de Março de 2005 - 14:00-18:00
Criação de Personagens em Papel - Carlo Giovani (15 alunos)


Dados retirados do site Ilustrando em Revista.

Postado por baccioly em 07:27 PM | Comentários (1)

fevereiro 17, 2005

Lomografia

Contra-intuitiva, expressiva, divertida e nada elitista, a Lomografia surgiu no início da década de 80 com o lançamento da câmera soviética Lomo LC-A, enriquecendo o universo da arte pop e alargando os horizontes da expressão através da fotografia.

Os próprios requisitos de projeto da câmera apontavam para algo bem simples e de qualidade nada profissional. O objetivo era colocar no mercado uma máquina relativamente confiável e de preço acessível para que todo cidadão russo pudesse adquirir.

Quando as máquinas asiáticas começaram a invadir o mercado a preços mais baixos ainda o produto deixou de ter sentido. Em 1991, contudo, quando um grupo de estudantes vienenses adquiriu algumas LC-As, ficaram surpresos com os resultados cheios de personalidade que conseguiram em suas férias. Um movimento nasceu e foi fundada a Lomographic Society, que alastrou o fenômeno através de “Embaixadas Lomo” que começaram a aparecer em toda parte do mundo.

Eventos como o Lomografic World Conference, de 1997, vêm popularizando cada vez mais a Lomografia e, já em fins da década de 90, a Lomographic Society International lançou a Actionsampler, uma máquina Lomo capaz de tirar quatro poses em uma única foto, tentando enriquecer mais ainda o mundo da Lomografia.

O campo para o crescimento da Lomografia é grande, sobretudo não se tratando de uma técnica rigorosa de fotografia que prime pela precisão e estilo, mas uma forma de expressão popular, com o uso de máquinas de baixo custo e ênfase na espontaneidade.

A câmera, na Lomografia, é uma extensão do próprio corpo, uma parte do Lomógrafo, uma espécie de retorno à não especialização e à uma forma de glamourização do amadorismo. Não é atoa que as 10 Regras de Ouro da Lomografia sugerem uma maior liberdade criativa e metodológica.

"As 10 Regras de Ouro da Lomografia" promovem o rompimento com a tradicional cultura fotográfica. E se você nunca teve um treinamento clássico em Fotografia, elas garantem que você esqueça tudo aquilo que nunca quis saber.

O que pode bem ter sido uma mera jogada de marketing então, pode se tornar uma nova forma de expressão, elevando equipamentos de qualidade duvidosa ao status de viabilizadores da arte popular.

Diante da safra de péssimas câmeras digitais acopladas à celulares, não é difícil cogitar a criação de uma proposta como a da Lomografia, que leve menos a sério os atributos do equipamento e mais a sério o pontencial da forma de expressão.

Que tal, digamos, "As 10 Regras de Ouro da Celulografia"?



As 10 Regras de Ouro da Lomografia


1. "Leve sua câmera a todo lugar que for"
Na cama, no parque, no avião ou na lavanderia: você pega sua câmera e tudo começa a se transformar. Esteja sempre alerta, mantenha sua câmera ao alcance das mãos em todo lugar e a todo tempo.



2. "Use-a a todo momento - dia e noite"
Todo segundo do dia tem sua iluminação peculiar, acinzentada, colorida, suave, profunda, forte. Sua vida não vai esperar por sua câmera. A cada clique você capturou o que se deu ou não.



3. "A Lomografia não é uma interferência em sua vida, mas uma parte dela"
A Lomografia não interrompe a direção em que sua vida segue, mas faz parte de uma parcela significativa dela, se tornando tão importante como falar, dormir, comer, andar, pensar, beber, rir e amar. A Lomografia é um sinal poderoso de que você está vivo!



4. "Tente `bater dos quadris´!"
É tão simples como diferente: você não precisa olhar pelo visor para tirar uma boa foto. Ao contrário! Dê a si mesmo a chance de descobrir uma nova perspectiva. Segurando a câmera acima da cabeça, à sua frente ou às costas. Nada de limites, apenas sua experiência somada a um pouco de sorte.



5. "Aproxime-se tanto quanto possível de seu objeto lomográfico de desejo"
Bata suas fotos de perto, com um girar do pulso, enquanto olha profundamente nos olhos de quem quer que seja. Sorria, ria, seja feliz enquanto a Lomografia se expressa através de você.



6. "Não pense"
Esqueça os problemas, relaxe, respire, pegue sua câmera e vá para as ruas! Lomografe, viva e se divirta!



7. "Seja rápido"
Um mero décimo de segundo faz a diferença entre Lomografia e não-Lomografia. Não perca tempo com configurações, ajustes, firulas ou delongas. As primeiras impressões tem uma qualidade única. Confie em si mesmo.



8. "Você não precisa saber o que Lomografou"
Dê chance à aleatoriedade. Aproveite-se da alternativa de viver com o imponderável. Você não vive para a Lomografia, a Lomografia existe para você! A Lomografia só é legítima se você se concentrar em celebrar sua vida.



9. "Até mesmo no futuro"
Onde estava ao lomografar, o que lomografou, nada disso é importante. Conserve a mesma atitude que teve ao lomografar. Leia nas entrelinhas da lomografia.



10. "Não se preocupe com as regras"
Esqueça as regras de ouro - descubra a sua Lomografia e tente imergir no que se passa. Faça e faça como quiser, mas faça agora!




Postado por baccioly em 11:56 PM | Comentários (7)

fevereiro 16, 2005

Aventuras na História

Mesmo quem não conhece nada acerca de História, vai entender porque "Aventuras na História" é uma revista tão conceituada. Recém ganhadora do Prêmio Esso de 2004, por seu trabalho em Criação Gráfica, a revista vem mantendo uma qualidade ímpar no uso ousado e criterioso de diagramação, arte e fotografia para passar informação.

Quem ainda não leu e gosta de história devia ir à banca mais próxima o mais rápido possível o adquirir um exemplar. O texto é claro, bem cuidado e a redação e arte preocupada em manter-se interessante e instigante.

Além das muito bem feitas reportagens, a revista aponta, em cada reportagem, para fontes bibliográficas e livros nos quais mais informações podem ser conseguidas - o que é ótimo para estudantes e curiosos.

Não ficando apenas nos longos textos, a revista acha o lado divertido da História, disponibilizando várias sessões interessantes acerca da origem de frases, palavras, costumes e conceitos.

Trata-se de uma revista rara, no meio de tanta bobagem, sobretudo se você se interessa por história e não sabe por onde começar.

A Editora Abril oferece ainda toda uma gama de produtos associados aos temas, o que é muito bem explorado nas reportagens, através de quadros que explicam em quanto tais produtos se relacionam com o assunto.

Nas últimas páginas a revista trás ainda uma série de links muito úteis para os que costumam usar a Internet como fonte de pesquisa, como os endereços do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, A vida dos Jesuítas - dos arquivos da Biblioteca Nacional Portuguesa - e de fontes de pesquisa como o "Liberdade, Igualdade e Fraternidade - Explorando a Revolução Francesa".

Não há protestos a serem feitos a qualidade ou ao conteúdo. É uma das poucas revistas que eu assino... e eu assino embaixo.


Postado por baccioly em 12:56 AM | Comentários (0)

fevereiro 14, 2005

"A Vila"

Subestimado e incompreendido, "A Vila" faz juz a genialidade de M.Night Shyamalan, se apresentando aos espectadores como mero suspense, pungente crítica política ou denúncia da arrogência humana...

...e por aí eu seguiria sem parar, em minha análise tardia – já que não vi o filme no cinema.

E cá estou eu, mais uma vez, defendendo como interessante algo de que pouca gente de fato gostou.

Para quem ainda não entendeu, acho bastante irrelevante se alguém gosta ou não de uma obra - ao menos do ponto de vista da obra. A obra está lá e só vamos aprender alguma coisa com ela se pudermos, quisermos e nos dispusermos a isso. Se ninguém colocar os olhos sobre a obra ainda assim ela existirá.

Deste ponto de vista a obra é quase um acidente geográfico... Olhamos para um afloramento rochoso de dois metros de altura sozinho numa clareira, com árvores a toda sua volta e, de repente, vemos apenas um afloramento rochoso de dois metros de altura sozinho numa clareira, com árvores a toda sua volta.

Um geólogo talvez visse ali algo mais que isso; um físico, por outro lado, talvez interpretasse aquilo de uma forma diferente; um poeta talvez fizesse analogia disso com a solidão do homem; um ufólogo poderia ver ali a possibilidade de intervenção alienígena; e um antropólogo, quem sabe, poderia traçar um paralelo entre a formação e Stonehenge.

Em “A Vila”, Shyamalan conserva seu gosto pela sensação de iminência de desastre, nos deixando sempre a espera de mais uma evidência criptica do que vem a seguir, em nome da história mais rasa, e do significado inconspícuo – fortuito ou não – que cada uma destas evidências de fato guardam.

O filme me pareceu ter sido vendido como filme de terror, à época, e aí está a beleza de pegar o filme em DVD sem sequer ler sinopse – prática que eu sugiro para quem nunca o fez.

Parece-me que alguns autores são refratários a trailers e sinopses. Quase todo filme de Shyamalan acaba sendo vendido de forma a criar expectativas completamente descabidas, o que aconteceu com “Sinais” e com “Corpo Fechado”, por exemplo.

Ver chamadas, na TV ou no Cinema, de filmes de autores como Lars Von Trier – de “Dogville”; ou Charlie Kaufman – de “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, por exemplo, tem se mostrado uma tarefa impossível para quem ganha a bolada de marketing destes filmes.

Sequer esbarrando nas “sagradas” intenções do autor – e sem querer contar nada do filme – vale ver o filme como algo mais que um brinquedo, como algo feito para meramente entreter o espectador e dar a chance para o filme colocar a velha massa cinzenta para funcionar.

“A Vila” é um filme rico em interpretações que vão além da leitura rasa do que se passa na tela, fornecendo uma redução conveniente, que ajuda a explicar a forma pela qual o cidadão é manipulado na sociedade; que nos permite traduzi-lo numa constatação da condição humana, de levar seus problemas para onde vão, independente de sua intenções; ou mesmo para justificar a estupidez e inépcia do poder público, identificando conseqüências de sua atitude e suas mentiras.

O filme coloca diante do expectador – através de arquétipos bem definidos, ameaças iminentes e mentiras bem intencionadas – um quadro profundamente semelhante àquele que vemos todos os dias...

...A estrada para o inferno é pavimentada de boas – e más – intenções.


Postado por baccioly em 07:59 PM | Comentários (12)

fevereiro 13, 2005

Festa da Carne sem Carne

Ao sopé da Serra da Mantiqueira, a 20 quilômetros de Pindamonhangaba, se localiza um verdadeiro paraíso de paz, alegria e beleza. Onde mais eu poderia passar meu carnaval?

Se não me engano foram uns 16 anos desde que eu e meu irmão Paulo de Albuquerque fomos ao já extinto templo Hare KrshnaHoje na Rua Vilhena de Morais, 309, Barra da Tijuca. do bairro da Glória.

Lembro-me que o lugar era absolutamente adorável e que era difícil não simpatizar tanto com os tranquilos devotos quanto com o movimento em si.

Naquela época estudava muito acerca das religiões, seu papel na sociedade e sua importância para o indivíduo. Não sendo eu mesmo religioso, era complicado para alguns devotos de outras religiões não acharem um tanto incômoda a minha presença, entretanto nada disso parecia importar para os Hare Krshna.

Aprendi muito na leitura do segundo livro mais traduzido do mundo, o Bhagavad-Gita, como aprendi muito ao ler a Bíblia.

À época eu ouvira falar de Nova Gokula, entretanto não imaginava que algum dia teria a oportunidade de visitar o lugar.

Nova Gokula é uma comunidade na qual os devotos constroem suas casas e desfrutam, com suas famílias, de uma "vida simples com pensamento elevado" - como eles mesmos diriam. Trata-se de uma vila de devotos residentes dentro de um terreno belíssimo que se integra a área de proteção ambiental da Serra da Mantiqueira e que dá lugar aos belos ritos praticados por eles no magnífico tempo erigido em honra a Krshna.

Eu e Débora - que comemorou o aniversário lá mesmo - tivemos a oportunidade de ficar em um chalé distante dos outros, de frente para um lago, ao lado de um rio e de costas para um bosque. Para chegar ao chalé era preciso cruzar uma pequena ponte e, de noite, só a luz da Lua e das estrelas iluminava nosso caminho.

Havíamos fechado um pacote de viagem que incluía palestras, aulas de Yoga, instruções de meditação de diferentes tradições e toda sorte de outras diferentes atividades envolvendo Ayurveda, Xamanismo e muitas outras práticas e religiões com as quais tínhamos ou não afinidade ou curiosidade.

Apesar do perfil Nova EraNew Age: diz-se do comportamento de um grupo de pessoas que se dedica a prática de ritos ou cultos místicos de outras culturas ou da própria, sem distinções. do passeio, quem me conhece um pouco mais – ou lê este blog de vez em quando - sabe que respeito profundamente tradições religiosas, filosóficas ou científicas, identificando nelas mérito em vários níveis e entendendo como irrelevante as indisposições individuais minhas ou de qualquer um para com tais tradições.

O fato é que foi uma delícia passar estes cinco dias lá, foi maravilhoso comer da comida lacto-vegetariana condimentada que aquela gente simpática fazia para nós e foi fantástico praticar Yoga e Meditação no chão de um dos templos que nos cederam para usar, enquanto o Sol despontava por detrás das montanhas e a brisa da manhã nos fazia sorrir sem sentir.

Enquanto fazíamos os AsanasPosições ou exercícios usados na prática de Yoga, pavões andavam pelo gramado e, volta e meia, um bezerrinho resolvia se deitar para admirar aquela gente louca e suas macaquices.

Foi um carnaval de sonho e longe de tudo – nada que o Band Folia
Sim... eles mesmos!
não tenha tentado estragar ao querer entrevistar pessoas no meio da prática de Yoga (acreditem!) – e um exercício de desapego que abraçamos com deleite e tranqüilidade.

Fotos? Bom... levamos a câmera, mas esquecemos o módulo de memória CompactFlash, o que não nos permitiu fotografar. Mas, depois dessa injeção de paz de espírito e hospitalidade, fiz as pazes com a câmera do meu celular sem sinal e tirei umas poucas poses. Ok, ficaram mesmo parecendo aquelas fotos desfocadas que tiram de discos voadores e nada se vê. Prometo voltar lá com uma máquina fotográfica melhor!


Postado por baccioly em 10:37 AM | Comentários (0)

fevereiro 12, 2005

A tal da Natureza Humana

Em mais um presunçoso debate acerca do Homem, do mundo e das coisas, eu, Cristiano Dias e Eduardo Gouveia, passeávamos por Tecnologia, Ciência, Filosofia e tudo mais sobre o que o construímos nossa realidade...

Foi à forma determinista pela qual abraçamos um ou outro aspecto desta disciplina que chamei de “remendos na barragem”... um comportamento que me parece crônico nos dia de hoje, em que não costumamos questionar as premissas do que fazemos, seguindo na construção de coisas por sobre fundamentos crescentemente duvidosos.

Minha preocupação não é meramente prática. Não me importa tanto se as coisas “poderiam ser piores”, mas se as coisas poderiam ser melhores!

Entendo o questionamento como uma atividade legitimada em si mesma e a reflexão pura como algo que não deve ser desqualificado de ante-mão, sob o preço de reduzirmos questões a meros resultados práticos de curto e médio prazo.

Cristiano Dias levantou o fato de que, historicamente, uma espécie de Darwinismo Social – uma hipotética curva antropológica – forçasse o Homem a evoluir sempre a passos pequenos, até um momento de ruptura, quando uma nova realidade se sobrepõe a anterior.

Trata-se de uma magnificamente elaborada racionalização em cima de algo que de fato ocorreu e vem ocorrendo ao longo de toda a história humana e, talvez, a melhor forma que eu já tenha visto de se dizer: “É a Natureza Humana... o que se há de fazer?”

O mérito da teoria é inequívoca, como o mérito do próprio Darwinismo, do Lamarquismo e (por que não dizer?) do Criacionismo – e aqui, provavelmente, só os Protestantes e Evangélicos iriam concordar.

Parece-me haver estreita relação entre nossa insegurança em não ter controle sobre as coisas, as pessoas e os acontecimentos e nossa obsessão em conseguir respostas, no lugar de continuamente investigar a VerdadeAqui expressa como a diferença entre a realidade que é percebida pelo Homem e o Real, que talvez exista para além da percepção do Homem..

Esta insegurança e obsessão por controle me parece impelir-nos a, após fazer sensoAqui colocado no sentido de teorizar explicações em cima de evidências empiricamente coletadas ou intuídas. das coisas, independente da qualidade das evidências em favor de nossas impressões, concentramo-nos em perpetuar, a todo custo, tais opiniões, construindo castelos de novas opiniões cada vez mais altos sobre estes alicerces de confiabilidade duvidosa.

Seguindo esta linha de raciocínio, procuramos algo que justifique a realidade percebida, segundo nossos termos, para então defender esta justificativa com unhas e dentes, tentando identificar uma ponderabilidade que talvez sequer exista.

No processo, acabamos não questionando nossos conceitos – ou preconceitos – preferindo as nossas confortáveis justificativas à trabalhosa busca por respostas alternativas.

Antes que, novamente, alguém puxe a carta da “Natureza Humana” para justificar tal comportamento e ir de encontro ao que coloquei na mesa, vale perguntarmo-nos se isso não é um reflexo do nosso tempo, de nossos meios de produção e da forma que demos a nossa civilização – entendendo aí, possivelmente, até 3000 anos de evolução ocidental.

Vivemos em um mundo onde as pessoas têm pouco ou nenhum tempo para o crescimento pessoal, para o questionamento moral ou aquisição de conhecimento; um mundo onde a formação acadêmica e profissional é altamente especializada e orientada à resultados, à eficiência e à objetividade; um mundo onde cada indivíduo tem formação tão diversa da de seus semelhantes que sequer é capaz de compreender o que fazem, o que os move e o porquê de pensarem de determinada forma.

Há ainda uma profunda estratificação cultural e social, uma preocupante concentração de renda e uma conseqüente indiferença com os porquês do que ocorre em lugares diferentes daqueles em que se vive.

Somando essa realidade à noção de que a GlobalizaçãoEm Política: Política nacional que vê no mundo inteiro uma esfera propícia de influência política; internacionalismo, imperialismo (Houaiss) e a Convergência CulturalTendência para aproximação cultural do indivíduo, grupo ou povo para fins comuns ou não, se adaptando a uma cultura predominante ou às culturas envolvidas retirando traços significativos – sejam eles lingüísticos, artísticos, ideológicos etc. é intrinsecamente benéfica, se não necessária, um pesadelo OrwellianoRefere-se a George Orwell – autor de “1984”. se descortina.

Só pensamos no futuro impelidos pela necessidade de adquirir melhores resultados, com a maior eficiência possível, com um tempo para reflexão tão menor quanto conseguirmos, sacrificando a qualidade de nossas decisões.

Olhando para trás, então, identificamos decisões de qualidade, na melhor das hipóteses, sofríveis, sem jamais questionar as premissas que nos levaram a conseguir tão lamentável resultado, até porque não devemos gastar nosso precioso tempo com o que já passou.

O controle foi perdido no momento em que nos comprometemos, a todo custo, com tais premissas, entretanto nos agarramos a este cânonePor extensão de sentido: Maneira de agir; modelo, padrão. sócio-cultural como nos agarramos às tais respostas às quais chegamos de forma tão leviana. E tudo isso para não perdermos um controle que nunca tivemos.

É uma relação neurótica com um construtoConstrução puramente mental, criada a partir de elementos mais simples, para ser parte de uma teoria. frágil, que evoluiu em cima de um alicerce comprometido ao longo do tempo que permitimos que evoluísse.

Tentamos defender nosso modus vivendiModo de viver, de conviver, de sobreviver. a todo momento, como alguém recém desperto de um sonho bom e que passa feliz o resto do dia sem bem saber o porquê... ou como um animal de corte, feliz por comer uma farta refeição, ignorante da morte iminente.

”A lei da natureza era o Caos: O Homem sonhou com a Ordem”, disse o historiador americano Henry Brooks Adams (1838-1918), e talvez isso ajude a elucidar a essência do questionamento proposto.

Criamos insistentemente racionalizações elaboradas para justificar nossos defeitos e os defeitos de nossos pequenos modelos. Douramos a pílula amarga pela qual somos responsáveis e fazemos isso não apenas para justificarmo-nos diante dos outros, mas diante de nós mesmos.

Todas as teorias, filosofias e ciências são exemplos clássicos desta necessidade humana em fazer senso do Universo. O que bem pode ser nossa maior qualidade pode igualmente ser nosso maior defeito, se insistirmos defender quaisquer destes cânones de forma absoluta, em detrimento do direito a Não Saber e Continuar Tentando.

A diversidade, em suma, não precisa existir apenas no âmbito social - através da diferença ou divergência entre indivíduos - mas também pode ser expressa na tolerância individual para com os demais cânones.

Mais que tolerância, a busca de um entendimento pode ser conseguida através do questionamento constante das próprias premissas, do questionamento sistemático do alicerce dos castelos que construímos em redor de nós mesmos.

O Sol, visto das janelas de outros castelos, erigidos sobre diferentes fundações, têm uma beleza própria. Aprender a bater nos portões sem tentar colocá-los abaixo pode ser um exercício edificante por si só.

Postado por baccioly em 04:47 AM | Comentários (0)

fevereiro 11, 2005

"Gosto Superior"

Livro de receitas? Eu não qualificaria exatamente assim... O livro, mesmo em sua versão pocket contém uma extensa introdução acerca do papel da carne e seu consumo em nossa sociedade, para além do que apreciamos e da nossa natureza.

E já que ainda não tive muito tempo para elaborar um texto acerca do meu carnaval, seguem alguns trechos de um livro que li há muitos anos e que foi muito importante para que eu compreendesse algumas coisas acerca de nosso modus vivendi.

Neste carnaval acabei encontrarndo um exemplar condensado, com menos da metade do número de páginas mas conservando o mesmo espírito educativo e profundamente objetivo de abordar a questão.

Comprei o pocket-book por R$ 2,00. Creio que foi muita sorte encontrar a este preço, mas o custo do livro condensado não deve sair por mais de R$ 4,00 na praça. O bônus são receitas lacto-vegetarianas deliciosas e fáceis de fazer.

Algumas passagens:

"De acordo com a informação compilada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, até 90% de todos os cereais produzidos nos Estados Unidos são utilizados para alimentar animais de corte - vacas, porcos, caprinos e galinhas - que acabam nas mesas de refeição."

"[...]conseguimos de volta apenas meio quilo de carne de gado para cada sete quilos de cereais."

"[...]para se cultivar meio quilo de trigo é necessário 27 litros de água, ao passo que a produção de meio quilo de carne requer entre 1125 e 2700 litros de água. [...] uma instalação para matar galinhas se utiliza de 378 milhões de litros de água por dia! Este mesmo volume poderia suprir uma cidade de 25 mil habitantes."

"Um estudo publicado em 'Plant Foods for Human Nutrition' revela que meio hectare de cereais produz cinco vezes mais proteínas que meio hectare de pastagem reservado à produção de carne. Meio hectare de espinafre 28 vezes mais proteína."

Para além de passagens como estas, o livro cita a "República", de Platão, onde, em debate com Glauco, argumenta que o uso mais inteligente do espaço e dos recursos naturais exige uma alimentação vegetariana.

Independente de gostar ou não de carne e concordar ou não com as abordagens da introdução - e com os motivos de quem escreveu o livro - creio ser interessante entrar em contato com outras abordagens da dieta do "homo-urbanus" e com a investigação dos motivos de nossa civilização para abraçar esta dieta.

Ao mencionar que sou vegetariano, escuto muito o termo "proteína animal", mas não consigo me esquecer das aulas de biologia no colégio, onde o professor dizia que células animais não sintetizam proteínas.

Não se trata mais apenas de discutir a questão Moral, ou a questão Saúde, mas a SustentabilidadePossibilidade real de dar continuidade a um determinado meio de fazer alguma coisa. deste way of life que estamos querendo perpetuar.

Por um ou por outro motivo, vale a pena dar uma folheada no livreto.



Vale a pena ainda comprar a revista Super Interessante
Edição 175, de Abril de 2002.
Clique aqui para ler um trecho da reportagem

Como comprar essa Super Interessante?
Coleção completa Super Interessante em CD

Para comprar apenas esta edição
solicite ao seu jornaleiro.
O preço será o da última edição em banca.

Postado por baccioly em 06:10 PM | Comentários (0)

fevereiro 10, 2005

Extra: O que é Tweel?

Mais torque, mais força, mais leveza! Não é um pássaro nem um avião... é a nova tecnologia da Michelin que promete substituir e tornar obsoletos os pneus radiais, substituindo-os por versões que não necessitam de ar!

E enquanto os motoristas de automóvel comemoram o fato de, possívelmente, nunca mais precisarem trocar pneus, pessoalmente estou mais interessado na maior segurança para os motoristas, no menor impacto ambiental, no benefício para deficientes físicos e no reflexo da tecnologia no transporte alternativo.

Tweel: Pneus sem ar

Postado por baccioly em 12:14 PM | Comentários (2)