junho 24, 2005

O próximo passo

Por mais que se tenha pisado na grama a vida toda, se um dia nos parecer importante, podemos passar a não fazê-lo.

Lembro-me que, quando era mais novo, eu não tinha medida para tomar Coca-Cola. Coca-Cola é um troço muito bom, gostoso mesmo. Eu, pelo menos, adoro. Na verdade, não existia Coca-Cola Light (nem Diet), na "minha época" e eu bebia em escala industrial!

Meus amigos lembram da quantidade de Coca-Cola que eu tomava, creio. A piada padrão era o impacto que seria nas ações da Coca-Cola se eu parasse de beber aquele líquido preto e borbulhante.

Mais tarde, já trabalhando, eu comprava uma caixa de uma dúzia por dia, para beber enquanto trabalhava.

A idade foi chegando e houve necessidade de reduzir o açúcar. Como já existia a Coca-Cola Light, tudo ficou mais fácil. Aconteceu também que notei que a própria taxa de consumo de Coca-Cola acabava me fazendo mal. Hoje, de um modo geral, almoço bebendo água com gás e só janto tomando Coca-Cola... e Light, claro...

Nem sempre Coca-Cola foi uma coisa tão trivial. Houve época em que a Coca-Cola foi um luxo. Era até bem carinha - se é que não é cara hoje. As garrafas eram de vidro e ter um litro à mesa era tudo. Duas Cocas na refeição? Não! Que exagero! Mais que dava para três pessoas!

Mas sabe como é criança... eu queria beber todas as quatro que davam sopa na geladeira - e que provavelmente iam durar a semana toda.

Recentemente vi na GNT um documentário que falava de uma pesquisa sobre comportamento infantil. Segundo a pesquisa, as crianças de menos de oito anos preferiam ganhar um bombom de imediato que dois após meia hora.

Outra pesquisa que vi, não sei onde, demonstrava que crianças de menos de quinze anos preferiam comer cinco docinhos em um dia que guardar para ter docinhos a semana toda. O triunfo da urgência do desejo sobre a prudência do planejamento.

Ver o fundo do pacote pode parecer estar dentro de nós... coisa de "natureza humana" e tal, mas no fim, afinal, a gente cresce, não?

Pois é...

Muita gente ainda vê questões ecológicas como coisa típica daquele pessoal que bem poderia bem entrar pra Amway ou que se amarra em polemizar - gente chata! Questões ecológicas, contudo, tem estreita relação com essa tal "natureza humana", a qual eu daria o nome de, digamos... "Imaturidade Logística".

A rigor, bombons são docinhos e docinhos são recursos. Adultos, supõe-se, se relacionam com recursos, de forma mais planejada. Eles se preocupam em armazenar, economizar e, enfim, criar um processo sustentável de manutenção da quantidade de bombons - e docinhos de um modo geral.

Muitos recursos por nós usados são renováveis, entretanto, a taxa de renovação dos recursos varia de recurso para recurso.

A má notícia é que estamos consumindo nossos recursos muito mais rápido que eles tem condição de se renovar...

...a boa, é que, se cada um de nós resolver usar só que realmente precisa, ao invés de usar do jeito que tem vontade, é possível reverter este quadro.

Papo chato... e por isso eu não vou entrar nele. Mas faz o seguinte: vai no site EcoFoot.org. Basta escolher seu país e língua e você descobre qual o tamanho da pegada que você tem deixado nesse planetinha que nos acolhe desde que nascemos até hoje.

Além de possivelmente ficar impressionado, é capaz de você passar a pensar duas vezes antes de dar o próximo passo por sobre o gramado de nossos recursos...

Faça agora o "Teste da Pegada"!


Postado por baccioly em 10:49 AM | Comentários (6)

junho 21, 2005

Fora de Foco

Um dos primeiros parabéns do dia veio por SMS. Daqueles parabéns que nos forçam a visita de um sorriso ao rosto. Veio por de um de meus mestres... de um grande amigo. E, por acaso, navegando por pastas de e-mail muito pouco navegadas, achei um de seus textos.

Recentemente fui bombardeado com filmes, livros, quadros, pinturas e situações no campo emocional e profissional que me deixaram profundamente desconcertado com a realidade.

Indisposições crônicas, com o meio, à parte, a sucessão de películas como "O Articulador", "Anti-Herói Americano", "Adaptação", "Quero ser John Malkovich", "Pi", "Brazil", "1984", "O Processo" - só pra falar de alguns dos filmes - não tem como não provocar uma ruptura com o entorno e uma "desconstrução do Harry" que há em mim.

O dia do envelhecer é um dia delicado... A soma de todos os dias desde o último aniversário... O único dia de chuva franca depois de tantos dias de Sol... 21 de Junho é, afinal, o dia que traz na bagagem o Inverno... Seria este o Inverno do meu descontentamento?

Quem sabe?

Seja como for, dou lugar - uma vez mais - às sábias palavras de Eduardo Gouveia que, creio eu, devia ser lido por mais gente!

"Minha vida é faminta de opções.
Alimento-me delas.
Vivo de devorá-las vorazmente, com fome de migalhas caídas ao chão.
Ancho abdome, corrompido pela saciedade dos devires extintos.
Não gozo pela vida que me escorre à farta pela garganta já sem gosto.
Gozo pela consumação de mais uma escolha, pelo esgotamento de uma possibilidade.
Respiro aliviado pela letra vencida, a vírgula já posta, a decisão tomada, o peso descido e digesto.
Subsisto, intangível estoque de renúncias, dádiva do compromisso que assumo com o que não escolhi.
Não fui e pronto! Não serei nunca mais. Não mais é preciso sê-lo.
Basta-me ter escolhido o que já fui. Vejamos logo o que ainda me cabe decidir.
Vivo mesmo é de esgotar possibilidades. Existir é escolher."
por Eduardo Augusto Gouveia dos Santos


Postado por baccioly em 09:01 AM | Comentários (1)

junho 17, 2005

Extra: Quadrinhos quadro a quadro

Estigmatizados por quem nunca leu e cultuados por quem teve acesso a obras de qualidade, as Histórias em Quadrinhos não só são defensáveis enquanto forma de expressão como vêm, cada vez mais, chamando a atenção.

Faz tempo que não escrevo e, neste pequeno post, dou lugar para o texto de um amigo. Conveniente e preguiçoso, eu sei, mas estarei mais que bem representado pelo responsável pelo RadarPoP.com.br e pelo já extinto Meninos, Eu Vi, Alexandre Maron.

Em seu texto, Alexandre Maron fala do trabalho que vem sendo desenvolvido por Scott McCloud, no sentido de popularizar e pesquisar novas propostas de linguagem dentro desta forma de expressão.

Particularmente fiquei profundamente bem impressionado com a profundidade de "Desvendando os Quadrinhos", de McCloud. Lembro mesmo de ter comentado com Maron de que se tratava de uma espécie de "Cosmos", e que o autor estava para os quadrinhos como Carl Sagan estava para a Cosmologia Cosmologia
Rubrica: astronomia.
Ramo da astronomia que estuda a estrutura e a evolução do universo em seu todo, preocupando-se tanto com a origem quanto com a evolução dele.
!

No livro, Scott McCloud usa a própria linguagem dos quadrinhos para explicar como funciona esta forma de expressão, analisando o fenômeno HQ do ponto de vista histórico, artístico e, no caminho, ensinando muito acerca de como os Quadrinhos - e seus Leitores - funcionam.

Para ler, clique em:
Quadrinhos quadro a quadro

Postado por baccioly em 04:43 PM | Comentários (0)