agosto 29, 2005

"Sete Minutos"

Um Macbeth interrompido, nos palcos do teatro, é pretexto para que Antônio Fagundes vire a mesa, denunciando o público sem pena enquanto conta um pouco da história do teatro, da realidade da televisão e da tristeza cabe nos sete minutos que nos restam.

Foi escrito certa vez - e repetido milhões de vezes - que "a vida é uma sombra que passa, uma história idiota, cheia de som e de fúria, contada por um louco... significando... nada!"

Insuspespeito, nas prateleiras da Blockbuster mais próxima de você, está um filme brasileiro que denuncia o problema que é a capacidade do novo espectador, derrubando a suposta quarta parede que existe entre o ator de teatro e aquele que o assiste. O filme, sem deixar de tentar investir contra o muro que se contruiu, faz troça do "jeito que as coisas são" para que o espectador veja na arte mais que entretenimento.

"Sete Minutos", em um texto inicialmente leve e cômico passa, quase que desapercebido, pelo fato de que desde pequenos somos programados para engolir o que nos torna os consumidores ideais.

O protesto externado no monólogo magnífico e acusativo de Antônio Fagundes - que pode até ser óbvio para muitos mas nunca deve deixar de ser exaltado em praça pública - finca os dentes da verdade na carne do cinismo e da apatia que cobre este corpo que se larga na cadeira diante das TVs a Cabo da vida.

Comprei o DVD sem mesmo pensar muito a respeito - pois gosto muito de surpresas - mas, para os que gostam de mais certezas na vida, recomendo o aluguel.

Se fosse apenas pelo monólogo já valeria a pena, mas não é. Numa linguagem aparentemente "Sai de Baixo", desde o início, a peça filmada acaba por peregrinar pelo terreno da crítica com desenvoltura e charme.

"É verdade, nós vivemos em um país desacostumado ao ato de pensar.

Nossa formação cultural está reduzida àquela dúzia de filmes americanos com sua fantástica linguagem traduzida em ação.

Nosso padrão de televisão, esperto, ágil e dinâmico, prende nossa atenção por, no máximo, sete minutos! O tempo aproximado de cada segmento, antes do intervalo comercial."

"Sete Minutos"
Escrito por Antônio Fagundes
Dirigido por Bibi Ferreira

Postado por baccioly em 12:13 AM | Comentários (10)

agosto 12, 2005

Trapiche Gamboa

Novidade deliciosa para mim, a casa foi inaugurada em fins de 2004, em um dos bairros de nascimento do samba, e transborda de charme do início ao fim da noite.

Com pé direito altíssimo e internamente devassado, ao entrar a gente se sente engolido por um outro mundo, uma espécie de micro-cidade cenográfica que lembra uma Santa Tereza embelezada, um cortiço festivo ou uma qualquer-coisa bela que tira o chão da gente.

Regados à Dom Cândido (R$ 24,00), tivemos a oportunidade de ouvir a performance do Gafieira da Lua - com Eduardo Galloti - que nunca deixa a desejar.

O charme do lugar fica ainda mais acentuado pela beleza das moças que, simpaticamente, são só sorrisos e vontade de se divertir na extensa pista de dança.

Os músicos, aliás, se dispõem diante da pista, sentados à volta de uma mesa em estilo colonial e brincando com os velhos amigos que, invariavelmente sentam perto deles para prestigiar os arautos de tantas noitadas maravilhosas.

Em termos do vil metal, ao contrário do que se poderia imaginar, a casa é até bem barata. São R$ 10,00 de entrada e cada garrafa de Brahma ou Skol custa razoáveis R$ 4,00. A capirinha de pitanga e as cachaças mineiras são bastante procuradas e os petiscos vão das tradicionais "fritas" aos pastéis e filés aperitivos.

O caldinho de feijão é bom de não querer mais parar de beber e o clima é envolvente demais, mesmo para aqueles que nunca freqüentaram lugares de Samba e Chorinho.

As mesas são confortáveis, os garçons educados e atenciosos, a freqüência não podia ser melhor, a decoração uma gracinha, a música sensacional. Até mesmo os banheiros são muito bem cuidados.

Vale aparecer por lá para dar uma olhada!

Programa da casa
Retirado do site: Samba-Choro.com.br
Agenda publicada em 12 de Agosto de 2005

Horário: Qua (21h) Qui (22h) Sex (22h) Sáb (22h)
Couvert: R$10,00
Consumação: Sem consumação
Endereço: Rua Sacadura Cabral, 155 (Gamboa) 2516-0868 Rio de Janeiro - RJ

Quartas
Grupo Gafieira da Lua - com Eduardo Galloti, Alfredo Del Penho, Pedro Hollanda, Samuel de Oliveira, Miro do Surdo e Serginho do Pandeiro.

Quintas
Grupo musical formado por Luciano (voz e tamborim), André Pressão (percursão e voz), Clevison (cavaco e voz), Papal (pandeiro e voz), Ricardo Galhardo (violão) e agora com o reforço do bandolinista Henry Lentino.

Sextas
Roda de samba - com Eduardo Gallotti (voz e cavaquinho), Marquinho Basílio (surdo), Paulinho Marques (violão) e Almir (pandeiro) e Eduardo Medrado (voz).

Sábados
Grupo Galocantô - com Rodrigo Carvalho (voz e percussão), Pablo Amaral (cavaco e voz), Marcelo Correia (violão de 7), Pedro Arêas (percussão e voz), Lula Matos (percussão e voz) e Léo Costinha (surdo).


Postado por baccioly em 01:47 PM | Comentários (1)

agosto 04, 2005

Tornando-nos Humanos

Produzido pela Universidade do Estado do Arizona, “Becoming Human” é um exemplo do potencial de comunicação da Internet, disponibilizando um documentário que usa imagens, música, locução e interação do usuário, para disponibilizar farta documentação acerca da teoria da evolução, recentes evidências e até o acesso às novidades sobre o tema na imprensa internacional.

Quando trabalhava com multimedia a noção de Internet era ainda uma criança de colo e ninguém a ela tinha acesso. Os CD-ROMs eram algo relativamente novo e considerados um efetivo meio de distribuir media rica, como textos formatados, áudio, animações e vídeo...

...a meu ver, pouca coisa boa foi realmente produzida na época – em termos de material útil, informativo, educativo e enriquecedor – com poucas exceções.

A Internet é muito bonitinha, até bastante útil, um tanto superestimada, mas nos dá condições para disponibilizar material de qualidade, acessível a partir de qualquer país sem maiores problemas de distribuição.

Donald C. Johanson é um dos mais renomados paleoantropologistas do mundo e dedicou os últimos 25 anos coletando, analisando e estudando fósseis com o objetivo de descobrir as origens do Homem.

Quando, em 1974, descobriu o mais antigo ancestral humano – batizado de Lucy e denominado Australopithecus Afarensis – Johanson provocou controvérsia na Comunidade Científica e, ainda jovem, ganhou fama e a oportunidade de fazer muito mais pelo estudo das origens do Homem.

O site, BecomingHuman.org apresenta um documentário em módulos, com belíssimas fotos, material de locução profundamente rico em conteúdo, diagramas elaborados, modelos tridimensionais interativos inéditos e jogos educativos com didática invejável.

O documentário em si pode ser visto em cinco diferentes etapas – Prólogo, Evidências, Anatomia, Linhagens e Cultura – cada uma delas com cerca de cinco à oito minutos, que podem ser acessados pelo clique na etapa ou mediante o uso de uma barra de progresso que pode ser facilmente acessada.

No durar da locução e das animações notas de “Learn More” são exibidas, permitindo ao espectador acessar conteúdo informativo adicional opcional sem prejudicar a narrativa do documentário.

É possível ainda acessar uma linha de tempo na região inferior da tela, que disponibiliza o mesmo material, independente do ponto em que se está no documentário.

Botões inferiores permitem ainda o acesso aos modelos tridimensionais dos crânios de hominídeos das linhagens registradas e dá acesso a um glossário, notícias e webSites relacionados ao tema.

Em um mar de inutilidades e futilidades, Becoming Human desponta como um centro cultural virtual, uma espécie de museu que, de fato, é interessante para jovens e adultos e mais rico e barato que uma produção do Discovery Channel.

Problemas? Sim... é em inglês. Mas sugiro que vejam ainda que tenham um inglês meramente razoável. Pois a locução é clara e o acesso aos controles de voltar e adiantar o filme são muito fáceis de usar.


Postado por baccioly em 03:53 PM | Comentários (1)