dezembro 30, 2005

Scientific American Brasil

É delicioso quando uma editora resolve lançar algo que, normalmente, outras editoras acreditam que jamais seria bem aceito pelo consumidor. Vendendo ou não vendendo lá estão elas, nas bancas, as edições especiais da Scientific American Brasil cobrindo a vida e obra de dois dos mais influentes escritores de ficção científica.

Ambas as revistas, em bom papel e encadernação acima da média são simplesmente o melhor material, vendido em bancas, que já tive a oportunidade de adquirir, acerca de Arthur C.Clarke – que é co-responsável por "2001: Uma Odisséia no Espaço"; e Isaac Asimov – criador das três leis da robótica e responsável póstumo pelos filmes “O Homem Bicentenário” e “Eu, Robô”.

A revista dedicada a Arthur C.Clarke cobre sua vida, suas conquistas, previsões, visões de futuro e faz justiça a sua genialidade. O texto, pessoal e bem escrito lembra que Clarke sempre sonhou com uma humanidade “conectada”, como uma “grande família conversadeira”; desenvolveu o conceito de Realidade Virtual em 1965 – em seu livro “A Cidade e as Estrelas”; foi ousado em criar complexas criaturas alienígenas ainda ininteligíveis para muitos leitores e espectadores de “2001” e “Encontro com Rama”; inventou o conceito de satélite em um artigo para uma revista (presente na edição) quando mais novo e acabou tendo uma órbita da terra batizada com seu nome.

O autor e sua metafísica do homem destituído de sentido senão em escala cósmica estão descritos em cada uma daquelas folhas e é dada a devida importância à tradição de literatura filosófico/pragmática de Clarke, que se desenrola na edição especial de 98 páginas ricamente ilustradas e bem redigidas.

A edição que fala do prolífico e brilhante Isaac Asimov não deixa nada a desejar, o que era de se esperar, uma vez que fala de uma figura responsável pela publicação de quase 500 livros e centenas de artigos científicos e contos de ficção. Asimov combatia apaixonadamente, através de seus personagens, a intolerância e o absolutismo, não se furtando a usar de toda licença poética na qual se podia agarrar para deixar de lado os almejos puristas do escritor típico de Hard Science Fiction e abraçando não tanto a premissa de suas histórias quanto a mensagem que tentava passar.

Em sua edição, a Scientific American Brasil, mostrou a que veio, acentuando o projeto ambicioso de Asimov em desenvolver uma cosmogonia humana de 25 mil anos de evolução; a preocupação com a divulgação científica através de um sem número de publicações – como o formidável “O Colapso do Universo”; inventou a estrela de Nêutrons antes de sua comprovação teórica; criou as três leis da robótica – um verdadeiro cânone da Ficção Científica – e as transgrediu sempre que possível; viveu e escreveu a vida, deixando saudade pelos mundos que criou para que neles navegássemos.

As publicações são absolutamente impecáveis - falo como fã e como consumidor - e creio que, mesmo quem não gosta de ficção científica, deveria adquiri-las para aumentar sua cultura geral e entender melhor como a esta forma de literatura marginal acertou tanto e influenciou tanto os dias de hoje.


Postado por baccioly em 07:09 PM | Comentários (0)