maio 25, 2006

"O Código DaVinci"

Poluído pela farta gama de opiniões contraditórias, fui ver o filme da forma mais isenta que consegui, somente para encontrar uma adaptação honesta, que tende ao literal e que, elegantemente, arrefece a sensação de hostilidade percebida, no livro, por alguns.


Já para início de conversa, o espectador inteligente deveria saber que o filme não é o livro e não precisa, necessariamente, guardar a quantidade de similaridades desejada por este ou por aquele entusiasta da obra original.

Dito isso, posso dizer que é uma das melhores adaptações de romence-produto-moderninho com o qual me deparei nos últimos anos. Quase tão boa, em manter-se honesta, quanto, por exemplo, "Contato", de Carl Sagan - filmado por Robert Zemeckis.

Não sei e não me importo se as mudanças nos pontos hostis e deterministas contra a Igreja Católica foram fruto de processos judiciais ou criativos.

Com um passo talvez rápido demais, o início do filme não se esforça muito para suspender a descrença do espectador, atirando-o numa seqüência de acontecimentos que o leva para o que - acho eu - é o ponto alto do filme (e do livro) - a deliciosa cena em que o apaixonado Leigh Teabin discorre acerca da natureza do Graal atacando a figura da Igreja Católica enquanto Robert Langdon (o protagonista) defende a Igreja de forma mais que competente.

As atuações de Tom Hanks e Ian McKellen estão magníficas - apesar de Hanks enfrentar poucos desafios, a não ser no meio e ao fim do filme. Os outros estão bem... mas devo mencionar Paul Bettany, que faz o albino Silas com maestria, mesmo tendo tido cortada boa parte da narrativa acerca de suas origens.

Diante de todas as polêmicas obstrusas elencadas por livros, programas jornalísticos e documentários, o que tenho a dizer é que fizeram muito barulho por nada. "Código DaVinci" mostra um Opus Dei inocente, infiltrado por um "Conselho Sombrio" de inimigos de um Priorado de Sião que o próprio Robert Langdon considera uma mentira!

Sobre o Priorado de Sião, tenho a dizer que ele é tão verdadeiro quanto qualquer sociedade secreta invocada em filmes e livros desde que se começou a fazer Romances.

Romance - Prosa, mais ou menos longa, na qual se narram fatos imaginários, às vezes inspirados em histórias reais, cujo centro de interesse pode estar no relato de aventuras, no estudo de costumes ou tipos psicológicos, na crítica social etc

Se a descrição do Priorado de Sião é precisa? Sim, é... se ele existir - o que é a premissa do filme, sabe? Que nem quando a gente tem uma premissa que estabelece que Kripton era um planetinhazinho que tinha um monte de pessoínhas e que foi destruído e tal, sabe?.

O suposto vilão não sendo a Igreja ou o Opus Dei - como é deixado claro o tempo todo! - sobra para o "Conselho Sombrio", poderia pensar o espectador... mas nem isso. No filme (e no livro!) o vilão sequer é o tal conselho, mas uma figura ainda mais sinistra, que nenhuma relação tem com qualquer destas entidades.

Os queimadores de livros e filmes deviam enfiar as tochas no lugar de onde elas nunca deveriam ter saído: de seus traseiros gordos que, inflamados, lhes deixam com essa carranca babaca de preconceito, intolerância e burrice!

Vá ver o filme! Se não leu o livro, leia!

É pura diversão, é fictício, descreve disciplinas e instituições que são notórias e ao mesmo tempo desconhecidas e - como afirma o próprio Langdon - divulga uma teoria polêmica e que já está sendo vendida em livros menos famosos (e menos divertidos) há décadas.

Tanto o romance como o filme têm um cheiro de "Indiana Jones" e um pouco de "Lara Croft", algo da série "Alias" e foi copiado, antes de sair no cinema, por "A Lenda do Tesouro Perdido", com Nicholas Cage, e por "Sahara", com Matthew McConaughey. Não tinha jeito... todo mundo sabia que o livro ia ser filmado, até o autor, que chega a descrever o personagem principal dizendo que se assemelhava ao Harrison Ford :-|

No fim, Dan Brown escreveu um livro que, enquanto livro, é um ótimo filme. Um filme que, aliás, vai estar nas prateleiras daqui dez anos, depois dessa polêmica jurídico-religiosa cretina e continuar interessante.

Ler um livro como este como se fosse uma teoria acadêmica já seria uma temeridade pelo fato de TODOS OS PERSONAGENS SEREM FICTÍCIOS e pelo fato de que EM NENHUM LUGAR ESTÁ ESCRITO QUE O LIVRO INTEIRO É FACTUAL, mas o que torna tudo mais insólito é ter tantos leitores, críticos, escritores, documentaristas e "especialistas", empenhados em tirar-lhe a credibilidade, processar judicialmente e difamar publicamente um autor de ficção por ele ter sido um documentarista irresponsável em seu românce ficcional!... O mesmo fenômeno estúpido se deu com alguns bocós quando da leitura de "Operação Cavalo de Tróia", mas como fez pouco sucesso, acéfalos e energúmenos de plantão continuaram coçando o saco no sofá defronte de seus televisores.

Testemunhando toda essa balbúrdia armada em torno de um mero comentário na contra-capa de um livro - que diz que as instituições ali descritas foram pesquisadas e suas descrições são precisas - fica mais fácil de entender porque tanta gente acredita piamente na literalidade de certos outros livros só pelo fato de, dentro deles, existir um textinho dizendo que o livro todo é verdadeiro.

Já quanto aos cabelos e ao penteado de Tom Hanks, gente, dá licença, mas me economizem! Faz tempo que não identifico observação mais irrelevante que essa!

Postado por baccioly em 02:15 AM | Comentários (6)

maio 19, 2006

Malvados

Sim, eles são maus e eles são feios, mas são adoráveis! O escárnio mordaz do nosso jeitinho medíocre de viver nos morde no trazeiro quando resolvemos visitar o webSite e rir de nós mesmos sem o menor pudor.

Pra variar enviado pela Lorena, minha fornecedora oficial de tirinhas sarcásticas, inteligentes e descontrutivas. :-)


Postado por baccioly em 10:57 PM | Comentários (6)