
A Editora Madras vem lançando repetidamente títulos voltados para a Filosofia e vem verificando que a disciplina provoca curiosidade - sobretudo quando se trata de material produzido com a coordenação de William Irwin.
Irwin é o grande responsável pela edição de títulos que exploram a Filosofia como raíz das questões mais corriqueiras, sobretudo fazendo uso da arte e da cultura pop como veículo para tornar tais fundamentos mais claros para o leigo.
Em obras anteriores, Irwin e sua equipe revisitou o filme "Matrix", a série "Seinfeld", a hexalogia "Star Wars", Harry Potter, a "Familia Soprano" e "Buffy, a Caca Vampiros". Tudo no mais didático espírito de que a Filosofia deve buscar as pessoas onde elas estão, para que estas a compreendam e percebam sua importância.
Em "Super-Heróis e a Filosofia", William Irwin, Matt e Tom Morris reunem uma coletânea de textos que navegam pelo fenômeno cultural do Herói, passando pelo mérito e culto a estas Personas e derivando daí uma definição composta e elaborada do conceito de Super-Herói, bem como das virtudes e vícios que vêm a reboque deste conceito.
O livro reune textos primorosos e algumas perspectivas muito pessoais sobre um vasto conjuntos de aspectos destas personagens tão contumazes na literatura, quadrinhos, TV e cinema.
Longe de glamurizar uma forma menor de produção de subjetividade, "Super-Heróis e a Filosofia" tem a sensibilidade para olhar para além da tinta sobre o papel e não se furta a identificar valor, mérito e profundidade temática nesta forma ainda estigmatizada de expressão denominada história em quadrinhos.
Usando esta figura extrema que é o Super-Herói, dezesseis filosofos e varios especialistas em quadrinhos assinam os ensaios que discorrem acerca de Humanidade, Justica, Amor e Amizade, desvendando os porquês e nos convidando a uma expedição pelos nossos conceitos de Moral, Ética e Direito.
A beleza e a verdade expressa em algumas análises chega a ser comovente, em alguns momentos, mesmo quando passa por personagens menos populares, como é o caso da BatGirl, sobre a qual discorre James B. South.
Denúncias magníficas se fazem presentes em ensaios como "Sabedoria dos Quadrinhos", de Michael Thau, onde o autor aponta para uma das pouco percebidas inconsistências infantis presentes no cinismo e no relativismo moral em que estamos imersos e teimamos em perpetuar.
Parabéns à Madras, que vem tornando acessíveis essas obras que, cada vez mais procuradas, podem vir a mudar o panorama do que se pensa e do que não se pensa acerca de Filosofia - e Cinema... e desenhos animados... e Quadrinhos...
Não há protestos! Nem é preciso ser leitor de quadrinhos para comprar. A obra vale a pena e o preço esta mais que razoável.