fevereiro 23, 2007

Web 2.0

Poucas vezes pude ver algo mais eloqüente acerca do fenômeno Web 2.0, mas este vídeo me pegou pelo pé. Tanto que não tive como não repetir aqui o post da Helenice, mãe do Cristiano Dias.

Postado por baccioly em 01:46 PM | Comentários (2)

fevereiro 13, 2007

Enquanto isso, no planeta Terra...

Postado por baccioly em 02:24 PM | Comentários (0)

fevereiro 07, 2007

"Land of the Blind"

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Uma pérola do cinema independente acerca do totalitarismo político-ideológico, "Land of the Brave" - ops, desculpe - "Land of the Blind" levanta a bola, já mais que levantada, de que não há absurdo nenhum em se comparar ficção com realidade.

No deserto que tem sido a programação da NET nestes dias, tive a oportunidade de encontrar um filme delicioso de se ver no TelecineCult na noite de ontem - ao menos para um eterno indisposto com a realidade como eu.

O escritor e diretor Robert Edwars, ousadamente, centrou o resumo da história do totalitarismo e opressão em uma história absolutamente familiar e desconsertante para qualquer espectador de direita.

Bebendo em fontes já tão destacadas aqui, como "1984", "Animal Farm", "THX 1138", "Fahrenheit 451" e tantos outros clássicos, ele conta a história do ditador Maximilian Bonaventure e seu absolutamente obstruso filho Maximillian II - conhecido como Junior - e seu efeito sobre sobre um ilustre desconhecido homem da lei chamado Joe, outrora defensor do status quo.

Joe, vivido por Ralph Fiennes, vive em uma sociedade onde não se supõe que o povo tenha outra opinião senão a que lhes é concedida pela televisão - constante fornecedora de opiniões acerca do que o homem comum deseja e, quando dá tempo, o que acha certo e errado. Ele escolhe então participar do trabalho de manutenção da paz e da ordem, se tornando guarda em outrora-hospital transformado em presídio para alojar aqueles considerados terroristas pelo Estado.

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Trabalhando em seu belamente patético uniforme em uma rígida estrutura de comando, Joe acaba se permitindo manter longas conversas com um "vil terrorista" chamado Thorne (corruptela de "espinho", em inglês) - vivido por Donald Shutterland que começa a mostrar-lhe o outro lado da moeda - aquele no qual se percebe que a maior parte dos comportamentos aparentemente irracionais e radicais são enraizados no poder desmedido e controle de informações exercidos pelo Estado.

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O filme não chega a ser um chamado às armas ou uma apologia à violência, mas uma mensagem para todos os Joes, sejam eles de que país forem (se me permitem a leitura), para fazer alguma coisa que não ficar na inércia de seus sofás diante do Telecine - Cult ou não.

Não fica pouco evidente também a preocupação de Edwards com o fato de que diferentes partidos e poderes, em uma nação, dificilmente são passíveis de distinção quando lançam mão do poder que lhe é entregue pelo povo. Dados dois partidos eles não costumam ser mais que dois fantoches controlados por um mesmo grupo de interesses, as duas máscaras que se revezam diante dos olhos de um povo ávido por entretenimento, comédia e trajédia... um povo ávido por ser feliz e ter seus alternados estados de cinismo e esperança devidamente retro-alimentados.

Joe é só mais um de nós que, despreparado, alquebrado e constantemente manipulado, acreditava, tanto no que lhe era dito pelo Estado antes, quanto passa a acreditar no Espinho após o coup d'etat que ajuda a promover.

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Edwards demonstra preocupação com o fato de que Estado não é liderança, mas a ferramenta pela qual o povo deveria ter condições de levar sua vida. Fazer parte do poder do Estado deveria ser fazer parte da mais importante forma de SERVIÇO... o Serviço Público. O Estado deveria ser o Instrumento de Poder do Povo e não o contrário.

E é esta a forma de totalitarismo na qual vivemos... com suas nuances desimportantes para poucos e profundamente importantes para aqueles que preferem se imiscuir nos meandros dessa magnífica forma de entretenimento chamada Política, um reality show grotesco e indecente que não faz mais que tentar distrair-nos do que de fato é importante: eles trabalham para nós e não para interesses aristocrático-corporativos!

Ainda que a leitura do filme seja criativa demais, o que nos faz ter a pachorra de continuar meneando a cabeça com um sorrisinho lateral bovino, cinicamente dizendo "as coisas são assim mesmo" ou "não há nada que eu possa fazer"? O que nos faz sentirmo-nos tão impotentes ao ponto de acentuarmos que a única forma de atitude possível é escrever um e-mail indignado ou um texto confuso, embora rebuscado, em um blog?

"O inimigo é mais esperto", seria possível dizer... mas talvez se deixarmos de lado todo esse divertimento - que aliás nos custa caro - que serve para nos afastar de caminhos tendenciosos em direção à metas inexistentes a nós fornecidas; se entendermos que o Estado deixou, faz tempo, de ser instrumento do Povo para ser instrumento de interesses de uma nata Aristocrático-Corporativa; se compreendermos que o mundo de assistencialismos, ações afirmativas segregacionistas, medos de boatos tendenciosos nos meios de comunicação, não servem senão como cercado deste presépio ridículo do qual resolvemos não sair... talvez então entendamos que o Povo (nós!) é (somos!) um rebanho neurotizado incapaz, hoje, de dar um passo em direção a uma saída pelo simples fato de que se indispor é muito trabalhoso e, por isso, fica mais fácil usar os botões do controle remoto e do teclado do computador.

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"Os antigos operários tão logo se tornem governantes ou representantes do povo cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo."
supostamente pelo anarquista russo
Bakunin (1814-1876)

Postado por baccioly em 01:23 AM | Comentários (0)