Mudamos de Endereço

Migramos para novo endereço.

Alterem seus "Favoritos"!

http://www.brunoaccioly.com.br/

abril 11, 2007

Há coisas que...

...a gente só aprecia totalmente quando fica mais velho.

O original, no YouTube, em tamanho maior...


Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (6)
Categoria: Aquarela do Brasil

janeiro 01, 2006

Praia de Grumari

Com destino incerto o indivíduo se redime de sempre guardar energia para o caminho de volta, foi a idéia que se acercou de mim nesses dias de reflexão depois da pequena viagem.

Foi especial, desta vez, não mais um treino ou uma proeza de resistência nos pedais. Venho me preparando faz um tempo, sim, pois não fazia exercícios físicos mais exigentes há muito. Municiei-me também de um sem número de apetrechos de CicloTurismo que me permitiriam levar água, comida, abrigo, agasalho e toda sorte de equipamento de sobrevivência e acampamento.

Não havia um destino para a viagem. Havia uma região, um sentido no qual eu pensava em ir, sem obrigação de parar ali ou intenção de ter uma direção específica. Sabia que o módulo – a distância a ser percorrida – não poderia ser muito maior do que a que eu podia abraçar com minhas pernas mal treinadas, entretanto, não pretendia contabilizar pedaladas para a volta.

Dia 26 de Dezembro, às 13:45, evitando perigos mais mundanos e já com todo equipamento somando doze quilos nos alforjes traseiros e na mochila às minhas costas, pedalei até a estação das barcas da Ribeira, na Ilha do Governador, e peguei uma carona até o Centro da Cidade.

Percorri um caminho fácil e familiar da Praça XV até o Aeroporto Santos Dumont, passando depois pelo Aterro do Flamengo, Praia de Botafogo, Praia de Copacabana, Praia de Ipanema, tendo certa dificuldade com o estreito espaço para bicicletas da Niemeyer, a bela paisagem de São Conrado...

O passeio é bonito e até bastante leve, a não ser ao tentar chegar a Barra da Tijuca, quando é preciso enfrentar um aclive bastante severo na Subida do Joá, o que acaba sendo compensado pelo declive acentuado depois que se conquista o topo e se observa a magnífica vista do Rio de Janeiro.

Da Barra da Tijuca até o Recreio é uma distância respeitável, mas a vista bonita, populosa, e a ótima pavimentação da ciclovia, acabam sendo gentis com as pernas cansadas do Joá e com a sensação de solidão deixada pela subida íngreme, quase que só freqüentada por automóveis.

Os olhares, por um lampejo curiosos, que inquiriam os motivos do semblante já cansado e dos estranhos apetrechos que coalhavam aquela bicicleta, logo se cansavam de avaliar a cada pedalada do caminho... rapidamente se agarrando a alguma conclusão confortável e voltando a se preocupar com a perspectiva individual do dia a dia.

Não tinha idéia de quão esmerada tinha sido a construção de todas aquelas ciclovias e de fato acreditei que teria de pegar um bom trecho de ruas e estradas, mas estava mesmo enganado. Só no fim da bela orla do Recreio dos Bandeirantes é que tive de subir uma serra – pouco menos acentuada que o Joá, mas mais extensa – até chegar à Prainha e perceber que não mais conseguia alcançar o Sol, que já se escondia rapidamente de mim.

Eram já 19:30 quando cheguei no final da Praia de Grumari e reclamei um pouco de mim mesmo, por não ter conseguido acordar mais cedo para começar a pequena jornada.

Montei acampamento na beira da praia, comi o mais saboroso milho enlatado da minha vida e avidamente ataquei as barras de cereais que me acompanhariam desde o final de meu jantar, atravessando a noite de observação das estrelas, da Via Láctea e me acompanhando na leitura de “Os Sofistas” à luz de um dos bastões fosforescentes que queria testar.

Foi uma noite cheia de significado, com profundo sentido e de libertação fuga das meras reflexões. Foi um momento de contemplação da paisagem e de mim mesmo.

Pedalei uma fração do que outros já pedalaram, mas quero crer que a importância que conferi a cada um dos ciclos foi suficiente para me mostrar que há precisão ali, mas que a volta dos pedais tudo mais é impreciso...

...Pedalar é preciso! Viver não é preciso!

A quebra da rotina de tormento e orientação à resultados quantificáveis e objetivos práticos, como imaginei, emprestou o significado valioso à constatação da impermanência e dispensabilidade da forma que demos ao que nos parece importante.

A sutil diferença entre esta e outras viagens e pedaladas, creio, só vai ser percebida por quem estiver "grávido" de entendê-la. No final...

...Andar sem Direção está longe de estar destituído de Sentido.

Agradeço...
à Debora Kiyono, que me deu força e sustentou ser boa idéia;
ao Clube de Cicloturismo, que me preparou e inspirou;
ao ZidaneIlha do Governador
(021) 3353-5470
, que montou minhas bicicletas de treino e de viagem;
ao Mairus Maichroviz, que me ajudou a escolher o sentido;
ao Eduardo Gouveia, que me deu ótimas dicas da viagem;
ao Cristiano Dias, que me apresentou ao Google Earth;
ao Rodrigo Cabral, que me levou a sério e deu dicas sobre acampamento;
ao Marco Erisman, meu irmão, que trouxe equipamentos dos EUA pra mim;
ao Amir Samary, que me presenteou com o livro "Os Sofistas", que venho lendo;
ao Angelo Bruno, que me ajudou e convenceu a não pegar a Av.Brasil;
ao Alexandre Maron, que me fez refletir sobre a viagem na ida e na volta;
à minha Mãe, que quase enlouqueceu mas que me recebeu com um prato de macarrão delicioso;
à Lorena Boyer, responsável por eu começar a pedalar novamente...
...e que, com carinho e atenção, me incentivou como ninguém!


Clique para ver o mapa de satélite do trajeto

Você quer saber mais?
ClubeDeCicloturismo.com.br . Site sobre CicloTurismo
ClubeDeCicloturismo.com.br . Ótimo manual de CicloTurismo
Folha OnLine . Qualquer pessoa pode praticar
Trilhas eAventuras.com.br . Introdução ao CicloTurismo
RevistaTurismo.com.br . Leis e Dicas sobre CicloTurismo
Mochileiros.com . Forum sobre CicloTurismo

Você quer se equipar mais?
TrilhaBike.com.br . Alforge Overland da Curtlo (Essencial!)
TrilhaBike.com.br . Bagageiro CD-13 da TransX (Essencial!)
PedalPower.com.br . Bolsa Topeak Wedge Pack (Desejável)
TrilhaBike.com.br . Bomba de Ar (Essencial!)
TrilhaBike.com.br . Óculos de Lentes removíveis (Vale a pena!)
TrilhaBike.com.br . Bolsa Energy Bike para guidão (Interessante)
TrilhaBike.com.br . Bolsa para Quadro Shoulder (Interessante)
TrilhaBike.com.br . Computador de Bordo (Útil para Treino)
TrilhaBike.com.br . Bolsa ASW Waterbag 1,2L (Vale a pena!)
PedalPower.com.br . Farol Led Cateye HL-EL400 (Obrigado por Lei / Vale a Pena!)
PedalPower.com.br . Lanterna Led Traseira Cateye TL-LD250 (Obrigado por Lei / Vale a Pena!)
Topeak.com . Retrovisor Retrátil Bar’n Mirror (Obrigado por Lei / Vale a pena!)
Topeak.com . Retrovisor Cateye (Obrigado por Lei)
TrilhaBike.com.br . Capacetes (Obrigado por Lei)
TrilhaBike.com.br . Capa para Bicicleta (Dispensável)

Você quer se equipar ainda mais?
Trilhas & Rumos . Barraca para uma pessoa (Se você precisa acampar)
Trilhas & Rumos . Barraca para duas pessoas (Se você precisa acampar)
Trilhas & Rumos . Saco de dormir (Se você precisa acampar)
Trilhas & Rumos . Cantil 900ml (Essencial!)
Trilhas & Rumos . Bússola Multi-Funções (Desejável)
Trilhas & Rumos . Bússola Multi-Funções (Desejável)
Trilhas & Rumos . Bússola High-End (Para longas viagens)
Trilhas & Rumos . Lanterna Robusta (Essencial!)
Trilhas & Rumos . Bastões de Luz Química (Vale a pena!)
Trilhas & Rumos . Talheres (Vale a pena!)

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (11)
Categoria: Aquarela do Brasil

novembro 25, 2005

Garça

Se existe de fato rivalidade entre paulistanos e cariocas, não percam tempo procurando por lá. A cidade transpira uma hospitalidade reconfortante e uma vivacidade preguiçosa e contagiante.

Tenho tanta sorte em meus projetos orientados aos caminhos no lugar das metas que começo a me questionar se este viés não é mais adequado que as alternativas.

Garça, para mim, não era mais que um ponto no mapa, um ponto insuspeito entre Bauru e Marília, a doze horas de viagem, a dois semi-leitos de distância.

Ainda não sabia se saltaria em Bauru, se continuaria até Marília ou mesmo se me encantaria por Lençóis, mas estava decidido a saltar onde quer que minha indecisão me permitisse, depois de papear com uma meia dúzia de completos estranhos pelo caminho.

Não havia intenção nenhuma em ser preciso nem qualquer necessidade, quando saí, no dia 11 de Novembro. Deixei a lança da objetividade na mesa do escritório, junto com o escudo das justificativas e a armadura do método.

Fácil não foi: foram seis horas no semi-leito da 1001 até a Rodoviária Tietê; a permanência em São Paulo até que o Expresso de Prata abrisse, no dia seguinte, na Rodoviária de Barra Funda; mais seis horas de São Paulo até Garça.

Não saltei em Bauru, não continuei até Marília... ao invés disso dei uma chance para essa cidadezinha graciosa e pitoresca de quarenta mil habitantes e de poucos prédios de apartamentos.

No simpático Santa Maria Park Hotel eu soube do novo point da cidade, que fui checar despretensiosamente para acabar encontrando um bistrô que nada deixava a desejar à uma Prefácio de Botafogo ou a um Café Esch do Centro da Cidade do Rio de Janeiro.

Os donos, João Carlos e Ricarda – gente da melhor qualidade – haviam inaugurado o Antiquarius Bistrô dois dias antes, vinham de Tupã e tinham conseguido montar um lugar de arquitetura e decoração aconchegantes, bar irretocável, boa comida, simpático atendimento e ótima freqüência.

Tanto que conheci Leandro Castilho, Francisco Neto, o “Colombiano” e suas respectivas. Influentes e muito gente boa, me levaram pra conhecer o Postão – ponto de encontro dos jovens garcenses – e me colocaram para dentro do Baile do Hawaii, uma festa com gente das cidades próximas, embalada pela banda Capitão Mamão (muito legal) no mais movimentado fim de semana do ano em Garça!

Todas as surpresas foram deliciosas em Garça, desde do suntuoso lago artificial J.K.Williams, passando pelo Bosque Municipal - de 18 hectares de Mata Atlântica! - que o ladeava até o enorme campo verde onde a prefeitura montara a concha acústica para um respeitável show de Rock.

Conheci gente muito simpática e divertida, como o Francisco Junior – da Divisão de Turismo, e que me ajudou na escolha do hotel e da empresa de ônibus; pessoas profundas e boa praça, como o Mário, que me acompanhou numas cervejas no bistrô; grupos risonhos e solícitos, no Departamento de Polícia de Garça; e uma menina inteligente e interessante, Lyna Covolan, que era tão novinha quanto bela e boa de papo.

Foram três dias em Garça. Três dias incomuns, significativos e deliciosos. Dias de saudade de quem ficou no Rio, de uma solidão gratificante e de encontro comigo mesmo.

Em minha última noite me foi dado um presente maravilhoso: assistir a um sensacional show de uma promissora banda chamada Phoma, arrasando no Tênis Clube de Garça, tocando de “Guns & Roses” até “System of a Down”.

Pitoresca e animada, hospitaleira e interessante, Garça não é só uma recomendação em Julho – na Festa das Cerejeiras; em Novembro, quando acontece o Baile do Hawaii; no ano inteiro pra visitar suas 80 cachoeiras; mas uma ótima recomendação sempre que se desejar olhar pras outras cores dessa aquarela, quando se tem a intenção de conhecer um pedacinho diferente do Brasil e quando se precisa procurar a si mesmo.


Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (5)
Categoria: Aquarela do Brasil