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fevereiro 17, 2005

Lomografia

Contra-intuitiva, expressiva, divertida e nada elitista, a Lomografia surgiu no início da década de 80 com o lançamento da câmera soviética Lomo LC-A, enriquecendo o universo da arte pop e alargando os horizontes da expressão através da fotografia.

Os próprios requisitos de projeto da câmera apontavam para algo bem simples e de qualidade nada profissional. O objetivo era colocar no mercado uma máquina relativamente confiável e de preço acessível para que todo cidadão russo pudesse adquirir.

Quando as máquinas asiáticas começaram a invadir o mercado a preços mais baixos ainda o produto deixou de ter sentido. Em 1991, contudo, quando um grupo de estudantes vienenses adquiriu algumas LC-As, ficaram surpresos com os resultados cheios de personalidade que conseguiram em suas férias. Um movimento nasceu e foi fundada a Lomographic Society, que alastrou o fenômeno através de “Embaixadas Lomo” que começaram a aparecer em toda parte do mundo.

Eventos como o Lomografic World Conference, de 1997, vêm popularizando cada vez mais a Lomografia e, já em fins da década de 90, a Lomographic Society International lançou a Actionsampler, uma máquina Lomo capaz de tirar quatro poses em uma única foto, tentando enriquecer mais ainda o mundo da Lomografia.

O campo para o crescimento da Lomografia é grande, sobretudo não se tratando de uma técnica rigorosa de fotografia que prime pela precisão e estilo, mas uma forma de expressão popular, com o uso de máquinas de baixo custo e ênfase na espontaneidade.

A câmera, na Lomografia, é uma extensão do próprio corpo, uma parte do Lomógrafo, uma espécie de retorno à não especialização e à uma forma de glamourização do amadorismo. Não é atoa que as 10 Regras de Ouro da Lomografia sugerem uma maior liberdade criativa e metodológica.

"As 10 Regras de Ouro da Lomografia" promovem o rompimento com a tradicional cultura fotográfica. E se você nunca teve um treinamento clássico em Fotografia, elas garantem que você esqueça tudo aquilo que nunca quis saber.

O que pode bem ter sido uma mera jogada de marketing então, pode se tornar uma nova forma de expressão, elevando equipamentos de qualidade duvidosa ao status de viabilizadores da arte popular.

Diante da safra de péssimas câmeras digitais acopladas à celulares, não é difícil cogitar a criação de uma proposta como a da Lomografia, que leve menos a sério os atributos do equipamento e mais a sério o pontencial da forma de expressão.

Que tal, digamos, "As 10 Regras de Ouro da Celulografia"?


Continuar...

Bruno Accioly

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Categoria: Fotografia

janeiro 07, 2005

Fotografia Estenopéica

A primeira vista anacrônica e pouco prática, a fotografia estenopéica é uma forma de expressão única e cheia de personalidade, que oferece ao fotógrafo uma relação alternativa com a arte da fotografia.

Para quem nunca ouviu falar de Fotografia Estenopéica – ou Fotografia Pin Hole – vale dizer que, trata-se de uma câmera que não tem sistemas óticos baseados em refração, que são substituídos pó um orifício, denominado estenopo, encarregado de formar a imagem em uma superfície sensível.

É possível construir uma máquina dessas em casa, com um pouco de paciência, uma caixa de papelão, madeira ou mesmo uma lata de leite em pó. Ao fim deste texto, inclusive, estou disponibilizando um projeto para uma Câmera Estenopéica que usa filme convencional.

Ao tirar uma foto em uma câmera convencional, afinal, o que estamos fazendo é controlar a quantidade de luz que chega a uma película sensível. Basicamente, as máquinas convencionais consistem de: um diafragma, que controla a quantidade de luz que chega à película; e um obturador, que controla o tempo de exposição desta película.

A maior parte dos demais controles, disponíveis em câmeras convencionais, têm relação com a manipulação de fatores responsáveis pela qualidade do resultado final da exposição. O sistema ótico existente em câmeras convencionais, contudo, não é imprescindível. De fato, o não uso de sistemas óticos baseados em refração luminosa permite evitar problemas ocasionados pela tecnologia de refração.

Por certo que a Fotografia Estenopéica é hoje um processo de entusiastas. Não tendo sido a tecnologia eleita no passado, esta forma de fotografia acabou não progredindo e se sofisticando tanto quanto a fotografia com máquinas convencionais. De diversas formas, a escolha pela fotografia usando conjuntos óticos orientados a refração luminosa remete a escolha entre a corrente contínua e a corrente alternada para a distribuição de energia elétrica em grandes cidades.

A fidelidade da imagem conseguida com câmeras convencionais é maior que a conseguida com máquinas Pin Hole hoje disponíveis no mercado ou construídas em fundo de quintal. É importante, contudo, lembrar que há deficiências na tecnologia das câmeras convencionais que permeiam a distância focal e distorções intrínsecas ao processo.

Para além de meras questões técnicas e da filosofia por trás da escolha que tornou a tecnologia de refração o padrão para máquinas fotográficas, em meados de 1880 um fenômeno interessante acontecia. Enquanto a velha escola artística influenciava a fotografia no sentido de imagens mais nítidas e lentes perfeitas, o Impressionismo ousava contribuir com um novo discurso visual.

Ganhando o primeiro prêmio na Exibição Anual da Sociedade Fotográfica de Londres, em 1890, George Davidson criou polêmica e incentivou a dissidência da instituição marcando alguns pontos para a fotografia estenopéica.

Com a influência crescente do Neorealismo e a produção em massa de câmeras hoje tidas como convencionais, no entanto, a fotografia estenopéica seria praticamente esquecida até a metade do século XX.

Somente na década de 60 a técnica passaria a ser utilizada novamente, como forma de expressão alternativa e ferramenta de criação, como é usada até hoje das mais diversas formas.

É curioso perceber esta risga um tanto quanto patética entre defensores da tecnologia estabelecida e da tecnologia alternativa, até porque o aquecimento do mercado de fotografia tem muito menos relação com a quantidade de artistas comprando máquinas e acessórios e muito mais profissionais da fotografia e sobretudo o cidadão comum, que só quer um retrato fiel do que está diante dele.

A expressão artística é uma fatia bem estreita do que move a máquina corporativa e nem os artistas da fotografia de convencional nem os da fotografia estenopéica vão influir profundamente nestas questões.

Mais que uma forma romântica de fotografar, sair a campo com uma máquina estenopéica é uma proposta interessante e deliciosa que, mesmo nas mãos de um interessado sem grandes pretensões artísticas, permite a elaboração de algo que foge a mesmice do que o fotógrafo medíocre consegue de fato fazer.

Seja você um artista ou um leigo completo; um fotógrafo publicitário ou alguém que gosta muito de fotografar; um decorador que gosta de pendurar coisas na parede ou um sujeito que gosta de coisas diferentes e sofisticadas; a fotografia estenopéica é mais uma daquelas coisas que podem dar um toque todo especial em conjunto com sua obra, no álbum de família, naquela campanha de marketing, no passeio no campo, num painel sobre o sofá ou no porta retrato da sala.

No fim é algo barato, moderadamente fácil de se fazer e, caso você seja muito preguiçoso, dá até pra comprar pela internet!

Clicando no link abaixo você tem acesso aos planos para a montagem de uma máquina fotográfica estenopéica que usa filmes convencionais.

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (4)
Categoria: Fotografia