Mudamos de Endereço

Migramos para novo endereço.

Alterem seus "Favoritos"!

http://www.brunoaccioly.com.br/

fevereiro 11, 2005

"Gosto Superior"

Livro de receitas? Eu não qualificaria exatamente assim... O livro, mesmo em sua versão pocket contém uma extensa introdução acerca do papel da carne e seu consumo em nossa sociedade, para além do que apreciamos e da nossa natureza.

E já que ainda não tive muito tempo para elaborar um texto acerca do meu carnaval, seguem alguns trechos de um livro que li há muitos anos e que foi muito importante para que eu compreendesse algumas coisas acerca de nosso modus vivendi.

Neste carnaval acabei encontrarndo um exemplar condensado, com menos da metade do número de páginas mas conservando o mesmo espírito educativo e profundamente objetivo de abordar a questão.

Comprei o pocket-book por R$ 2,00. Creio que foi muita sorte encontrar a este preço, mas o custo do livro condensado não deve sair por mais de R$ 4,00 na praça. O bônus são receitas lacto-vegetarianas deliciosas e fáceis de fazer.

Algumas passagens:

"De acordo com a informação compilada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, até 90% de todos os cereais produzidos nos Estados Unidos são utilizados para alimentar animais de corte - vacas, porcos, caprinos e galinhas - que acabam nas mesas de refeição."

"[...]conseguimos de volta apenas meio quilo de carne de gado para cada sete quilos de cereais."

"[...]para se cultivar meio quilo de trigo é necessário 27 litros de água, ao passo que a produção de meio quilo de carne requer entre 1125 e 2700 litros de água. [...] uma instalação para matar galinhas se utiliza de 378 milhões de litros de água por dia! Este mesmo volume poderia suprir uma cidade de 25 mil habitantes."

"Um estudo publicado em 'Plant Foods for Human Nutrition' revela que meio hectare de cereais produz cinco vezes mais proteínas que meio hectare de pastagem reservado à produção de carne. Meio hectare de espinafre 28 vezes mais proteína."

Para além de passagens como estas, o livro cita a "República", de Platão, onde, em debate com Glauco, argumenta que o uso mais inteligente do espaço e dos recursos naturais exige uma alimentação vegetariana.

Independente de gostar ou não de carne e concordar ou não com as abordagens da introdução - e com os motivos de quem escreveu o livro - creio ser interessante entrar em contato com outras abordagens da dieta do "homo-urbanus" e com a investigação dos motivos de nossa civilização para abraçar esta dieta.

Ao mencionar que sou vegetariano, escuto muito o termo "proteína animal", mas não consigo me esquecer das aulas de biologia no colégio, onde o professor dizia que células animais não sintetizam proteínas.

Não se trata mais apenas de discutir a questão Moral, ou a questão Saúde, mas a SustentabilidadePossibilidade real de dar continuidade a um determinado meio de fazer alguma coisa. deste way of life que estamos querendo perpetuar.

Por um ou por outro motivo, vale a pena dar uma folheada no livreto.



Vale a pena ainda comprar a revista Super Interessante
Edição 175, de Abril de 2002.
Clique aqui para ler um trecho da reportagem

Como comprar essa Super Interessante?
Coleção completa Super Interessante em CD

Para comprar apenas esta edição
solicite ao seu jornaleiro.
O preço será o da última edição em banca.

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (0)
Categoria: Literatura

janeiro 28, 2005

"Sócrates e a Arte de Viver"

Para quem gosta de história, de filosofia e até de "Matrix", o livro de J.C. Ismael conta uma belíssima história de virtude, busca pelo conhecimento e altruísmo.

De leitura fácil e sintetizando muito bem uma história complexa e cheia de revoluteios e versões, "Sócrates e a Arte de Viver: Um guia para a filosofia no cotidiano" pareceu-me uma obra melhor em falar do herói grego real que em trazer a filosofia para o cidadão comum do século XXI.

Tarefa ingrata, logicamente, em um mundo orientado ao produto, ao poder e às aparências, o autor corajosamente escolhe esquecer que tais conceitos se confundem no tecido do mundo moderno e vendam os olhos da maior parte dos leitores.

Alexandre Maron acertou em cheio ao presentear-me com o trabalho de J.C. Ismael, me ajudando a coletar mais um fragmento cultural acerca da Filosofia ClássicaDe 470 a.C. a 320 a.C., Teve nos sofistas e em Sócrates seus principais expoentes. Distinguem-se pela preocupação metafísica, procura do ser, e pelo interesse da política e da vida de acordo com sua noção de sabedoria., uma de minhas obsessões.

Um tanto preconceituosa pareceu-me a abordagem do autor à poesia mítica e à Filosofia Oriental, não comprometendo, entretanto, o belo trabalho de documentação e exposição didática das origens da filosofia dos pré-socráticos e do Sócrates histórico – dando particular atenção aos SofistasNa antiga Grécia (sV a.C. e IV a.C.), mestres da retórica que ensinavam filosofia, gramática e a arte da eloqüência para os cidadãos por dinheiro. e sua importância no lançamento das bases da filosofia.

A arte de viver, segundo o cânone Socrático, vai provavelmente ser menos importante para o leitor que a descrição do personagem e dos diálogos expostos ao fim do livro – estes últimos retirados dos livros de seu célebre discípulo, Platão.

Não tão fácil quanto os adoráveis “ Matrix: Bem-Vindo ao Deserto do Real” ou “Os Simpsons e a Filosofia: o D´oh! de Homer” - ambos de William Irwin - “Sócrates e a Arte de Viver: Um guia para a filosofia no cotidiano” mais do que vale a pena, saindo um pouco da cultura de almanaque e provocando o leitor a procurar mais acerca de um dos responsáveis pelo que há de interessante na realidade em que vivemos.



Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (0)
Categoria: Literatura

outubro 06, 2004

Homens e Livros...

Em suas próprias palavras, condenado a ser o Andersen desta terra, Monteiro Lobato abriu os olhos das crianças para um Mundo das Maravilhas, onde se dava a releitura da história e das fábulas, integrando culturas e despertando a curiosidade.

Não sei se você teve a oportunidade de ler algum dos dezessete volumes das Obras Completas de Monteiro Lobato mas, se não teve, deveria gastar um tempinho procurando para seus filhos e - por que não? - para você mesmo ler.

A coleção é dividida em duas séries, uma adulta, com treze volumes e esta, da qual estou falando, com dezessete inesquecíveis portais para o Mundo das Maravilhas de Lobato - uma espécie de projeto de assimilação cultural que usava de personagens originais para fazer a criança ter contato com uma miríade de outras obras ficcionais e momentos históricos reais.

Para mim, Monteiro Lobato foi o responsável pelo meu primeiro contato com a literatura, contato esse promovido pela Dona Lourdinha, minha mãe e amiga que usou de livros e muito amor para me fazer entender a tolerância, a justiça e a virtude.

Sem críticas vazias ao modus vivendi de hoje, concordo profundamente com a máxima de Lobato: "Um país se faz com Homens e livros". No meu entender, não se trata de Homens e revistas, Homens e brochuras ou Homens e blogs.

Embora a tecnologia aí esteja, a praticidade, custo e a base instalada de eBooks estão muito aquém do que seria necessário para substituir os livros convencionais para cento e setenta milhões de brasileiros - dos quais uma grande parte sequer sabe ler.

O interesse pela leitura, batalha inglória travada por uma minoria de pais, não é substituível por qualquer outro interesse. A música é um meio, o cinema é outro, a TV um terceiro - ainda que sucateado - e cada um deles cumpre um papel no crescimento da criança como pessoa. Não ler por opção é como não tomar vitamina B por opção. Por mais que não se morra disso, os sintomas são identificáveis e as sequelas dificilmente podem ser combatidas a contento.

Antes de saber ler eu ouvia Dona Lourdinha me contar as histórias. Era, para mim, um super-poder dos adultos, sorver com os olhos os rabiscos das páginas dos livros; maior ainda o poder de contar histórias, se envolver com elas e, ainda assim, cuidar das lágrimas e dos risos nervosos que um eu-criança não conseguia conter.

A conquista da leitura enquanto habilidade, da escrita enquanto forma de expressão e das pessoas que te lêem enquanto espectadores, pode ser tão mágica quanto viver no mundo de Lobato...

...e como ele mesmo disse:

"Tentei arrancar de mim o carnegão da literatura. Impossível. Só consegui uma coisa: adiar para depois dos 30 o meu aparecimento. Literatura é cachaça. Vicia. A gente começa com um cálice e acaba pau d'água na cadeia".
São Paulo, 16/6/1904

Minha super-heroína não me faltou, nem aos futuros netos, achando os dezessete volumes e presenteando essas já grandes mãos de criança com o saudoso tesouro literário.

Se escrever é uma cachaça de fato, bem queria eu que tivéssemos mais beberrões a cada esquina, com o dedilhar em teclados a substituir as goladas e soluços.


Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (2)
Categoria: Literatura