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outubro 24, 2005

"The West Wing"

160 indicações para os mais variados prêmios, 81 prêmios conquistados e 2 Globos de Ouro... "The West Wing" - "Nos Bastidores do Poder" - é daquelas séries que mais parecem um filme longo, uma super produção para a TV com elenco impecável e roteiros excepcionalmente bem escritos.

E não é por acaso que haja um quê de cinematográfico no material escrito por Aaron Sorkin. Boa parte do roteiro da série é fruto de uma pesquisa feita e não aproveitada para o filme "Meu Querido Presidente".

"The West Wing" é um Drama-Político que mostra o que se passa nos bastidores da Casa Branca e quais as concessões que têm de ser assumidas pelas pessoas envolvidas na política.

Quando foi às telas, em 1999, dirigida por Thomas Schlamme - que tem no currículo "Friends", "Ally McBeal" e "Mad About You" - ficou muito claro que se tratava de algo especial e que o sucesso de público estava garantido.

Em meio a uma realidade mundial de líderes corruptos e comprometidos com agendas suspeitas e inexpugnáveis, o Presidente Jed Bartlet - vivido por Martin Sheen - é o protótipo do estadista ideal que não só os americanos gostariam de ter, mas que qualquer nação sonha para si: um homem simples, culto, justo, íntegro, ponderado, firme, sensato e comprometido com o progresso responsável do país que governa.

Sem se fixar apenas no cotidiano do Presidente, "The West Wing" vai mais longe e passa pelo trabalho e vida pessoal de cada um dos componentes do estafe principal da Casa Branca, dando uma visão hollywoodianamente precisa - hehe - de como as coisas funcionam por lá.

A dinâmica entre os personagens - vividos por um elenco bastante surpreendente - é bastante intrincada e bem escrita, de forma a deixar o público entender quem é quem e quem é problema pra quem sem que o texto seja expositivo em excesso e mantendo o espectador atento para não perder nada dos diálogos ligeiros.

Martin Sheen é conhecido por seu ativismo patriótico esclarecido e ponderado, o que é uma das marcas de seu personagem - um ícone da série e que continua aparecendo, já na sexta temporada (agora em exibição nos EUA).

"The West Wing" é, por fim, uma aquisição valioza - mais uma vez indicada por Alexandre Maron, um dos responsáveis pelo RadarPop - e não pode faltar na prateleira de qualquer um que goste de Boxes de Séries ou sonhe, no mínimo, com uma sede do Império mais responsável e justa.



Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (4)
Categoria: Séries

julho 20, 2005

“Newsradio”

Criada por Paul Simms, a primeira e segunda temporadas de uma das melhores séries dos anos 90, já está disponível para fãs e corajosos garimpeiros de boas risadas.

Produtor do “The Larry Sanders Show”, Paul Simms escrevia parte do material do programa da mesma forma que fizera, dez anos antes, para o “Late Night with David Letterman”.

Candidato constante de 1995 à 1998 ao Emmy, Image Award por diversos motivos, o Casting Society of America chegou a considerar a série para o prêmio Artios, dado o fato de que elenco de “Newsradio” é um exemplo de boas escolhas. O material escrito por Paul Simms e sua equipe de vinte roteiristas sempre se mostrou impecável e hilariante e é digno de nota em qualquer análise que se possa encontrar por aí.

Dave Foley, de “Kids in the Hall” – uma espécie de “Mounty Python Flying Circus” canadense – encabeça democraticamente um grupo brilhante de comediantes como Phil Hartman, Stephen Root, Andy Dick, Vicki Lewis, Joe Rogan, e atores dramáticos como a bela Maura Tierney e Khandi Alexander.

Apesar da morte do carismático Phil Hartman, Jon Lovitz assume um personagem fixo em seu lugar a partir da quinta temporada. Embora Hartman faça falta, Jon Lovitz, acabou conseguindo a simpatia dos espectadores.

No piloto da série, David Nelson - vivido por Foley - chega do Wisconsin a WNYX, a segunda mais bem sucedida rádio de Nova Iorque, para assumir o lugar de Diretor de Notícias. É pelos seus olhos que vamos conhecendo as excentricidades e características de cada um dos adoráveis personagens, como o âncora Bill McNeal (Hartman), a secretária Beth (Vicky), o impagável Mathew (Dick), o eletricista Joe (Rogan), a locutora Katherine (Khandi), a supervisora de produção Lisa Miller (Tierney) - por quem acaba se apaixonando - e, é claro, Jymmy James (Root), o dono da estação.

Satirizando e explorando a política dentro de corporações, relações amorosas entre colegas de trabalho e crises no relacionamento profissional, “Newsradio”, com muito charme, monta os arquétipos que encontramos em cada empresa – do company-idiotTrocadilho com "village idiot" - idiota da cidade - quadro de Mounty Python, passando pelo over-achieverDiz-se daquele que executa suas funções para além do que dele se espera, por um ou por outro motivo., perfilando o egocentric-professionalDiz-se daquele que considera o próprio trabalho a coisa mais importante da empresa e desvaloriza o trabalho de todos os demais. e sempre descrevendo de forma breve a relação entre cada personagem, sem no entanto deixar de ser profundo.

Nos 29 episódios inclusos nos 3 DVDs que vêm embalados no pacote – que nem deixa tanto a desejar em termos de qualidade – um considerável número de extras salta aos olhos, que contam com as impressões de todo elenco em sessões de comentário, erros de gravação, entrevistas, bastidores e filmografias.

Apesar de ser conhecido por gostar de qualquer coisa que possa ser colocada numa tela de TV, garanto que “Newsradio” agrada do público mais singelo de “Friends” até o público mais sofisticado de “Mounty Python Flying Circus” – conseguindo, inclusive, ser ainda mais profundo que o primeiro e menos denso que o segundo, criando um nicho onde a crítica construtiva e a fábula moral se encontram.

Amava muito esta série e fiquei muito feliz quando ganhei a caixa de aniversário – responsabilidade do meu grande amigo Alexandre Maron, que indicou a compra pro Casal mais Lindo do Mundo, os culpados por muitas horas de gargalhadas nostálgicas! A série, que acompanhei há muitos anos foi, para mim, um daqueles programas que dali em diante me fariam recordar momentos da vida empresarial dos personagens a cada passo da minha vida profissional.

Para aqueles que gostam da forma pela qual destrincho e analiso filmes, vale ler “NewsradioArt.com”, um conjunto de ensaios só sobre a série que perfasem uma extensa análise sobre suas intenções, significados e importância, diante do meio árido e combalido que é a televisão.

A quem recomendo a compra? Recomendo a compra a quem trabalha em algum lugar, já trabalhou em algum lugar ou pretende, um dia, vir a trabalhar em algum lugar!


Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (1)
Categoria: Séries

novembro 16, 2004

"Agosto"

Com direção de Paulo José e produção de Carlos Manga, “Agosto” é lançado sem alarde em DVD, enriquecendo as prateleiras das lojas especializadas.

Aconteceu em Agosto de 1954, mas eu só comprei em Novembro de 2004.

Magnificamente dirigida e produzida, a série “Agosto”, que foi ao ar pela Rede Globo de Televisão na década de 80, está disponível em DVD. Foi uma espera longa para mim, um cara que não costuma apreciar tanto as séries televisivas nacionais.

A caixa, cuja humildade despretensiosa salta aos olhos, não depõe contra a edição bem feita das vastas horas filmadas, viabilizando o produto sem comprometer demais o resultado final.

O material extra é exíguo, trazendo o clássico making-off, que fala mais dos efeitos especiais que de qualquer outra coisa – saído direto do Vídeo Show - mas consegue ser comovente ao documentar um recente e descontraído papo entre Paulo José e Carlos Manga, no qual se elogiam mutuamente e falam de alguns detalhes belíssimos do trabalho que desenvolveram.

A série transformada em um filme que se espalha por dois DVDs é densa e cheia de significado histórico, não tomando partido de Carlos Lacerda nem de Getúlio Vargas, contando a história do suicídio deste último, que começa pelo atentado ao primeiro e que tem como resultado a morte do Major Vaz.

Deslocando o eixo da narrativa do evento histórico, Paulo José e Carlos Manga fazem um belíssimo trabalho em filmar a obra literária de Ruben Fonseca, que se concentra numa história paralela envolvente com o personagem antológico vivido por José Mayer: o Comissário Mattos.

A expressão de todos os defeitos e qualidades masculinas, Mattos é um policial íntegro e incompreendido. O ex-advogado erudito, apaixonado por Ópera e pelo próprio passado é todo virtude e retidão. Fadado ao sofrimento e a sua destrutiva natureza romântica, o personagem noir é um mártir anônimo, o símbolo de uma virtude rara em um país cuja relatividade moral é raramente trazida a baila.

Tal relatividade é encarnada de forma magistral por Carlos Vereza, que acompanha o personagem de José Mayer sem compreende-lo completamente mas admirando-o como ninguém mais.

Se a direção é irrepreensível, o que dizer do elenco, encabeçado por José Wilker, Vera Fischer, Hugo Carvana, Letícia Sabatella, Elias Gleiser, Lúcia Veríssimo, Rodolfo Botino, Marcos Winter, Sérgio Mamberti e Norton Nascimento, com deliciosas aparições de Ary Fontoura, Lima Duarte, Mario Lago e Paulo Gracindo.

É inusitado, mas o soturno personagem Gregório Fortunato, o “Anjo Negro”, chefe da segurança de Getúlio é vivido de forma surpreendentemente convincente por Tony Tornado.

A quem recomendo a compra? A quem é Brasileiro!

Bruno Accioly

Sarcasmeie você também (2)
Categoria: Séries